Doenças causadas por bactérias

 

Murchadeira,Dormideira

Canela-Preta

Sarna

 

 

Murchadeira, Dormideira

(Pseudomonas solanacearum)

 

Sintomas: murcha, nanismo e amarelecimento da folhagem em qualquer estágio de desenvolvimento da planta. Inicialmente apenas uma haste pode mostrar-se murcha. Quando a doença se desenvolve rapidamente, todas as folhas podem murchar sem muita mudança na coloração. Folhas murchas podem tornar-se verde-claras e finalmente marrom à medida que secam. Tubérculos infectados ao serem cortados geralmente apresentam uma coloração parda no anel vascular de onde exsuda a bactéria com a formação de gotículas brilhantes.

 

Disseminação:os principais meios de disseminação são tubérculos infectados (plantio de semente infectada, mistura de tubérculos doentes com sadios durante o transporte e o armazenamento) e águas contaminadas (tratamento via úmida (com líquidos) de tubérculos antes do plantio, irrigação de lavouras, lavagem de tubérculos pós-colheita). Também pode ser disseminada por meio de instrumentos usados para cortar tubérculos-sementes, implementos agrícolas e embalagens contaminadas, insetos e nematóides.

A bactéria pode sobreviver por muitos anos no solo e em plantas nativas (ex.:picão-preto, mamona, juá, bamburral). O cultivo com gramíneas contribui para redução da população dessa bactéria no solo de várias maneiras: reduzindo o número de plantas hospedeiras e aumentando a atividade microbiana do solo antagônica à bactéria.

 

Controle:

- Plante somente tubérculos sadios, de preferência semente certificada.

- Pratique rotação de culturas principalmente com gramíneas (milho, sorgo, aveia, etc).

- Quando a incidência na lavoura for relativamente pequena e as plantas apresentarem sintomas iniciais de murcha deve-se:

a) remover em sacos de plástico toda a planta, incluindo raízes e tubérculo;

b) queimar e enterrar todo o material em local afastado da lavoura e de águas de irrigação;

c) regar as covas de onde as plantas foram removidas e as ferramentas usadas nessa remoção com uma solução de formol comercial ( 1 litro de formol comercial/9 litros de água).

- Trate por aspersão com formol comercial diluído (5%) ou solução de hipoclorito de sódio (alvejante Q-Boa: água 1:4) todas as ferramentas, embalagens e depósitos a serem usados na instalação da lavoura.

- Use pedilúvio com formol (20%) na entrada de áreas reservadas à produção de batata-semente.

 

Canela-Preta, Talo-Oco, Podridão-Mole do Tubérculo

(Erwinia spp.)

 

Sintomas:

As folhas tendem a enrolar para cima e a folhagem gradualmente amarelece, murcha e morre. Na base de hastes de plantas afetadas desenvolvem-se lesões negras. A partir daí a doença progride destruindo o interior do talo deixando-o oco. Eventualmente tubérculos aéreos podem formar-se nas hastes. Tubérculos podem também ser afetados em armazéns ou mesmo no solo antes da colheita e depois do plantio. Infecções ocorrem através de lenticelas e ferimentos, ou através da extremidade do estolão. Lenticelas infectadas apresentam lesões (0,3 - 0,6 cm) deprimidas e levemente encharcadas e marrom-escuras em torno dessas aberturas. Tubérculos internamente infectados apresentam uma podridão mole de cor creme a parda; as bordas da área em apodrecimento podem tornar-se marrom e preto. Os tecidos infectados em geral exalam odor fétido.

 

Disseminação:

Aparentemente essas bactérias, na forma livre, sobrevivem no solo por um período relativamente curto. Plantas voluntárias e tubérculos infectados são os principais meios de sobrevivência e disseminação desses microorganismos. A ocorrência de podridões em armazém depende em grande parte do manejo dos tubérculos entre a colheita e o armazenamento, e das condições de armazenamento. A lavagem de tubérculos contribui grandemente para a disseminação e penetração da bactéria nos tubérculos. Todo o tratamento de tubérculo via úmida (com líquidos) deve ser seguido de uma ventilação apropriada (à sombra, de preferência) para facilitar a secagem rápida, o que evita infecções.

Essa doença pode freqüentemente ocorrer associada à podridão-seca, causada por Fusarium spp., em tubérculos armazenados. O uso de antibióticos, além de ser antieconômico, não tem controlado eficientemente o desenvolvimento de canela-preta em lavouras (por pulverizações) nem podridão-mole (tratamento pós-colheita) em depósitos.

 

Controle:

- Plante tubérculos livres de podridões em solos bem drenados.

- Evite danos mecânicos às plantas e aos tubérculos.

- Faça a colheita de preferência em dias secos e evite a exposição dos tubérculos ao sol por longos períodos.

- Separe e destrua os tubérculos podres logo após a colheita.

- Evite embalar ou armazenar tubérculos molhados.

- Mantenha adequada ventilação no armazém.

- Use medidas sanitárias para as ferramentas, embalagens e depósitos fazendo tratamento com solução de formol comercial (5%) ou água sanitária a 25%.

- Evite depósitos de refugo de tubérculos próximos a lavouras ou armazéns.

- Pratique rotação de culturas (intervalos de pelo menos dois anos entre as safras de batata) com gramíneas.

 

Sarna

(Streptomyces scabies)

 

Sintomas:

Lesões corticosas na superfícies dos tubérculos, que podem ser pequenas e superficiais ou consistir de reentrâncias profundas suberificadas. Raramente ocorrem lesões nas bases e nos estolões.

 

Disseminação:

Solos secos, especialmente aqueles ricos em matéria orgânica, durante a fase de tuberização e enchimento dos tubérculos são altamente favoráveis à sarna. Em geral, o prejuízo causado por esta doença esta relacionado à depreciação dos tubérculos com sintomas.

 

Controle:

- Evite plantar tubérculos com sintomas de sarna.

- Mantenha níveis de umidade no solo apropriados ao desenvolvimento das plantas durante e após a fase de tuberização.

- Evite aplicar quantidade excessivas de calcário.

- Evite rotação de culturas com beterraba, cenoura, batata-doce, rabanete e repolho.