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BANANA


(Musa sp)

Antonio Rangel
Luiz Antonio Campos Penteado
Ricardo Moncorvo Tonet

1 - INTRODUO

O Estado de So Paulo, considerando-se a safra de 1991, participa com quase 12,0% da produo total do pas, com aproximadamente 65 milhes de famlias em produo, numa rea de 43 mil hectares, com uma produtividade mdia de 22,5 t/ha, sendo que historicamente, a tradicional regio produtora de bananas do Litoral Paulista responsvel por aproximadamente 95% da produo do Estado. No entanto, tem-se observado o crescente interesse por essa cultura por produtores do Planalto Paulista como forma de diversificao de atividades.

Adequar tcnicas de cultivo s novas necessidades; aumentar produtividade (pois possvel atingirmos valores acima de 40 t/ha); diminuir perdas em todo o processo produtivo e de comercializao e, principalmente, melhorar a qualidade final do produto com consequente estmulo ao consumo, so objetivos a serem conquistados pela bananicultura, pois embora considerada como fruta de preferncia popular e como a mais importante fruta tropical, o consumo em algumas regies irrisrio, apesar, inclusive, de seu alto valor nutritivo, como alimento energtico e como fonte de vitaminas (A e C) e minerais (Fe e K).

2 - CLIMA E SOLO

A banana, originria de clima tropical mido, exige temperaturas que no estejam abaixo de 10 C e que no se elevem acima de 40C. Os melhores limites trmicos para o bom desenvolvimento desta cultura est entre 20 e 24C, podendo-se desenvolver satisfatoriamente em locais cujos limites de temperatura sejam 15 e 35C. As melhores condies para uma boa produo se encontram em regies com temperaturas elevadas o ano todo e cujas mdias mensais estejam entre 24 e 29C.

As baixas temperaturas podem ocasionar a "queima" da planta, ou dos frutos em crescimento ("chilling" ou "friagem", impedindo que o fruto atinja o seu mximo crescimento, tornando-o pequeno e de maturao incompleta), devendo-se pois evitar locais sujeitos a geadas e ventos frios.

Para o desenvolvimento da cultura de banana, as precipitaes pluviomtricas devem estar acima de 1200 mm/ano e bem distribudas (100-180 mm/ms) para no haver perodos de dficit hdrico, principalmente quando a formao da inflorescncia ou no incio da frutificao.

Nota-se que sobre as condies ideais de clima para a banana, o desenvolvimento de doenas fngicas, como por exemplo "Mal-de-Sigatoka", se v favorecido, devendo-se tambm levar em conta este aspecto na escolha do local de instalao de um bananal.

Com relao a altitude e latitude, estas quando maiores, aumentam os ciclos de produo, principalmente para os cultivares Nanica e Nanico.

Tambm a luminosidade importante para o desenvolvimento da bananeira, sendo desejvel que receba entre 1000-2000 horas de luz/ano, pois a luminosidade afeta o ciclo, o tamanho do cacho e a qualidade e conservao dos frutos.

Quanto ao vento, este pode causar o fendilhamento de folhas ou at o rompimento do sistema radicular, alongamento do ciclo e tombamento de plantas. Assim, para minimizar seu efeito, torna-se importante a implantao de quebra-ventos no bananal, associando o plantio de cultivares de porte mais baixo.

Isto posto, esclarecemos que, em condies de clima favorvel, a bananeira apresenta hbito de crescimento contnuo e rpido, condio esta indispensvel para a obteno de cachos de alto valor comercial, enquanto que em condies adversas de clima (baixas temperaturas e dficit hdrico) a planta pode passar por um perodo de paralisao de desenvolvimento.

Nas bananeiras, a maior porcentagem (70%) das razes se encontram nas primeiros 30 cm do solo, no entanto este deve permitir que as razes consigam penetrar, no mnimo, 60 a 80 cm de profundidade. Assim, os solos preferidos so os ricos em matria orgnica, bem drenados, argilosos ou mistos, que possuam boa disponibilidade de gua e topografia favorvel. Os solos arenosos, alm da baixa fertilidade e da baixa reteno de umidade, favorecem a disseminao de nematides, devendo pois receber maior ateno.

3 - CULTIVARES

Nanico: cultivar que por apresentar melhor conformao de cachos e de frutos substituiu em muitos casos a Nanica, sendo pois hoje o cultivar mais plantado no Estado de So Paulo, dominando o mercado interno e de exportao. O bom clone do cultivar nanico deve ter:

a cultura mxima de 3 metros cacho com 11 a 13 pencas e polpa ligeiramente amarelo-dourada (melhor paladar e aroma).

Grande Naine: possui grande semelhana com o cultivar Nanico, porm o porte um pouco mais baixo. tem sido o cultivar mais plantado no mercado externo. Possui alta capacidade de resposta em condio de alta tecnologia, porm no tem a mesma rusticidade do cultivar Nanico.

Nanica: semelhante Nanico, de porte mais baixo frutos menores e mais curvos, e apresenta problema de "engasgamento" no lanamento dos cachos no inverno.

Prata: Com limitao de cultivo devido ao "Mal-do-Panam", restrita a reas reduzidas.

Prata An: Enxerto ou Prata-de-Santa-Catarina: porte mdio /baixo, planta vigorosa e frutos idnticos aos do cultivar Prata. tolerante ao frio e mediamente tolerante a nematides.

Terra: plantio limitado e de difcil manejo, devido a altura e fcil tombamento, por ser muito suscetvel ao ataque da broca-da-bananeira, necessitando de um adequado escoramento.

Ma: tima qualidade e excelente aceitao no mercador consumidor, porm com sria limitao para seu cultivo devido ao "Mal-do-Panam"

Mysore: Pode substituir a ma, devido a semelhana entre seus frutos e apresentar tolerncia ao "Mal-do-Panam".

Ouro: De cultivo restrito, altamente susceptvel a "Sigatoka".

De forma geral, as recomendaes tcnicas aqui relatadas, referem-se basicamente cultura do nanico, diferindo para as demais em alguns pontos, como espaamento, produtividade, mercado e tolerncia a pragas e doenas. (consultar Quadro 1).

Quadro 1- CARACTERSTICAS DE ALGUNS CULTIVARES DE BANANA

Cultivar

Porte

Espaamento metros 1

Tolerncia
Mal-do-Panam

Resistncia Mal-de-Sigatoka

Resistncia Broca

Tolerncia a Secas

Tamanho e peso cacho

Produtividade

Mercado
Nanico

Mdio
(2,2-3,2 m)

2,0-2,5
2,2-2,2
2,5-2,5

Alta Tolerncia

Altamente Suscetvel

Suscetvel

Medianamente Tolerante

Mdio a grande
15 - 45 Kg

30-60 t /ha/ano

"in natura";
compotas;
doce em massa
Grande Naine

Mdio
(2,5 a 3m)

2,0-2,5
2,2-2,2
2,5-2,5

Alta Tolerncia

Altamente Suscetvel

Suscetvel

Medianamente Tolerante

Mdio a grande
15 - 45 Kg

30-60 t /ha/ano

"in natura";
compotas;
doce em massa
Nanica

Baixo
(2,0 m)

2,0 - 2,0
2,0 - 2,5
2,2 - 2,2

Alta Tolerncia

Altamente Suscetvel

Medianamente Suscetvel

Medianamente Tolerante

Pequeno a mdio
15 - 30Kg

30 - 40 t/ ha/ano

"in natura"; doce
Prata

Alto
(4-7 m)

2,5 - 3,0

Baixa Tolerncia

Relativamente Resistente

Relativamente Resistente

Tolerante

Pequeno
6 - 15Kg

15 - 30 t /ha/ano

"in natura"; doce
Prata An

Mdio
(2,5-3,2)

2,5- - 2,5

Baixa Tolerncia

Relativamente Resistente

Relativamente Resistente

Tolerante

Mdio
15-25 Kg

20-35 t /ha/ano

"In natura"; doce
Terra

Aalto
(3-5 m)

2,5 - 4,0
3,0 - 3,0

3,0 - 4,0

Mdia Tolerncia

Altamente Resistente

Suscetvel

Tolerante

Mdio a grande
20 - 30 Kg

20 - 30 t /ha/ano

fritar
Ma

Mdio
(2,5-3,5 m)

2,5 - 2,5

Intolerante

Relativamente Resistente

Suscetvel

Tolerante

Pequeno

6 - 15 Kg

25 t /ha/ano

"in natura"
Mysore

Alto
(5 m)

3,0 - 3,0

Tolerante

Resistente

Suscetvel

Tolerante

Pequeno a mdio
15 - 20kg

20 - 25 t /ha/ano-

"in natura"
Ouro

Mdio
(2,5 m)

2,0 -,5
2,5 - 2,5

Baixa Tolerncia

Altamente Suscetvel

Suscetvel

Baixa Tolerncia

PEQUENO
8 Kg

10 - 15 t/ ha/ano-

"in natura"; fritar,
compota

OBS.: 1- Espaamentos maiores para solos com maior fertilidade.

2- Quando tolerantes, sem deficincia hdrica na estao vegetativa

4 - PREPARO DO TERRENO

O preparo do terreno segue o procedimento normal adotado para outras culturas: limpeza do terreno, arao, gradagem, subsolagem e abertura de sulcos ou de covas para o plantio.

Aconselha-se a realizar previamente uma anlise de solo, e se houver necessidade realizar a calagem com antecedncia, realizando-se uma gradeao para incorporao do corretivo, pois esta a oportunidade de se fazer uma aplicao de calcrio significativa.

Conforme as condies locais, do terreno ou da cobertura vegetal do mesmo, algumas variaes podem ser adotadas no preparo do terreno, com o objetivo de melhorar o potencial de instalao do bananal.

5 - PLANTIO

5.1- poca

O plantio, deve ser iniciado com as primeiras chuvas, sempre que possvel e, evitando-se come-lo nos meses de baixa temperatura, e tambm em funo do perodo em que se pretende colocar o produto no mercado.

5.2- Espaamento

Um bananal "fechado" acarreta alongamento do ciclo de produo em at alguns meses e leva a formao de frutos menores, por isso a importncia quanto ao espaamento.

Tambm, essencial um bom planejamento do bananal, com o perfeito dimensionamento dos talhes e carreadores, buscando possibilitar a melhor execuo dos tratos culturais e controle de doenas, inclusive mecanicamente e, facilitar o escoamento da produo.

O espaamento pode ser influenciado pela disponibilidade de mudas, pela fertilidade do solo e pelo manejo do bananal, mas de forma geral os espaamentos para os diferentes cultivares esto colocados no Quadro 1.

5.3- Mudas

5.3.1- Tipos

A bananeira propagada vegetativamente, a partir de seu rizoma, quer brotado ou no brotado:

a) rizoma no brotado:

-inteiro; subdividido ao meio ou em 4 partes (com peso nunca inferior a 500g cada);

b) rizoma brotado ou inteiro:

- chifrinho: rebento recm brotado, com 20 cm de altura, com 2 a 3 meses de idade e com aproximadamente 1 kg;

-chifre rebentos: em estgio mdio de desenvolvimento,medindo de 50-60 cm de altura, pesando entre 1-2 kg;.

-chifro: rebento apresentado a primeira folha normal, pesando entre 2-3 kg;

-muda alta (muda replante): rebento bem desenvolvido, com mais de 1 metro de altura e pesando entre 3-5 kg. Usado como replante das falhas em bananais formadas ou em formao.

As mudas de rizoma no brotado apresentam desenvolvimento mais lento e conseqentemente o primeiro ciclo de produo mais longo. Observa-se ainda, na prtica, que o desenvolvimento das mudas do mesmo tipo to mais rpido quanto maior for o seu peso.

possvel ainda, obter-se mudas a partir do desenvolvimento de meristemas (gemas laterais e apical) por meio de multiplicao de tecidos em laboratrios de biotecnologia.

5.3.2- Preparo e tratamento das mudas

A princpio imprescindvel que o bananal fornecedor de mudas no tenha sintomas de vrus, Mal-do-Panam e se possvel, no apresentar sinais de nematides e da broca-da-bananeira.

To logo possvel aps a extrao, o material de plantio deve ser submetido a uma limpeza (toalete ou escalpelamento) retirando-se todas as razes, limpando-se as partes necrosadas, secas e a terra aderente, tomando-se cuidado para evitar qualquer leso s gemas.

Esse material pode ser ento submetido a um tratamento qumico especfico, a base de carbofuran lquido 0,4% por um perodo de 15 minutos, devendo-se para este tratamento utilizar-se dos equipamentos de proteo individual (EPIs) pois o produto altamente txico. Pode-se ainda como opo submeter o material a um tratamento com 2 litros de gua mais um litro de hipoclorito de sdio por 10 minutos.

5.4- Plantio

Para o tipo de muda, pedao de rizoma, coloc-la no fundo da cova, no caso do Planalto Paulista, cobertura com 15-20 cm de terra.

Em terrenos pesados e mais midos, como nas condies do Litoral, plantar mais raso, e cobrir com 5cm de terra.

6 - TRATOS CULTURAIS

6.1- Controle de Plantas daninhas

O bananal deve ser mantido no limpo atravs de roadas mecnicas ou capina manual superficial, visto que a concorrncia com o mato resulta em atraso no desenvolvimento, diminuio no vigor e queda na produo, no se devendo gradear ou passar rotativa, dada a superficialidade das razes.

No controle qumico, podemos utilizar herbicidas de ps ou pr-emergncia nas dosagens especificadas para cada produto, em funo do tipo de solo e das espcies infestantes.

O nmero de capinas fica a critrio das condies climticas, fertilidade do solo e do espaamento utilizado, sendo que num bananal bem formado, as plantas daninhas so problemas nos primeiros meses, quando ento o controle deve ser realizado.

6.2- Desbaste

uma das operaes mais importantes no manejo do bananal, e consiste em favorecer o maior e mais rpido desenvolvimento do nico rebento (filho ou guia) deixado junto a planta me, e que ser responsvel pela prxima safra. Esse desbaste pode ser feito utilizando-se a ferramenta "lurdinha" (vazador), ou apenas com cortes dos rebentos.

O primeiro desbaste, que ir eleger a planta me, deve ser realizado quando os brotos atinjam 60cm. O desbaste dever ser realizado periodicamente, visando manter me e filho, at o lanamento da inflorescncia pela planta-me, nesta fase escolhe-se um novo broto junto ao filho que passar a ser o "neto". O nmero de desbastes varia de 3 a 5 vezes/ano.

O desbaste tambm poder ser conduzido de forma a se controlar a poca de produo, objetivando-se a colheita de cachos na poca de melhores preos.

6.3- Corte de Pseudocaule aps a colheita.

Aps o corte do cacho por ocasio da colheita, permanece o pseudocaule que dever ser cortado o mais alto possvel, permitindo a translocao dos seus nutrientes e hormnios para o rizoma, o pseudocaule pode ser eliminado totalmente 40-60 dias aps a colheita.

6.4- Limpeza do Bananal (retirada de folhas secas)

Periodicamente, aconselha-se a retirada das folhas secas, j sem funo na planta, cortando-as junto ao pecolo, de baixo para cima e enleiradas nas entrelinhas do bananal.

Em regies sujeitas ao frio, esta operao dever ser efetuada antes do inverno, visando permitir um maior escoamento da massa de ar frio do bananal.

6.5- Poda

Pode ser realizada com o objetivo de deslocar a produo, concentrando-a numa poca de preos mais favorveis, o que ocorre normalmente no final do ano.

Tambm pode ser utilizada para recuperar uma lavoura atingida por geada, inundao, granizo, vento, que tenha comprometido as plantas mais velhas e a produo pendente.

6.6- Outros tratamentos

- Eliminao do corao: quebra-se a rquis masculina ("rabo-do-cacho") junto ao boto floral, quando houver entre ele e a ltima penca, cerca de 10-12 cm. Este procedimento visa acelerar o desenvolvimento ("engordamento") das bananas, aumentar o comprimento dos ltimos frutos, aumentar o peso do cacho e provocar a diminuio de trips e traa-da-bananeira.

- Retirada dos pistilos (despistilagem): faz com que a proximidade distal do dedo fique mais cheia, melhorando seu aspecto visual, alm de ser um eficiente mtodo de controle da traa-da-bananeira. Na prtica, este procedimento no vem sendo realizado a nvel de campo, pelo seu alto custo de realizao, necessitando entretanto ser realizado no tratamento ps-colheita.

-Ensacamento do cacho com plstico polietileno

7 - ADUBAO

A adubao, calagem e fosfatagem devem ser feitas baseadas nos resultados da anlise do solo e foliar e de acordo com os perodos de maior demanda pelos nutrientes, como por exemplo na fase de crescimento vegetativo e de "lanamento" do cacho onde ocorrem maiores demandas de Nitrognio (N), enquanto que por ocasio da "engorda" dos frutos maior a demanda de potssio(K).

A retirada de nutrientes por tonelada de cacho de aproximadamente: N=2,0 kg; P2O5: 0,6 kg; K2O=6,4 kg; CaO= 0,4 kg: e MgO: 0,9 kg.

Todos os restos da cultura devem permanecer dentro do bananal como fonte de matria orgnica (salvo aquelas de plantas doentes), podendo-se inclusive em solos arenosos acrescentar outros materiais de baixo custo com a finalidade de melhorar a qualidade fsica do solo.

Na calagem, antes do plantio, recomenda-se utilizar calcrio dolomtico com um mnimo de 16% de MgO, com o objetivo de evitar o desequilbrio em Ca, Mg, e K que pode provocar um problema fisiolgico ("azul da bananeira") que pode anular por completo a produo. Aplicar antes do plantio, 10 litros por cova de esterco de curral ou 2 litros de esterco de aves ou 1 litro de torta de mamona, especialmente em solos arenosos, recomendando-se ainda, como prtica importante, a fosfatagem na dosagem de 100 a 200 kg/ha de P2O5 ou de 40-50g de P2O5/cova.

As adubaes dos bananais em formao e em produo seguem as recomendaes de adubao e calagem para o Estado de So Paulo do Instituto Agronmico de Campinas (Boletim Tcnico n 100).

As adubaes devero ser parceladas, realizando-as nos meses de setembro-dezembro-abril, com solo mido, procurando-se distribuir os adubos na "parte da frente" da bananeira, no sentido do caminhamento do bananal, onde esto os brotos que ficaro para a prxima produo, a uma distncia de 20-40 cm, formando um semicrculo.

Quanto aos micronutrientes, torna-se interessante a aplicao de fertilizantes fornecedores de zinco, cobre, boro, ferro e outros .

8 - PRAGAS E DOENAS

8.1- Pragas

8.1.1- "Moleque" ou Broca-da-Bananeira" (Cosmopolites sordidus)

Praga bastante disseminada, atingindo praticamente todos os bananais. O inseto adulto um besouro preto, de hbito noturno, suas larvas so responsveis pelas perfuraes que aparecem no rizoma, destruindo internamente o tecido da planta, prejudicando o seu desenvolvimento. As folhas amarelecem, os cachos ficam pequenos e as plantas sujeitas ao tombamento.

Para o seu controle recomenda-se a limpeza das mudas, com uma toalete completa, onde se escalpela todo o seu rizoma, eliminando por completo os sinais de sua presena.

O controle, ainda, realizado com o monitoramento da praga, utilizando-se de iscas tipo queijo ou telha, onde acrescenta-se um inseticida na dosagem de 2-3g/isca, fazendo-se 25 iscas/ha.

Recentemente tem-se realizado o controle biolgico da broca utilizando-se o fungo Beuveria bassiana, no mesmo sistema de iscas, agora utilizando 20-25g do fungo/isca na proporo de 100 iscas/ha.

8.1.2- Nematides

Os nematides que ocorrem na cultura da banana so classificados segundo as leses que provocam:

a) leses profundas (Radophulos similis - nematide "caverncola" e Pratylenchus musicola

b) leses superficiais (Helicotylenchus spp)

c) leses tipo galha (Meloidogyne spp).

Os nematides parasitam o sistema radicular e rizomas das bananeiras, so responsveis por expressivas quedas de produo nos bananais em decorrncia da existncia de condies propcias para o desenvolvimento de altas populaes, como terreno arenoso e perodos secos.

So encontrados em quase todas as plantaes do Estado de So Paulo, podendo reduzir as razes a apenas 10% do seu comprimento, levando ao tombamento de plantas, alm disso abrem nas razes e no rizoma, portas de entrada para outros parasitas.

O melhor mtodo de controle no permitir a entrada de nematides em novas reas, para isso necessita-se de mudas de origem sadia. Para complementar recomenda-se realizar uma boa "toalete" do rizoma das mudas, eliminando toda e qualquer mancha escura,e fazer tratamento das mudas.

Nos tratamentos rotineiros, podemos aplicar nematicida via solo (no realizando o tratamento em plantas com cachos) ou logo aps a colheita dentro da planta-me com auxlio da lurdinha.

Outras formas de atenuar os problemas com a presena de nematides so as de manter as plantas com nutrio correta e bem conduzidas.

8.1.3- Outras pragas

Outras pragas ocorrem ocasionalmente na cultura da banana como por exemplo:

  • -Trips: Pequenos insetos que causam danos na casca dos frutos. A eliminao dos "coraes" exercem um certo controle na populao.

  • -Traa-dos-frutos-da-bananeira (Opogona sacchari): a larva penetra no fruto, abrindo galerias, causando o apodrecimento e o amarelecimento deste, com o resto do cacho ainda verde. Seu controle pode ser feito com despestilagem ou pulverizando-se com produtos recomendados, com jato dirigido ao cacho recm-formado,

  • -Lagartas: provocam prejuzos na rea foliar, com desfolhamento ou abertura de galerias no parnquima foliar. Seu controle quando necessrio pode ser realizado quimicamente com resultados satisfatrios.

  • 8.2- Doenas

    8.2.1- "Mal-de-Sigatoka" (Mycosphaerella musicola - fase perfeita; Cercospora musae - fase imperfeita)

    Os sintomas ocorrem nas folhas, iniciando-se por pontuaes com leve descolorao, passando por estrias clorticas e manchas necrticas, elpticas, alongadas e dispostas paralelamente as nervuras secundrias, apresentado estas leses parte central acinzentada e as bordas amarelecidas, essas leses podem coalescer comprometendo uma grande rea foliar.

    um problema fitossanitrio limitante para os cultivares Nanico, Nanica e Grande Naine sendo imprescindvel um programa de controle fitossanitrio. O cultivar Ouro ainda mais susceptvel, j os cultivares Maa e Prata so considerados medianamente resistentes e o Terra ainda mais resistentes.

    Para o seu controle recomenda-se pulverizao sobre as folhas, em baixo volume, atingindo as folhas novas, com leo mineral "Spray oil" entre 12 e 18 litros/ha.

    O perodo de controle dever ser de setembro a maio, pois o fungo necessita de temperatura e umidade alta para se desenvolver, num intervalo de aplicao de 20-22 dias, podendo este prazo ser dilatado quando utilizado leo mais um fungicida sistmico triazis, benomyl e benzimidozles.

    As aplicaes so feitas por atomizador costal, atomizao via trator e aplicaes areas.

    8.2.2- "Mal-do-Panam" (Fusarium oxysporum f. sp. cubense)

    Os cultivares de interesse comercial apresentam taxas variveis de tolerncia, assim apresentam alta tolerncia os cultivares: Ouro, Nanica, Nanico; mediana tolerncia: Terra; baixa tolerncia: Prata e intolerante: Maa.

    Esta doena, sendo limitante para o cultivar Maa, fruta de grande preferncia de consumo, motivou a migrao de seu cultivo do Estado de So Paulo.

    Apesar da tolerncia do cultivar Nanico, desequilbrios nutricionais (P, Ca, Mg e Zn), parasitismo de nematides, ou perodos elevados de estiagem, podem levar ao aparecimento de sintomas da fusariose.

    No existe controle para a doena, e no caso da escolha por variedades suscetveis, buscar locais onde no ocorreram plantios anteriores e utilizar mudas sadias e de qualidade.

    8.2.3- "Moko" ou "Murcha Bacteriana" (Pseudomonas solanacearum)

    Doena bacteriana que se encontra no Brasil apenas na regio Norte, onde j bastante difundida, e no Nordeste. A planta infectada morre em poucas semanas, sua incidncia se d em reboleiras, com as folhas cadas e secas ("guarda-chuva fechado"), os frutos apresentam a polpa com manchas negras distribudas no seu interior. Como nico mtodo de controle, preconiza-se um rigoroso programa de erradicao das plantas doentes.

    No Estado de So Paulo, no foi constatada a presena dessa doena, devendo-se pois atentar-se para no permitir a entrada desse patgeno nas nossas regies produtoras.

    8.2.4- Viroses (vrus do mosaico do pepino)

    Embora j constatada em nossas condies de cultivo, at o momento no tem causado problemas de srias propores, devendo-se no entanto manter a ateno quanto a esta doena.

    8.2.5- Doenas de frutos

    So algumas as doenas fngicas que normalmente no chegam a afetar a qualidade da polpa, no entanto, como so causados por fungos manchadores de frutos, leva a perda de valor comercial devido a defeitos e m aparncia.

    Como exemplo citamos:

    - ponta-de-charuto: causado por uma associao de fungos

    - doena-das-pintas (Pyricularia grisea).

    De maneira geral, essas doenas no tem sido problema limitante, no entanto, em bananais limpos, bem arejados e com bom manejo, diminuem as possibilidades de ocorrncia.

    8.2.6- Doenas Ps-colheita

    Podem ocorrer podrides, seja no engao, na coroa ou almofada ou nos frutos. Para evitar tais problemas que resultam em diminuio no valor comercial do produto, deve-se atentar a uma colheita cuidadosa e no ponto correto, proceder a limpeza das pencas, a lavagem dos frutos com detergente e posterior imerso em soluo fungicida (benomyl e thiabendazle) e o acondicionamento nas embalagens adequadamente.

    9 - COLHEITA E COMERCIALIZAO

    Considera-se que a banana est apta para a comercializao quando os frutos se encontram fisiologicamente desenvolvidos, ou seja, que atingiram o estgio de desenvolvimento caracterstico da variedade.

    No entanto, esta no pode ser colhida madura, pois como fruta muito sensvel ao transporte e por no se conservar por muito tempo, seu amadurecimento ps-colheita deve se processar em cmaras de climatizao, onde so submetidas maturao sobre controle de temperatura, umidade e ventilao, conseguindo-se um produto final de melhor qualidade e uniformemente amadurecido, de maior valor comercial.

    Para determinar o ponto de colheita, deve-se levar em considerao a distncia e a que mercado se destina a fruta. De modo geral como parmetros que podemos adotar para determinar o ponto-de-colheita da banana, esto o grau fisiolgico do fruto, que se baseia na sua aparncia visual (magro; 3/4 magro; 3/4 normal; 3/4 gordo e gordo) ou no dimetro da fruta, onde se mede o dimetro do dedo central da segunda mo.(magro = 30mm; 3/4 magro=32mm;3/4 normal =34mm 3/4 gordo 36mm e gordo 38mm).

    De forma geral, os frutos devem ser colhidos ainda verdes, porm j desenvolvidos e as "quinas" longitudinais pouco salientes (3/4 gordo). Para o mercado externo, prefere-se colher frutos um pouco mais magros que para o mercado interno.

    Os cuidados na colheita devem ser os mais atendidos, no sentido de se evitar bater os frutos, no permitir sua exposio prolongada ao sol etc., desde a colheita do cacho, at seu transporte e o manuseio no "packing house".

    Aps a colheita, o produto pode ter vrios destinos e diferentes modalidades de comercializao, seja na comercializao direta dos cachos, seja em embalagens que devem obedecer a portaria especfica do Ministrio da Agricultura e Reforma Agrria, que padroniza de acordo com o mercado a que se destina (interno e externo) e com a cultivar, os diferentes tipos de embalagem para banana (torito, caixa "M", caixa de papelo).

    Quanto ao mercado, observa-se a disponibilidade de frutos durante todo o ano, entretanto com flutuaes de preo em funo da oferta/demanda em algumas pocas do ano.

    Para pensarmos seriamente em exportao, no apenas para nossos tradicionais importadores, Uruguai e Argentina, temos que estar dispostos a reverter a situao que nos separa de pases como o Equador, que apesar da palatabilidade inferior de suas bananas e com preos equivalentes, quando comparamos com o Brasil, apresentam uma qualidade e uma apresentao extremamente superior, inclusive comercializando seus frutos em forma de "buqu" (5-7 frutos), prtica esta que j vem sendo realizada pelos produtores nacionais.

    Hoje, tem-se incentivado a prtica de tratamentos ps-colheita, com manuseio de frutos em casas de embalagem, nas reas de bananicultura do Estado, como forma de melhorar a qualidade final do produto. Alm disso temos que pensar num trabalho de marketing salientando as propriedades da banana como alimento com o objetivo de se estimular seu consumo

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    Frutas Tropicais 3 - Banana. Instituto de Tecnologia de Alimentos 2 edio 1990.

    Manual Tcnico das Culturas. Banana CATI/DEXTRU/CTPV pag 100-110, Campinas, 1986

    MOREIRA, R.S. Banana: Teoria e Prtica de Cultivo. Campinas. Fundao Cargil, 1987. 335p

    MOREIRA, R. S. Consideraes Sobre a Bananicultura (apostila), II Curso Prtico de Bananicultura - FCVJ/UNESP, 1995

    PENTEADO, L.A.C. A Cultura da Banana (apostila)

    RANGEL, A. Cultura da Banana (apostila)

     

    MANUAL DE CULTURAS -CATI

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