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Colheita mecanizada
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parte3
Plantio

|
Cana de Açúcar
Cana
de Açúcar
(Saccharum
hibridas)
Introdução
Originária
do sudeste da Ásia, onde é cultivada desde épocas remotas, a exploração
canavieira assentou-se, no início, sobre a espécie S. officinarum. O
surgimento de várias doenças e de uma tecnologia mais avançada exigiram a
criação de novas variedades, as quais foram obtidas pelo cruzamento da S.
officinarum com as outras quatro espécies do gênero Saccharum e,
posteriormente, através de recruzamentos com as ascendentes.
Os
trabalhos de melhoramento persistem até os dias atuais e conferem a todas as
variedades em cultivo uma mistura das cinco espécies originais e a existência
de cultivares ou variedades híbridas.
A
importância da cana de açúcar pode ser atribuída à sua múltipla
utilização, podendo ser empregada in natura, sob a forma de forragem, para
alimentação animal, ou como matéria prima para a fabricação de rapadura,
melado, aguardente, açúcar e álcool.
Clima
e Solo
A
cana-de-açúcar é cultivada numa extensa área territorial, compreendida entre
os paralelos 35º de latitude Norte e Sul do Equador, apresentando melhor
comportamento nas regiões quentes. O clima ideal é aquele que apresenta duas
estações distintas, uma quente e úmida, para proporcionar a germinação,
perfilhamento e desenvolvimento vegetativo, seguido de outra fria e seca, para
promover a maturação e conseqüente acumulo de sacarose nos colmos.
Solos
profundos, pesados, bem estruturados, férteis e com boa capacidade de
retenção são os ideais para a cana-de-açúcar que, devido à sua
rusticidade, se desenvolve satisfatoriamente em solos arenosos e menos férteis,
como os de cerrado. Solos rasos, isto é, com camada impermeável superficial ou
mal drenados, não devem ser indicados para a cana-de-açúcar.
Para
trabalhar com segurança em culturas semi-mecanizadas, que constituem a maioria
das nossas explorações, a declividade máxima deverá estar em torno de 12% ;
declividade acima desse limite apresentam restrições às práticas mecânicas.
Para
culturas mecanizadas, com adoção de colheitadeiras automotrizes, o limite
máximo de declividade cai para 8 a 10%.
Cultivares
Um
dos pontos que merece especial atenção do agricultor é a escolha do cultivar
para plantio. Isso não só pela sua importância econômica, como
geradora de massa verde e riqueza em açúcar, mas também pelo seu processo
dinâmico, pois anualmente surgem novas variedades, sempre com melhorias
tecnológicas quando comparadas com aquelas que estão sendo cultivadas. Dentre
as várias maneiras para classificação dos cultivares de cana, a mais prática
é quanto à época da colheita.Quando apresentarem longo Período de
Utilização Industrial (PUI), a indicação de alguns cultivares ocorrerá para
mais de uma época.
Atualmente
os cultivares mais indicados para São Paulo e Estados limítrofes são:
-
para
início de safra: SP80-3250, SP80-1842, RB76-5418, RB83-5486, RB85-5453 e
RB83-5054
-
para
meio de safra: SP79-1011, SP80-1816, RB85-5113 e RB85-5536
-
para
fim de safra: SP79-1011, SP79-2313, SP79-6192, RB72-454,
RB78-5148, RB80-6043 e RB84-5257
Os
cultivares SP79-2313, RB72-454, RB78-5148, RB80-6043 e RB83-5486
caracterizam-se pela baixa exigência em fertilidade de solo.
Preparo
do Terreno
Tendo
a cana-de-açúcar um sistema radicular profundo, um ciclo vegetativo econômico
de quatro anos e meio ou mais e uma intensa mecanização que se processa
durante esse longo tempo de permanência da cultura no terreno, o preparo do
solo deve ser profundo e esmerado. Convém salientar que as unidades
sucroalcooleiras não seguem uma linha uniforme de preparo do solo, tendo cada
uma seu sistema próprio, variação essa que ocorre em função do tipo de solo
predominante e da disponibilidade de máquinas e implementos.
No
preparo do solo, temos de considerar duas situações distintas:
-
a cana vai ser implantada pela primeira vez;
-
o terreno já se encontra ocupado com cana.
No
primeiro caso, faz-se uma aração profunda, com bastante antecedência do
plantio, visando à destruição, incorporação e decomposição dos restos
culturais existentes, seguida de gradagem, com o objetivo de completar a
primeira operação. Em solos argilosos é normal a existência de uma camada
impermeável, a qual pode ser detectada através de trincheiras abertas no
perfil do solo, ou pelo penetrômetro.
Constatada
a compactação do solo, seu rompimento se faz através de subsolagem, que só
é aconselhada quando a camada adensada se localizar a uma profundidade entre 20
e 50 cm da superfície e com solo seco.
Nas
vésperas do plantio, faz-se nova gradagem, visando ao acabamento do preparo do
terreno e à eliminação de ervas daninhas.
Na
segunda situação, onde a cultura da cana já se encontra instalada, o primeiro
passo é a destruição da soqueira, que deve ser realizada logo após a
colheita. Essa operação pode ser feita por meio de aração rasa (15-20 cm)
nas linhas de cana, seguidas de gradagem ou através de gradagem pesada, enxada
rotativa ou uso de herbicida.
Se
confirmada a compactação do solo, a subsolagem torna-se necessária. Nas
vésperas do plantio procede-se a uma aração profunda (25-30 cm), por meio de
arado ou grade pesada. Seguem-se as gradagens necessárias, visando manter o
terreno destorroado e apto ao plantio.
Devido
à facilidade de transporte, à menor regulagem e ao maior rendimento
operacional, há uma tendência das grades pesadas substituírem o arado.
Calagem
A
necessidade de aplicação de calcário é determinada pela análise química do
solo, devendo ser utilizado para elevar a saturação por bases a 60%. Se o teor
de magnésio for baixo, dar preferência ao calcário dolomítico.
O
calcário deve ser aplicado o mais uniforme possível sobre o solo. A época
mais indicada para aplicação do calcário vai desde o último corte da cana,
durante a reforma do canavial, até antes da última gradagem de preparo do
terreno. Dentro desse período, quanto mais cedo executada maior será sua
eficiência.
Adubação
Para
a cana de açúcar há a necessidade de considerar duas situações distintas,
adubação para cana-planta e para soqueiras, sendo que, em ambas, a
quantificação será determinada pela análise do solo.
Para
cana-planta, o fertilizante deverá ser aplicado no fundo do sulco de plantio,
após a sua abertura, ou por meio de adubadeiras conjugadas aos sulcadores em
operação dupla.
No
quadro a seguir são indicadas as quantidades de nitrogênio, fósforo e
potássio a serem aplicadas com base na análise do solo e de acordo com a
produtividade esperada.
Adubação
Mineral de Plantio
|
Produtividade
esperada |
Nitrogênio |
P
resina, mg/dm³ |
|
0
- 6 |
7
- 15 |
16
- 40 |
>40 |
|
t/ha |
N,
kg/ha |
P2O5,
kg/ha |
|
<100
100
- 150
>150 |
30
30
30 |
180
180
* |
100
120
140 |
60
80
100 |
40
60
80 |
|
Produtividade
esperada |
K+
trocável, mmolc/dm³ |
|
0 - 0,7 |
0,8 - 1,5 |
1,6 - 3,0 |
3,1 - 6,0 |
>6,0 |
|
t/ha |
K2O, kg/ha |
|
<100
100 - 150
>150 |
100
150
200 |
80
120
160 |
40
80
120 |
40
60
80 |
0
0
0 |
*
Não é provável obter a
produtividade dessa classe, com teor muito baixo de P no solo
Fonte:
Boletim Técnico 100 IAC, 1996
Aplicar
mais 30 a 60 kg/ha de N, em cobertura, durante o mês de abril; em solo arenoso
dividir a cobertura, aplicando metade do N em abril e a outra metade em setembro
- outubro.
Adubações
pesadas de K2O
devem ser parceladas, colocando no sulco de plantio até 100 kg/ha e o restante
juntamente com o N em cobertura, durante o mês de abril.
Para
soqueira, a adubação deve ser feita durante os primeiros tratos culturais, em
ambos os lados da linha de cana; quando aplicada superficialmente, deve ser bem
misturada com a terra ou alocada até a profundidade de 15 cm.
Na
adubação mineral da cana-soca aplicar as indicações do quadro a seguir,
observando os resultados da análise de solo e de acordo com a produtividade
esperada.
Adubação
Mineral da Cana-Soca
|
Produtividade
esperada |
Nitrogênio |
P resina,
mg/dm³ |
K+
trocável, mmolc/dm³ |
|
0-15 > 15 |
0,15
1,5-3,0 > 3,0 |
|
t/ha |
N, kg/ha |
P2O5,
kg/ha |
K2O,
kg/ha |
|
< 60
60 - 80
80 - 100
> 100 |
60
80
100
120 |
30
30
30
30 |
0
0
0
0 |
90
110
130
150 |
60
80
100
120 |
30
50
70
90 |
Fonte:
Boletim Técnico 100 IAC, 1996
Aplicar
os adubos ao lado das linhas de cana, superficialmente e misturado ao solo, no
máximo a 10 cm de profundidade.
Se
for constatada deficiência de cobre ou de zinco, de acordo com a análise do
solo, aplicar os nutrientes com a adubação de plantio, nas quantidades
indicadas a seguir:
|
Zinco no solo |
Zn |
Cobre no solo |
Cu |
|
mg/dm³ |
kg/ha |
mg/dm³ |
kg/ha |
|
0-0,5
> 0,5 |
5
0 |
0-0,2
> 0,2 |
4
0 |
Fonte:
Boletim Técnico 100 IAC, 1996
Uso
de Resíduos da Agroindústria Canavieira
Atualmente
há uma tendência em substituir a adubação química das socas pela
aplicação de vinhaça, cuja quantidade por hectare esta na dependência
da composição química da vinhaça e da necessidade da lavoura em nutrientes.
Os
sistemas básicos de aplicação são por infiltração, por veículos e
aspersão, sendo que cada sistema apresenta modificações.
A
torta de filtro (úmida) pode ser aplicada em área total (80-100 t/ha), em
pré-plantio, no sulco de plantio (15-30 t/ha) ou nas entrelinhas (40-50 t/ha).
Metade do fósforo aí contido pode ser deduzido da adubação fosfatada
recomendada. (Boletim Técnico 100
IAC, 1996)
Plantio
Existem
duas épocas de plantio para a região Centro-Sul: setembro-outubro e janeiro a
março. Setembro-outubro não é a época mais recomendada, sendo indicada em
casos de necessidade urgente de matéria prima, quer por recente instalação ou
ampliação do setor industrial, quer por comprometimento de safra devido à ocorrência
de adversidade climática. Plantios efetuados nessa época propiciam menor
produtividade agrícola e expõem a lavoura à maior incidência de ervas
daninhas, pragas, assoreamento dos sulcos e retardam a próxima colheita.
O
plantio da cana de "ano e meio" é feito de janeiro a março, sendo o
mais recomendado tecnicamente. Além de não apresentar os inconvenientes da
outra época, permite um melhor aproveitamento do terreno com plantio de outras
culturas. Em regiões quentes, como o oeste do Estado de São Paulo, essa época
pode ser estendida para os meses subseqüentes, desde que haja umidade
suficiente.
O
espaçamento entre os sulcos de plantio é de 1,40 m, sua profundidade de 20 a
25 cm e a largura é proporcionada pela abertura das asas do sulcador num
ângulo de 45º, com pequenas variações para mais ou para menos, dependendo da
textura do solo.
Os
colmos com idade de 10 a 12 meses são colocados no fundo do sulco, sempre
cruzando a ponta do colmo anterior com o pé do seguinte e picados, com podão,
em toletes de aproximadamente de três gemas.
A
densidade do plantio é em torno de 12 gemas por metro linear de sulco, que,
dependendo da variedade e do seu desenvolvimento vegetativo, corresponde a um
gasto de 7-10 toneladas por hectare.
Os
toletes são cobertos com uma camada de terra de 7 cm, devendo ser ligeiramente
compactada. Dependendo do tipo de solo e das condições climáticas reinantes,
pode haver uma variação na espessura dessa camada.
Tratos
Culturais
Os
tratos culturais na cana-planta limitam-se apenas ao controle das ervas
daninhas, adubação em cobertura e adoção de uma vigilância fitossanitária
para controlar a incidência do carvão. No que concerne à adubação em
cobertura, já foi visto no item adubação e a vigilância fitossanitária
será comentada em doenças e seu controle.
O
período crítico da cultura, devido à concorrência de ervas daninhas, vai da
emergência aos 90 dias de idade.
O
controle mais eficiente as ervas, nesse período, é o químico, através da
aplicação de herbicidas em pré-emergência, logo após o plantio e em área
total. Dependendo das condições de aplicação, infestação da gleba e
eficiência do praguicida, há necessidade de uma ou mais carpas mecânicas e
catação manual até o fechamento da lavoura. A partir dai a infestação de
ervas é praticamente nula.
Outro
método é a combinação de carpas mecânicas e manuais. Instalada a cultura,
após o surgimento do mato, procede-se seu controle mecanicamente, com o emprego
de cultivadores de disco ou de enxadas junto às entrelinhas, sendo
complementado com carpa manual nas linhas de plantio, evitando, assim, o
assoreamento do sulco. Essa operação é repetida quantas vezes forem
necessárias; normalmente três controles são suficientes.
As
soqueiras exigem enleiramento do "paliço", permeabilização do solo,
controle das ervas daninhas, adubação e vigilância sanitária. Os dois
últimos tratos culturais encontram-se em itens próprios.
Após
a colheita da cana, ficam no terreno restos de palha, folhas e pontas, cuja
permanência prejudica a nova brotação e dificulta os tratos culturais. A
maneira de eliminar esse material (paliço) seria a queima pelo fogo, porém
essa prática não é indicada devido aos inconvenientes que ela acarreta, como
falhas na brotação futura, perdas de umidade e matéria orgânica do solo e
quebra do equilíbrio biológico.
O
enleiramento consiste no amontoamento em uma rua do "paliço" deixando
duas, quatro ou seis ruas livres, dependendo da quantidade desse material. É
realizado por enleiradeira tipo Lely, implemento leve com pouca exigência de
potência.
Após
a retirada da cana, o solo fica superficialmente compactado e impermeável à
penetração de água, ar e fertilizantes. Visando à permeabilização do solo
e controle das ervas daninhas iniciais, diversos métodos e implementos podem
ser usados.
Existem
no mercado implementos dotados de hastes semi-subsoladoras ou escarificadoras,
adubadeiras e cultivadores que realizam simultaneamente, operações de
escarificação, adubação, cultivo e preparo do terreno para receber a carpa
química, exigindo, para tanto, tratores de aproximadamente 90 HPs. Normalmente,
essa prática, conhecida como operação tríplice, seguida do cultivo químico,
é suficiente para manter a soqueira no limpo.
Além
desse sistema, o emprego de cultivadores ou enxadas rotativas com tração
animal ou mecânica apresenta bons resultados. Devido ao rápido crescimento das
soqueiras, o número de carpas exigidos é menor que o da cana planta.
Pragas
e seu controle
A
cana-de-açúcar é atacada por cerca de 80 pragas, porém pequeno número causa
prejuízos à cultura. Dependendo da espécie da praga presente no local, bem
como do nível populacional dessa espécie, as pragas de solo podem provocar
importantes prejuízos à cana-de-açúcar, com reduções significativas nas
produtividades agrícola e industrial dessa cultura.
Dos
organismos que a atacam, três merecem destaque pelos danos que causam: os nematóides, os
cupins e o besouro Migdolus. Veja mais detalhes em
Pragas
da Cana-de-Açúcar.
Colheita
A
colheita inicia-se em maio e em algumas unidades sucroalcooleiras em abril,
prolongando-se até novembro, período em que a planta atinge o ponto de
maturação, devendo, sempre que possível, antecipar o fim da safra, por ser um
período bastante chuvoso, que dificulta o transporte de matéria prima e faz
cair o rendimento industrial.
Maturadores
Químicos
São
produtos químicos que tem a propriedade de paralisar o desenvolvimento da cana
induzindo a translocação e o armazenamento dos açúcares. Vêm sendo
utilizados como um instrumento auxiliar no planejamento da colheita e no manejo
varietal. Muitos compostos apresentam, ainda, ação dessecante, favorecendo a
queima e diminuindo, portanto, as impurezas vegetais. Há uma ação inibidora
do florescimento, em alguns casos, viabilizando a utilização de variedades com
este comportamento.
Dentre
os produtos comerciais utilizados como maturadores, podemos citar: Ethepon,
Polaris, Paraquat, Diquat, Glifosato e Moddus. Estudos sobre a época de
aplicação e dosagens vêm sendo conduzidos com o objetivo de aperfeiçoar a
metodologia de manejo desses produtos, que podem representar acréscimos
superiores a 10% no teor de sacarose.
Determinação
do Estágio de Maturação
O
ponto de maturação pode ser determinado pelo refratômetro de campo e
complementado pela análise de laboratório. Com a adoção do sistema de
pagamento pelo teor de sacarose, há necessidade de o produtor conciliar alta
produtividade agrícola com elevado teor de sacarose na época da colheita.
O
refratômetro fornece diretamente a porcentagem de sólidos solúveis do caldo
(Brix). O Brix esta estreitamente correlacionado ao teor de sacarose da cana.
A
maturação ocorre da base para o ápice do colmo. A cana imatura apresenta
valores bastante distintos nesses seguimentos, os quais vão se aproximando no
processo de maturação. Assim, o critério mais racional de estimar a
maturação pelo refratômetro de campo é pelo índice de maturação (IM), que
fornece o quociente da relação.
IM=Brix
da ponta do colmo
Brix da base do colmo
Admitem-se
para a cana-de-açúcar, os seguintes estágios de maturação:
|
IM |
Estágio
de Maturação |
|
< 0,60
0,60 - 0,85
0,85 - 1,00
> 1,00 |
cana verde
cana em
maturação
cana madura
cana em
declínio de maturação |
As
determinações tecnológicas em laboratório (brix, pol, açúcares redutores e
pureza) fornecem dados mais precisos da maturação, sendo, a rigor, uma
confirmação do refratômetro de campo.
Operação
de Corte (manual e/ou mecanizada)
O
corte pode ser manual, com um rendimento médio de 5 a 6 toneladas/homem/dia, ou
mecanicamente, através de colheitadeiras. Existem basicamente dois tipos:
colheitadeira para cana inteira, com rendimento operacional médio em
condições normais de 20 t/hora, e colheitadeiras para cana picada
(automotrizes), com rendimento de 15 a 20 t/hora.
Após
o corte, a cana-de-açúcar deve ser transportada o mais rápido possível ao
setor industrial, por meio de caminhão ou carreta tracionada por trator.
Rendimento
Agrícola
Em
relação à produtividade e região de plantio, observamos que a produtividade
está estritamente relacionada com o ambiente de produção, e este é dado por
padrão do solo, clima e nível tecnológico aplicado.
Produção
de Mudas
Após,
em média, quatro ou cinco cortes consecutivos, a lavoura canavieira precisa ser
renovada. A taxa de renovação está ao redor de 15 a 20% da área total
cultivada, exigindo grandes quantidades de mudas. A boa qualidade das mudas é o
fator de produção de mais baixo custo e que maior retorno econômico
proporciona ao agricultor, principalmente quando produzida por ele próprio.
Para
a produção de mudas, há necessidade de que o material básico seja de boa
procedência, com idade de 10 a 12 meses, sadio, proveniente de cana-planta ou
primeira soca e que tenha sido submetido ao tratamento térmico.
A
tecnologia empregada na produção de mudas é praticamente a mesma dispensada
à lavoura comercial, apenas com a introdução de algumas técnicas
fitossanitárias, tais como:
-
Desinfecção do podão - o podão utilizado na colheita de mudas e no
seu corte em toletes, quando contaminado, é um violento propagador da
escaldadura e do raquitismo. Antes e durantes estas operações deve-se
desinfetar o podão, através de álcool, formol, lisol, cresol ou fogo. Uma
desinfecção prática, eficiente e econômica é feita pela imersão do
instrumento numa solução com creolina a 10% (18 litros de água + 2 litros de
creolina) durante meia hora, antes do início da colheita das mudas e do corte
das mesmas em toletes.
Durante
essas duas operações, deve-se mergulhar, freqüente e rapidamente, o podão na
solução.
-
Vigilância sanitária e "roguing" - formando o viveiro,
torna-se imprescindível a realização de inspeções sanitárias freqüentes,
no mínimo uma vez por mês. A finalidade dessas inspeções é a erradicação
de toda touceira que exiba sintoma patológico ou características diferentes da
variedade em cultivo.
Além
dessas duas medidas fitossanitárias, algumas recomendações agronômicas devem
ser levadas em consideração, como a despalha manual das mudas, menor densidade
das mudas dentro do sulco e maior parcelamento do fertilizante nitrogenado.
-
Rotação de culturas - durante a reforma do canavial, no período em que o
terreno permanece ocioso, deve-se efetuar o plantio de culturas de ciclo curto,
em rotação com a cana-de-açúcar. Amendoim e soja são as mais indicadas.
Além
dos conhecidos benefícios agronômicos proporcionados pela rotação de
culturas, a cana-de-açúcar permite a consorciação com outra cultura,
aproveitando o terreno numa época em que estaria ocioso, proporcionando melhor
aproveitamento de máquinas e implementos. A implantação da cultura é feita
sem gasto financeiro correspondente ao preparo do solo, havendo menor
exposição do terreno à erosão e às ervas daninhas e diminuição da
sazonalidade de empregos.
Referências
Bibliográficas
Cooperativa
Central dos Produtores de açúcar e Álcool do Estado de São Paulo
Escola
Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"
Fundação
Instituto Agronômico do Paraná
Junho,
J. A. C. Normas técnicas para produção de mudas selecionadas de
cana-de-açúcar
Landell,
M. G. A. Cultura da cana-de-açúcar - tecnologia para o pequeno produtor
Raij,
B. et al. Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo
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