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Agrobyte - Ambiente
Água
- é preciso preservar para não faltar
Quando
se trata de problemas de água, nunca se imaginou a possibilidade de ter que
enfrentá-lo tão cedo e da forma como esta se apresentando. Normalmente, quando
se pensa em falta de água, imagina-se prioritariamente sua escassez para o
consumo, o que realmente, para as condições do centro-sul do Brasil e
principalmente do interior de São Paulo, fica difícil de imaginar. Afinal é
só abrirmos a torneira que ali esta a água relativamente limpa, abundante e teoricamente
própria para consumo. Se a torneira secar, visualiza-se a existência de uma
infinidade de rios, poços, lagos,lagoas, cuja água, se a fervêssemos, ainda
poderíamos consumir em caso de extrema necessidade. Isso nos dá uma falsa
idéia de abundância e uma dificuldade de imaginar que realmente a água possa
faltar.
Mas
a realidade não é esta, se lembrarmos que a água doce disponível representa
menos de 1% do total da água do planeta; que cerca de 1/3 da população
mundial já sofre pela escassez deste recurso natural e que os níveis de
poluição da maioria de nossos rios, lagos e lagoas não permitem o consumo de
suas águas.
Por
outro lado, desconsiderando estimativas e suposições, que muitos podem julgar
pessimistas e falso-alarmistas, estamos muito próximos de uma dura realidade,
que é a possibilidade de racionamento de energia elétrica, que no Brasil
provém, quase que em sua totalidade, da água. Estamos sentindo, muito proximamente,
a possibilidade de apagões, pagamento de multas caso não haja redução de
consumo, ou ainda, menos drástica, a concessão de descontos para quem
economizar energia. Nota-se grande preocupação do setor produtivo, ameaça de
grandes indústrias deixarem o país, criação de empregos ameaçada, queda
acentuada nos indicadores econômicos e uma infinidade de situações caóticas
que podem advir da falta de energia elétrica.
Os
menos preocupados ou mais otimistas podem pensar que nada realmente negativo
irá ocorrer, e os mais omissos que nada poderiam ter feito efetivamente para
atenuar ou mesmo evitar os possíveis problemas de falta de água e conseqüentemente
de energia. Porém, felizmente, a grande maioria da população nestes momentos
de dificuldades parte para uma reflexão sobre o que poderia ter feito ou pode
ainda fazer para que os problemas não se agravem ainda mais.
O
que fazer
Há
uma série de medidas a serem tomadas em todos os seguimentos da sociedade, a
curto, médio e longo prazos, para que se preserve a água tanto em termos
quantitativos quanto qualitativos.
À
população em geral, neste momento de alerta, cabe a função de poupar água e
energia elétrica, disponibilizando para isso todos recursos existentes. Ao
setor público, cabe aumentar a fiscalização para que nossas leis ambientais,
que estão entre as melhores do mundo, sejam cumpridas. Mas não basta aplicar
apenas a parte punitiva. É igualmente obrigação dos três níveis de governo
aplicar a parte educativa, para que toda a população tome conhecimento da
importância da preservação do meio ambiente. Cabe também ao poder publico,
principalmente aos executivos municipais, cumprir as exigências que lhes são
impostas pela legislação no que diz respeito ao tratamento de esgoto
doméstico, um dos principais responsáveis pela poluição de nossos cursos
d'água. Mas a grande responsabilidade e o maior interesse recai sobre os
produtores e empresários rurais, pois sem água de qualidade não há lavoura
nem criação. Sem água não há energia elétrica e sem energia não se irriga
a plantação. Mas irrigar com o que, se não há água?
Nós,
que atuamos diretamente nas áreas rurais temos a obrigação e a
responsabilidade de preservar nossas fontes de água em qualidade e em
quantidade. Quantas nascentes que conhecíamos e hoje já secaram? Quantos rios,
antes fundos e largos, que após continuo processo de assoreamento hoje se
resumem a pequenos filetes de água? Tudo isso, associado aos baixos índices
pluviométricos registrados nos últimos anos e agravado na última estação
chuvosa, conduziu a esta situação de iminente racionamento de energia.
Ações
no campo
Existem
várias formas práticas e efetivas de atuação para executarmos a
preservação e a recuperação de nossas fontes de água, das quais podemos
destacar as descritas a seguir:
Plantio
direto - com a utilização da técnica do plantio direto na palha reduz-se
consideravelmente a quantidade de solo arrastada pelas chuvas e que
inevitavelmente irá se depositar nos rios e lagos, causando seu assoreamento e
prejudicando a qualidade da água pela dispersão de
partículas sólidas na mesma. Para citar um exemplo prático: a vida útil da
usina de Itaipu estava estimada em 25 a 30 anos, sem a utilização de sistemas
conservacionistas. Com a implantação do plantio direto em aproximadamente 60%
da bacia hidrográfica que forma o lago de Itaipu, a expectativa de vida útil
das barragens e turbinas da usina passou para 65 a 70 anos, devido
principalmente à melhoria da qualidade da água pela redução acentuada de
partículas sólidas dispersas na água do lago, o que reduziu o desgaste das
turbinas e a corrosão das paredes das barragens. O desafio da usina é a
implantação do plantio direto em 100% da área de sua bacia hidrográfica.
Proteção
e recomposição das áreas de preservação permanentes (APP) - entre as
APPs que por lei devem ser preservadas, estão as margens de rios, lagos, lagoas
e represas, conhecidas como matas ciliares, que, conforme a largura do rio ou a
área das lagoas ou represas, devem ter uma determinada largura. Devemos
preservar também as nascentes e olhos d'água, mesmo que intermitentes, ou
seja, que sequem por algum período do ano, deixando um raio de 50 metros de
mata em volta dos mesmos. Deve-se ressaltar ainda que as usinas hidrelétricas
cabe também a responsabilidade da recomposição das matas ciliares ao redor
dos lagos formados pelos seus reservatórios. Neste caso a largura da mata
ciliar deve ser de 100 metros.
Utilização
de técnicas de conservação de solo - sendo o solo o maior patrimônio da
empresa rural, é inadmissível que se pense na realização de um cultivo, que
é a execução do negócio agropecuário, qualquer que seja, sem a utilização
de técnicas básicas que promovam a conservação do solo como: plantio em
nível, terraceamento, cultivo mínimo, etc, que também reduzem as perdas de
solo, com a conseqüente preservação da qualidade e da quantidade dos cursos
d'água e das reservas hídricas existentes. Outro cuidado que devemos ter é
quanto à correta destinação dos resíduos de agroquimicos e de suas
embalagens (que hoje possui lei exclusiva que trata do assunto), para que estes
não venham a contaminar os cursos de água ou, ainda mais gravemente, o lençol
freático.
Ao
longo do desenvolvimento do planeta, para que a vida chegasse ao que conhecemos
hoje, passaram-se bilhões de anos e a evolução nunca concedeu uma segunda
chance a nenhuma espécie, que inconscientemente desaparecia. Momentos delicados
como o que estamos presenciando, quando sentimos ameaçado no mínimo o nosso
conforto, são propícios para reavaliarmos nossa relação com o meio ambiente
e a natureza. Não seria o momento de preservar o que ainda resta e, na medida
do possível, recuperar o que foi degradado, para que não cheguemos ao ponto de
perceber que também a espécie humana não terá uma segunda chance no processo
evolutivo deste planeta?
Seriamos
simplesmente mais uma espécie a desaparecer, com diferença agravante de sermos
a primeira espécie a perecer conscientemente.
Matéria
elaborada por Evandro Nei Oliver - Eng. Agrº e de segurança no trabalho, pós
graduando no curso de Tecnologia e Gestão Ambiental.

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