3.7- Estande
O estande vem a ser o número de plantas existentes
por metro quadrado.
Em São Paulo é uma das principais causas da baixa
produtividade do milho, já que ao invés de 5 plantas por metro linear, temos
em média apenas 3 plantas por metro linear. Isso que dizer que em uma lavoura
de 20 alqueires temos 8 alqueires vazios.
Depois de emergência das plantas, caso o plantio não
foi bem feito podem ocorrer duas situações:
1º) Excesso de plantas na linha: nesse caso o
desbaste é economicamente inviável. Deve ser feita a gradagem e novo plantio.
2º) Falta de plantas na linha: nesse caso pode ser
feito o replante com plantadeira manual até o 7º dia da emergência das
plantas.
Alguns cultivares aceitam, hoje, populações de mais
de 50.000 plantas por ha, para ter o número ideal de plantas na colheita é
preciso considerar que as perdas normais de plantas variam de acordo com o número
existente desde a emergência. Assim temos que considerar que haverá uma perda
de 10% até 50.000 plantas, de 12% de 50 a 60.000 plantas e de 15% em população
acima de 60.000 plantas por hectare.
É preciso considerar também que em populações
acima de 50.000 plantas por hectare, haverá aumento da necessidade de água e
de nutrientes, principalmente de N e P.
4 - CALAGEM E ADUBAÇÃO
O milho é uma das culturas que mais responde à
calagem e adubação. essas duas práticas culturais são portanto importantes
quando se deseja alcançar boa produtividade.
4.1- Calagem
Aplicar calcário para elevar a saturação por bases
a 70% e o magnésio a um teor mínimo de 5mmolc/dm³. Em solos com teores de matéria
orgânica acima de 100g/dm³, basta elevar a saturação por bases a 50%.
É muito importante a escolha de um bom corretivo e
nessa escolha devem ser observados os seguintes aspectos:
- poder relativo de neutralização total (PRNT)
- preço da tonelada
- relação cálcio/magnésio.
É necessário que na compra do calcário se calcule o
preço real do corretivo em função do PRNT.
Exemplo:
Calcário A: Preço na fazenda - R$ 80,00 a ton(PRNT=80%)
Calcário B: Preço na fazenda - R$ 70,00 a ton(PRNT=60%)
Preço efetivo por ton = Preço na fazenda x
100
PRNT %
Peço efetivo por ton = R$ 80,00 x 100 =
R$100,00
do calcário A. 80
Preço efetivo por ton = R$ 70,00 x 100 = R$
117,00
do calcário B. 60
Neste exemplo o calcário A é mais econômico que o
calcário B.
Quanto mais fino for o calcário, mais rápida será
sua reação no solo, pois a superfície de contato do solo com o calcário é
bastante aumentada.
A calagem, de uma maneira geral, tem um efeito
residual que varia de 3 a 5 anos.
4.2- Adubação mineral do milho - Os dados fornecidos
pela Seção de Fertilidade do solo do IAC são as seguintes:
4.2.1- Adubação mineral para o plantio de milho grão:
Aplicar de acordo com a análise de solo e a meta de
produtividade, conforme a seguinte tabela:
|
Produtividade
Esperada
(t/ha) |
Nitrogênio
N,
kg/ha |
P
resina, mg/dm³
_______________
0-6
7-15 16-40 >40 |
K
trocável, mmolc/dm³
_________________________
0-0,7
0,8-1,5 1,6-3,0 >30 |
|
P2O5,
kg/ha |
K2=kg/ha(2)............. |
|
2
- 4 |
10 |
60 |
40 |
30 |
20 |
50 |
40 |
30 |
0 |
|
4 - 6 |
20 |
80 |
60 |
40 |
30 |
50 |
50 |
40 |
20 |
|
6 - 8 |
20
|
90 |
70 |
50 |
30 |
50 |
50 |
50 |
30 |
|
8 - 10 |
30
|
(1) |
90 |
60 |
40 |
50 |
50 |
50 |
40 |
|
10 - 12 |
30
|
(1) |
100 |
70 |
50 |
50 |
50 |
50 |
50 |
(1) É improvável a obtenção de altas
produtividades de milho em solos com teores muito baixos de P, independentemente
da dose de adubo empregada.
(2) Para evitar excesso de sais no sulco de plantio, a
adubação potássica para doses maiores que 50kg/ha de K2O está parcelada,
prevendo-se a aplicação em cobertura.
Aplicar 20 kg/ha de S para metas de produtividade até
6t/ha de grãos e 40kg/ha de S para produtividade maiores.
Aplicar 4 kg/ha de Zn em solos com teores de Zn (DTPA)
no solo inferiores a 0,7 mg/dm3 de Zn quando os teores estiverem de 0,7 a 1,5
mg/dm³.
Os adubos devem ser aplicados no sulco de plantio, 5cm
ao lado e abaixo das sementes.
4.2.2- Adubação de cobertura para a produção de
milho grão
A adubação de cobertura deve ser aplicada levando em
conta a classe de resposta esperada a nitrogênio, o teor de potássio no solo e
a meta de produtividade, de acordo com a seguinte tabela:
|
Meta
de Produtividade (t/ha) |
Classe
de resposta a nitrogênio
-------------------------------------------
1-alta
2-média 3-baixa |
K
trocável, mmolc/dm³
---------------------------------
0-0,7
0,8-1,5 1,6-3,0 |
|
N,
kg/ha |
K2=,kg/ha(2)............ |
| 2 - 4 |
40
20 10 |
- |
- |
- |
| 4 - 6 |
60
40 20 |
20 |
- |
- |
| 6 - 8 |
100
70 40 |
60 |
- |
- |
| 8 - 10 |
120
90 50 |
90 (1) |
60 |
20 |
| 10 - 12 |
140
110 70 |
110 (1) |
80 (1) |
40 |
(1) Em solos argilosos, o K aplicado em cobertura pode
não ser eficiente. Assim, principalmente nesses solos, quando os teores de K
forem muito baixos ou baixos (<1,5 mmolc/dm³) e as doses recomendadas em
cobertura, iguais ou superiores a 80kg/ha de K2O, é aconselhável transferir a
adubação potássica de cobertura para a fase de pré-plantio, aplicando o
fertilizante a lanço e incorporando-o ao solo. Nesse caso, acrescentar mais
20kg/ha de K2O à dose recomendada.
As classes de resposta esperada a nitrogênio têm o
seguinte significado:
1. - Alta resposta esperada: solos corrigidos, com
muitos anos de plantio contínuo de milho ou outras culturas não-leguminosas;
primeiros anos de plantio direto; solos arenosos sujeitos a altas perdas por
lixiviação.
2. -Média resposta esperada: solos muito ácidos, que
serão corrigidos; ou com plantio anterior esporádico de leguminosas; solo em
repouso por um ano; ou uso de quantidades moderadas de adubos orgânicos.
3. - Baixa resposta esperada: solo em
repouso por dois
ou mais anos, ou cultivo de milho após pastagem (exceto em solos arenosos);
cultivo intenso de leguminosas ou plantio de adubos verdes antes do milho; uso
constante de quantidades elevadas de adubos orgânicos.
Aplicar o nitrogênio ao lado das plantas, 30 dias após
a germinação, em quantidades até 80kg/ha. Aplicar o restante 20 a 30 dias
depois. Aplicar o potássio juntamente com a primeira cobertura de nitrogênio.
Em áreas irrigadas o N pode ser parcelado em 3 ou
mais vezes, até o florescimento, e aplicado com a água de irrigação.
As doses de N podem ser reduzidas em condições climáticas
desfavoráveis, baixo estand ou em lavouras com grande crescimento vegetativo.
Milho safrinha: cultivado sem irrigação e com
produtividade esperada até 4t/ha, pode não responder à adubação em
cobertura devido à insuficiência de chuva. Assim, recomenda-se aumentar a
adubação nitrogenada de plantio para 30kg/ha de N, subtraindo-se o que foi
colocado a mais no plantio, da adubação de cobertura.
4.2.3- Adubação mineral para a produção de milho
silagem:
As recomendações para milho silagem são as mesmas
adotadas para a produção de grãos.
As metas de produtividade correspondentes à produção
de grãos são:
_______________________________
Grãos Matéria seca Matéria fresca
da parte aérea da parte aérea
_______________________________
(t/ha)
2-4 4-8 20-60
4-6 8-12 40-60
6-8 12-16 60-80
8-10 16-20 80-100
_______________________________
Devido à colheita de toda a parte aérea da planta, o
milho para silagem remove grandes quantidades de nutrientes do terreno,
principalmente de potássio. Assim, cuidados especiais devem ser tomados para
garantir um adequado suprimento desse nutriente para a cultura que o seguir.
Recomenda-se uma nova análise do solo após a colheita do milho, a fim de
melhor dimensionar a adubação para a cultura subseqüente
4.2.4- Adubação mineral de plantio para a produção
de milho verde e milho doce:
Aplicar de acordo com a análise de solo e a meta de
produtividade, conforme a seguinte tabela:
|
Meta
de Produtividade
(t/ha) |
Nitrogênio
N,
kg/ha |
P
resina, mg/dm³
---------------------------
0-6
7-15 16-20 >40 |
K
trocável, mmol1c/dm³ |
|
P2=5,
kg/ha |
K2=,
kg/ha(2)....... |
| 4 - 8 |
10 |
80 |
60 |
40 |
20 |
50 |
50 |
40 |
0 |
| 8 - 12 |
20 |
100 |
80 |
40 |
30 |
50 |
50 |
50 |
20 |
| 12 - 16 |
20 |
110 |
90 |
50 |
30 |
50 |
50 |
50 |
40 |
| 16 - 20 |
30 |
(1) |
100 |
60 |
40 |
50 |
50 |
50 |
50 |
| 20 - 24 |
30 |
(1) |
110 |
70 |
50 |
50 |
50 |
50 |
50 |
(1) É improvável a obtenção de altas
produtividades de milho em solos com teores muito baixos de P, independentemente
da dose de adubo empregada.
(2) Para evitar excesso de sais no sulco de plantio, a
adubação potássica para doses maiores que 50kg/ha de K2O está parcelada,
prevendo-se a aplicação em cobertura.
Aplicar 20kg/ha de S para metas de produtividade até
12t/ha de grãos e 40kg/ha de S para produtividade maiores.
Aplicar 4kg/ha de Zn em solos com teores de Zn (DPTA)
no solo inferiores a 0,7mg/dm³ e 2kg/ha de Zn quando os teores estiverem de 0,7
a 1,5mg/dm³.
Os adubos devem ser aplicados no sulco de plantio, 5cm
ao lado e abaixo das sementes.
4.2.5- Adubação mineral de cobertura para a produção
de milho verde e milho doce
Adubação de cobertura deve ser aplicada levando em
conta a classe de resposta esperada a nitrogênio, o teor de potássio no solo e
a meta de produtividade, de acordo com a seguinte tabela:
|
Meta
de Produtividade (t/ha) |
Classe
de resposta a nitrogênio
-----------------------------------------
1-alta
2-média 3-baixa |
K
trocável, mmol c/dm³
-------------------------------
0-0,7
0,8-1,5 1,6-3,0 |
|
N, kg/ha |
K2=
,kg/ha (2) |
| 4-8 |
50
30 20 |
20 |
- |
- |
| 8-12 |
70
50 20 |
40 |
20 |
- |
| 12-16 |
120
90 40 |
60 |
30 |
- |
| 16-20 |
140
100 50 |
100 (1) |
80 |
40 |
| 20-24 |
160
120 70 |
120 (1) |
100 (1) |
60 |
(1) Em solos argilosos, o K aplicado em cobertura pode
não ser eficiente. Assim, principalmente nesses solos, quando os teores de K
forem muito baixos ou baixos (<1,5mmolc/dm³) e as doses recomendadas em
cobertura, iguais ou superiores a 80kg/ha de K2=, é aconselhável transferir a
adubação potássica de cobertura para a fase de pré-plantio, aplicando o
fertilizante a lanço e incorporando-o ao solo. Nesse caso, acrescentar mais
20kg/ha de K2O à dose recomendada.
As classes de resposta esperada a nitrogênio têm o
seguinte significado:
1. - Alta resposta esperada: solos corrigidos, com
muitos anos de plantio contínuo de milho ou outras culturas não-leguminosas;
primeiros anos de plantio direto; solos arenosos sujeitos a altas perdas por
lixiviação.
2. -Média resposta esperada: solos muito ácidos, que
serão corrigidos; ou com plantio anterior esporádico de leguminosas; solo em
pousio por um ano; ou uso de quantidades moderadas de adubos orgânicos.
3. - Baixa resposta esperada: solo em pousio por dois
ou mais anos, ou cultivo de milho após pastagem (exceto em solos arenosos);
cultivo intenso de leguminosas ou plantio de adubos verdes antes do milho; uso
constante de quantidades elevadas de adubos orgânicos.
Aplicar o nitrogênio ao lado das plantas, 25 a 30
dias após a germinação, em quantidades até 80kg/ha. Aplicar o restante 20 a
30 dias depois. Aplicar o potássio juntamente com a primeira cobertura de
nitrogênio.
Em áreas irrigadas o N pode ser parcelado em 3 ou
mais vezes, até o florescimento, e aplicado com a água de irrigação.
As doses de N podem ser reduzidas em condições climáticas
desfavoráveis, baixo estande ou em lavouras com grande crescimento vegetativo.
5 - ROTAÇÃO DE CULTURA E ADUBAÇÃO VERDE
A rotação de cultura com uma leguminosa (soja,
amendoim) e uma gramínea (no caso, o milho) é uma das práticas mais efetivas
para se obter altas produções, tanto de milho quanto de leguminosa.
A rotação reduz o nível de pragas e doenças e
melhora as condições físicas do solo para a cultura seguinte. No caso do
milho a rotação com soja permite economia de nitrogênio.
Outras culturas, que não leguminosas, apresentam também
bons resultados de rotação, como o algodão, a mamona etc.
Recentemente, tem-se observado, em algumas regiões, o
aparecimento de nematóides trazendo prejuízos consideráveis. Nesse caso a
rotação de cultura é obrigatória para reduzir os níveis de infestação. Além
disso, tem-se tornado comum nessas regiões, a utilização de adubação verde,
como a mucuna preta, para se reduzir os níveis de infestação.
Esses adubos verdes são plantados logo após a
colheita do milho (março) crescem durante o inverno, e são incorporados em
Agosto/setembro, no momento do preparo do solo para plantio.
6 - ESCOLHA DO CULTIVAR
A escolha do cultivar a ser plantado é uma tarefa difícil
para o agricultor já que existem cerca de 130 cultivares recomendados para o
Estado de São Paulo.
Existem hoje no mercado cultivares recomendados para
baixa, média e alta tecnologia, cultivares específicos para silagem,
cultivares para milho verde e de ciclos diferentes.
A recomendação nesse caso é que os agricultores
procurem as Casas da Agricultura, já que a CATI, com o IAC, com as firmas
produtoras de sementes e com os próprios agricultores vem fazendo um trabalho,
chamado teste regional, que nada mais é do que o estudo do comportamento dos
principais cultivares nas diversas regiões do estado.
7 - TRATOS CULTURAIS
Havendo condições favoráveis de umidade e
temperatura no solo, as sementes germinarão, em média, cinco dias após a
semeadura. Depois da germinação, há necessidade de controlar o
desenvolvimento de ervas daninhas que aparecem junto a cultura.
Ao contrário do que muita gente pensa, o mato
prejudica muito o milho, isso porque o milho é uma planta adaptada e o mato está
em seu habitat natural.
O quadro, a seguir, mostra o que aconteceu com a produção
do milho, na mesma lavoura, quando atrasou-se, de propósito, a capina para
mostrar as perdas ocasionadas pelo mato.
Demonstrativo das perdas ocasionadas pelo mato
__________________________________________
Produção Prejuízo
Tratamento realizado (sacos/alqueire)
__________________________________________
Milho com herbicida pré-emergente com poder
residual de 50 a 60 dias 260 zero
Fazendo o cultivo mecânico após 30 dias 182 30%
Fazendo o cultivo mecânico após 50 dias 73 72%
Sem fazer cultivo nenhum 39 85%
__________________________________________
FONTE: CNPMS-Embrapa - Sete Lagoas-MG
Caso o terreno tenha sido bem preparado e o sulco de
semeadura feito de acordo com a recomendação já descrita, os cultivos,
visando principalmente ao controle de ervas más, poderão ser executados,
empregando-se o planet de cinco enxadinhas ou gradinha de dentes, que são
equipamentos simples e baratos e altamente eficientes, quando corretamente
usados.
Em culturas mais extensas e altamente tecnificadas,
cultivadores de tração motora são usados com muito bom resultado, mas exigem
operador muito prático e habilidoso.
Os cultivadores de tração motora devem ser muito bem
regulados e exigem que a semeadura tenha sido executada com muita exatidão,
visando ao emprego desse tipo de equipamento no controle de ervas daninhas.
Os cultivos devem ser iniciados logo que as ervas
daninhas nasçam, tendo o cuidado de não deixá-las desenvolver. Elas concorrerão
com as plantinhas de milho em água e nutrientes e se crescerem demais o seu
controle torna-se difícil, sem causar danos à cultura de milho. Normalmente,
depende da infestação de ervas daninhas no terreno, dois ou três cultivos são
suficientes, para manter a cultura no limpo até os 35-40 dias (época da adubação
nitrogenada aplicada em cobertura).
Nesse primeiro período de desenvolvimento das
plantas, a cultura não pode sofrer concorrência do "mato", o que é
muito prejudicial á produção. Passada essa fase, quase sempre, o mato não
tem mais condições de concorrer com as plantas de milho, devido ao seu rápido
desenvolvimento e conseqüente sombreamento do solo, criando condições desfavoráveis
para as ervas daninhas.
A importância da semeadura feita em sulco largo e
profundo ressalta agora, principalmente, no primeiro cultivo, pois os cultivares
recomendados, além de destruírem as ervas daninhas nas entrelinhas, provocam o
retorno de uma certa quantidade de terra ao sulco original, "abafando"
a sementeira que vem desenvolvendo junto da planta de milho. Essa operação
evita o uso da enxada para capinas junto às plantas, o que é altamente
vantajoso.
Atualmente começa a se difundir a prática do cultivo
químico. Vários produtos têm eficiência comprovada na eliminação dos
tratos mecânicos, durante cerca de 40 a 50 dias após a emergência das
plantas. Esse é justamente o período crítico de concorrência das ervas
daninhas com o milho. Nos herbicidas pré-emergência é importante que o solo
apresente boas condições de umidade.
O custo de aplicação de herbicidas representa
aproximadamente 400kg de milho por hectare tratado. O controle químico das
plantas daninhas na cultura do milho, só deve ser adotado se a produtividade
for igual ou superior a 3.000kg/ha. Abaixo desse nível, a aplicação é
anti-econômica, e só é justificada pelo tamanho da lavoura; 100ha ou mais.
8 - PRAGAS DO MILHO
8.1- Principais pragas do milho no campo e seu
controle
8.1.1- Lagarta-elasmo - Elasmopalpus lignosellus
( Zeller, 1848) - Lepidoptera - Pyralidae
A lagarta-elasmo vem tornando-se, juntamente com a
lagarta-do-cartucho, uma das principais pragas da cultura do milho em condições
de campo. Tem sido observado que esta praga ocorre com maior freqüência em
solos arenosos e em períodos secos após as primeiras chuvas. Também tem sido
problemática para as culturas em solos sob vegetação de cerrado, sobretudo no
primeiro ano de cultivo.
A forma adulta da lagarta-elasmo é uma pequena
mariposa, medindo cerca de 20mm de envergadura, apresentando coloração
cinza-amarelada. A postura é feita nas folhas, bainhas ou hastes das plantas
hospedeiras, onde ocorre a eclosão das larvas, num período variável, de
acordo com as condições climáticas. A larva, inicialmente, alimenta-se das
folhas, descendo em seguida para o solo e penetrando na planta à altura do
colo, no qual faz uma galeria ascendente que termina destruindo o ponto de
crescimento da planta.
As lagartas completamente desenvolvidas medem cerca de
15mm de comprimento e têm coloração verde-azulada com estrias transversais
marrons, purpúreas e pardo-escuras. Findo o período larval, em média de 21
dias, as larvas transformam-se em crisálidas, próximo à haste da planta ou
nas proximidades desta no solo e, após 8 dias, aproximadamente, emergem os
adultos.
a. Identificação no campo
Os maiores prejuízos para a cultura do milho são
causados nos primeiros 30 dias após a germinação. Portanto, para as
identificar a presença da lagarta-elasmo no campo, deve-se proceder um
levantamento, considerando aquele período de tempo.
Devido ao ataque, ocorre primeiramente a morte das
folhas centrais, cujo sintoma é denominado "coração morto". Sendo
puxadas com a mão, as folhas secas do centro destacam-se com facilidade.
Posteriormente ocorre o perfilhamento ou a morte da planta. uma folha enrolada,
atacada por elasmo, quando chega a abrir-se apresenta, orifícios bem redondos
dispostos em linha reta.
Junto ao orifício de entrada encontra-se um tubo
construído pela lagarta, com teia, terra e detritos vegetais, dentro do qual
ela se abriga. Uma característica marcante desta praga é que as larvas são
bastante ativas e saltam quando tocadas.
b. Controle
Os melhores resultados para o controle da lagarta
elasmo são obtidos com a utilização de inseticidas sistêmicos aplicados
preventivamente no solo, por ocasião do plantio. este tipo de controle é
recomendado porém, somente em regiões onde tradicionalmente ocorre praga. Em
locais onde a ocorrência é esporádica, recomenda-se uma pulverização,
dirigindo-se o jato da calda inseticida para a região do colo da planta. Para
esta aplicação, podem-se utilizar produtos à base de Carbaryl (1,7kg p.a./ha,
Malathion (0,75 litros p.a./ha) ou Trichlorphon (1kg p.a./ha ou Cloropirifos
(0,3 litros p.a/ha).
8.1.2- Lagarta-rosca - Agrotis app.
Lepidoptera-Noctuidae
Várias espécies de lagarta-rosca atacam a cultura de
milho, porém a espécie A. ipsilon tem sido a mais comum. As plantas
atacadas por lagarta-rosca são totalmente improdutivas. Tem sido observado que
a cada ano agrícola aumenta a infestação de lagarta-rosca em áreas
cultivadas com milho. Como são várias as espécies envolvidas, sendo o
controle químico difícil, pode-se considerar este grupo de pragas como séria
ameaça ao bom "estande" na cultura do milho.
O adulto é uma mariposa, geralmente de coloração
marrom-escura, com áreas claras no primeiro par de asas e coloração clara com
os bordos escuros, no segundo par. Mede cerca de 35mm de envergadura. As
posturas são feitas na parte aérea da planta e cada fêmea tem um potencial
para colocar, em média, 750 ovos, durante a sua vida. Após a eclosão, as
lagartas dirigem-se para o solo, onde permanecem protegidas durante o dia, só
saindo ao anoitecer para se alimentarem. A larva deste inseto alimenta-se da
haste da planta, provocando o seccionamento da mesma - que pode ser total quando
as plantas estão com uma altura de até 20cm, pois ainda são muito tenras e
finas.
As larvas, quando completamente desenvolvidas, medem
cerca de 40mm, são robustas, cilíndricas, lisas e apresentam coloração varíável,
predominando a cor cinza-escura. A fase larval dura cerca de 25 a 30 dias,
transformando-se na fase pupal no próprio solo, onde permanece pupa por cerca
de 2 a 3 semanas, quando então emergem os adultos.
a. Identificação no campo
O milho, geralmente, só é atacado pela lagarta-rosca
até 50cm de altura. Pode-se identificar o ataque em plantas que apresentam o
colmo seccionado na região do coleto. O ataque de lagarta-rosca provoca três
sintomas diferentes: inicialmente as lagartas provocam seccionamento parcial do
colo e, quando a lesão é grande, surge o chamado "coração morto",
com a conseqüente morte da planta; quando a lesão é pequena surgem manchas
semelhantes às causadas por "deficiências minerais"; a lagarta-rosca
pode também provocar um "perfilhamento", que é indesejável, pois
surgirá uma touceira totalmente improdutiva. Uma larva é capaz de destruir de
4 a 6 plantas. As lagartas abrigam-se no solo em volta das plantas recém-atacadas,
numa faixa lateral de 10cm e numa profundidade de 7cm. Quando tocadas, as
lagartas enrolam-se tomando o aspecto de uma rosca.
Muitas vezes o ataque de A.ipsilon é
confundido com o de E. lignosellus; porém pode ser facilmente
distinguido uma vez que a lagarta-elasmo faz orifício e penetra no colmo,
enquanto que a lagarta-rosca alimenta-se externamente sem penetrar na planta.
b. Controle
Os mesmos produtos recomendados para o controle da
lagarta-elasmo são também eficientes no controle da lagarta-rosca.
8.1.3- Lagarta-do cartucho - Spodoptera frugiperda
(Smith, 1797) - Lepidoptera - Noctuidae
A lagarta-do-cartucho é considerada uma das
principais pragas do milho nas Américas. A larva desse inseto pode atacar em
todos os estádios de crescimento da cultura, assumindo grande importância no México,
América Central e América do Sul.
No México, foi verificada uma redução de 37,7% na
produção de milho devido ao ataque de S. frugiperda.
No Brasil, esta redução variou de 15 a 34%,
dependendo do estádio de crescimento da cultura.
O inseto adulto é uma mariposa medindo cerca de 35mm
de envergadura, e apresentando uma coloração pardo-escura nas asas anteriores,
e branco-acinzentada nas asas posteriores. As posturas são feitas em massa, com
um número médio de 150 ovos. O período de incubação dos ovos é de
aproximadamente 3 dias.
As larvas recém-eclodidas alimentam-se da própria
casca do ovo. Após esta primeira alimentação, permanecem em repouso por um
tempo variável de 2 a 10 horas. Quando encontram hospedeiro adequado, elas começam
a alimentar-se dos tecidos verdes, geralmente começando pelas áreas mais
suculentas, deixando apenas a epiderme membranosa, provocando o sintoma
conhecido como "folhas raspadas". à medida que as larvas crescem,
começam a fazer orifícios nas folhas, podendo destruir completamente as
plantas mais novas; o ataque pode ocorrer desde o estádio de
"seedling" até o da formação das espigas.
A lagarta, completamente desenvolvida, mede cerca de
40mm, e com coloração variável de pardo-escura, verde até quase preta e com
um característico Y invertido na parte frontal da cabeça. O período larval
depende das condições de temperatura, sendo que, nas nossas condições, dura
em torno de 15 dias. Findo este período, a larva geralmente vai para o solo
onde se torna pupa. O período pupal varia de 10 a 12 dias nas épocas mais
quentes do ano.
a. Identificação no campo
Larvas de primeiro instar geralmente consomem o tecido
verde de um lado da folha, deixando intacta a epiderme membranosa do outro lado.
Isto é uma boa indicação da presença de larvas mais jovens na cultura do
milho, uma vez que são poucos os insetos que apresentam hábitos semelhantes e
na área atacada pela lagarta-do-cartucho. A presença da larva no interior do
cartucho da planta pode ser indicada pela quantidade de excrementos ainda
frescos existentes na planta, ou abrindo-se as folhas e observando lagartas com
cabeça escura e um característico Y invertido na parte frontal da cabeça.
b. Controle
A CATI vem fazendo um trabalho de MIP Milho, cuja
praga alvo é a lagarta do cartucho. O controle é feito através de
monitoramento da cultura e a aplicação do produto é feita quando a cultura
apresenta 20% de plantas com o sintoma de "folhas raspadas", que é o
nível de dano econômico da praga. Nessa fase as lagartas estão com 7 a 8mm.
As pulverizações são feitas com jato dirigido utilizando-se principalmente,
os bicos leque 8004 ou 6504.
Foram utilizados os seguintes produtos e dosagens em
excelente resultados:
- Alsystin - 100g/ha - i.a: triflumuron - produto
fisiológico
- Dimilin - 100g/ha - i.a: diflubenzuron - produto
fisiológico
- Fury - 180EW . 50ml/ha - i.a:
zetacipermetrina-produto piretróide
- Karate 50CE-150ml/ha - i.a: Lambdacyhathrin -
produto piretróide
- Decis 25CE-200ml/ha-i.a: deltametrina - produto
piretróide
- Arrivo - 80ml/ha - i.a: cipermetrina - produto
piretróide
8.1.4- Lagarta-da-espiga - Heliothis zea (Bodie, 1850)
- Lepidoptera Noctuidae
A lagarta-da-espiga é considerada uma das mais
importantes pragas de milho nos Estados Unidos, causando mais danos que qualquer
outro inseto. Naquele país, os prejuízos causados por H. zea chegam até
14% em milho doce. No Brasil, já se verificou um redução de 8,38% na produção
do milho IAC Hmd 7974, sendo que 2,09% foram devidos à alimentação nos grãos;
1,99% devidos ao apodrecimento dos grãos, e 4,3% devido à alimentação dos
estilos-estigmas, impedindo a formação dos grãos.
Além do prejuízo direto causado pela
lagarta-da-espiga, seu ataque favorece a infestação de outras pragas
importantes, tais como, o caruncho, Sitophilus zeamais e a traça,
Sitotroga cerealella.
O inseto adulto é uma mariposa com cerca de 40mm de
envergadura; as asas anteriores são de coloração amarelo-pardo, com uma faixa
transversal mais escura, apresentando também manchas escuras dispersas sobre as
asas. As asas posteriores são mais claras, com uma faixa nas bordas externas.
A fêmea fecundada põe os ovos em qualquer parte da
planta, mas de preferência nos "cabelos" (estigmas) da flor feminina,
ou "boneca". Cada fêmea deposita em média 1.000 ovos durante sua
vida. Os ovos são geralmente depositados individualmente, e somente um ou dois
por planta. Após 3-4 dias dá-se a eclosão das larvas que começam a
alimentar-se imediatamente. À medida que elas se desenvolvem, penetram no
interior da espiga e iniciam a destruição dos grãos em formação. A larva
completamente desenvolvida mede cerca de 3,5cm e com coloração variável de um
verde-claro ou rosa para marrom ou quase preta, com partes mais claras. O período
larval varia de 13 a 25 dias, findos os quais as larvas saem da espiga e vão
para o solo para se tornarem pupa. O período pupal requer de 10 a 15 dias.
a. Identificação no campo
O ovo da lagarta-da-espiga mede cerca de 1,0mm de diâmetro,
com a forma hemisférica, apresentando saliências laterais, e podendo ser
visualizado através de um exame minuciosos de "tufo de cabelos", com
uma lupa ou mesmo a olho nu. Após a eclosão, as lagartas penetram nas espigas
deixando um orifício bem visível. Na fase de milho verde, pelo despalhamento,
geralmente se encontra uma lagarta no interior da espiga infestada.
b. Controle
Os dados de pesquisa têm mostrado que a
lagarta-da-espiga não é tão problemática para a cultura do milho, quando
este se destina à produção de grãos. A importância desta praga seria maior
no caso da exploração de milho verde. neste caso, a importância do inseto está
mais relacionada ao aspecto visual da espiga do que propriamente ao aspecto
direto da perda em peso. Esta perda, segundo dados da literatura, foi da ordem
de 8,4% , em experimentos realizados em Jaboticabal - SP.
Além deste aspecto, deve-se considerar ainda a
dificuldade de se fazer um tratamento químico em uma lavoura de milho já
formada, e o problema da carência (período decorrido da aplicação do
inseticida até o consumo do produto) que se deve respeitar. Portanto não se
tem recomendado o controle desta praga com inseticidas. Entretanto, caso seja
necessário o controle, pode-se usar inseticida à base de Carbaryl,
Tricholorphon e Metoxicloro, todos à base de 1,0kg do princípio ativo por
hectare.
8.1.5- Broca-da-cana - Diatraeae saccharalis
O adulto é uma mariposa com as asas anteriores de
coloração amarelo-palha e as posteriores esbranquiçadas, com 25mm de
envergadura.
A fêmea coloca os ovos, que têm forma de escamas de
peixe, nas folhas do milho. Os ovos eclodem em poucos dias após a postura.
As lagartinhas alimenta-se das folhas do milho e
depois penetram no colmo onde se alimentam, formando galerias.Um dos prejuízos
causados pela broca é que através das galerias que fazem no interior do colmo
enfraquecem a planta e a torna bastante suscetível ao tombamento pelo vento.
8.1.6- Curuquerê-dos-capinzais - Mocis latipes
O adulto tem asas de coloração pardo-acinzentado e
mede 40mm de envergadura. os ovos são colocados nas folhas e, ao eclodirem, as
lagartinhas começam a se alimentar da epiderme da folha, geralmente na página
inferior. Quando adultas medem 40mm e são do tipo mede-palmo. Essa lagarta, ao
contrário da Spodoptera, não se localiza no cartucho, mas comem as
folhas da periferia para o centro.
8.1.7- Pulgão - Ropalosiphum maidis
O ,pulgão apresenta coloração verde-azulada e
apresenta-se tanto sob a forma alada quanto áptera e sua reprodução se
processa por partenogênese. Sobre suas dejeções forma-se um fundo negro
(fumagina) que prejudica a fotossíntese. Também são vetores de virose,
principalmente o mosaico. Tanto as formas aladas como as ápteras são constituídas
de fêmeas, sendo que a forma alada dissemina a espécie.
8.1.8- Cigarrinha-das-pastagens - Deois flavopicta
(Stal, 1854) homoptera - Cercopidae
A cigarrinha-das-pastagens, D.flavopicta, se
constitui, hoje, num dos mais importantes problemas fitossanitários para a
agropecuária brasileira. Isto porque, este inseto é uma importante praga das
pastagens, principalmente da braquiária, e, a partir de 1979, esta praga começou
a atacar também lavouras de milho e arroz em Goiás (GO), Mato Grosso do Sul
(MS) e Minas Gerais (MG).
Normalmente ocorrem três picos populacionais de
cigarrinhas, que se sobrepõem de outubro a abril. O primeiro e maior pico
ocorre, geralmente, em novembro; o segundo, em fins de janeiro e início de
fevereiro e o terceiro, em março/abril. São os ovos ovipositados em março/abril
que atravessam o inverno e dão origem ao pico de novembro, que é o mais
severo. O dano nas pastagens é causado pela forma jovem (ninfa) e pelo adulto;
porém, no milho, somente os adultos atacam. Tanto nas pastagens quanto no
milho, a cigarrinha prejudica por sugá-las e injetar uma toxina que bloqueia e
impede a circulação da seiva.
Em novembro de 1981, o problema causado pela
cigarrinha-das-pastagens agravou-se nos Estados de GO, MS e no Triângulo
Mineiro. Isto porque as condições climáticas, umidade e temperatura,
favorecem a antecipação da eclosão das ninfas. O primeiro pico populacional
foi um verdadeiro surto e ocorreu em fins de outubro e se estendeu até
novembro. O ataque foi tão intenso que, após destruir milhares de hectares de
pastagens, elas migraram para culturas de milho e arroz, localizadas próximo às
pastagens e que se encontravam ainda nas primeiras semanas após o plantio.
Segundo levantamentos feitos em novembro/dezembro de
1981, por extensionistas da EMATER-GO, as cigarrinhas atacaram 57% da área
plantada com arroz no Estado de Goiás, o que corresponde a aproximadamente 200
mil ha. Este ataque foi severo suficiente para destruir cerca de 52 mil ha de
lavoura de arroz e reduzir drasticamente a produção do restante atacado.
Em lavouras de milho a situação foi também
alarmante. Calculou-se que 521 mil ha de milho foram atacados pela cigarrinha, e
destes, aproximadamente 70 mil ha foram intensamente atacados e possivelmente
destruídos. O restante atacado teve sua produção reduzida.
Constatou-se que em algumas regiões do Estado do Mato
grosso do Sul o ataque foi intenso, embora não se tenha obtidos dados sobe o número
de hectares atacados. No Triângulo Mineiro e Norte de Minas o ataque foi menos
intenso, porém, grandes lavouras de arroz foram prejudicadas.
As pesquisas com este inseto na cultura do milho estão
agora iniciando-se. Com os dados já disponíveis, embora não se possa
determinar exatamente o nível de controle da praga, deve-se considerar o fato
de que plantas jovens, ou seja, com idades de cerca de 10 dias, são muito sensíveis
ao ataque da cigarrinha, sendo que 2 insetos por planta ocasionam severos danos.
Infestações com 3 cigarrinhas por planta provocam sintomas de ataque dois dias
após a ocorrência. A morte da planta pode ocorrer dois dias após a manifestação
dos sintomas. Plantas mais desenvolvidas (acima de 17 dias) já toleram bem até
níveis altos de infestação.
8.2- Pragas que atacam os grãos armazenados
8.2.1- Traça
É uma mariposa de 5-7mm de comprimento e coloração
amarelo-palha. A fêmea pode pôr cerca de 400 ovos durante a vida, que varia de
5-10 dias. Dos ovos emergem pequenas larvas que penetram nos grãos destruindo o
embrião e o endospoerma. Seu ciclo dura cerca de 30-35 dias.
É uma praga que ataca os grãos da superfície dos
depósitos a granel, mas em paióis ela pode aprofundar-se. Devido à maior
quantidade de espaços vazios existentes na massa armazenada, o milho em espigas
é mais danificado que o milho a granel.
8.2.2- Caruncho - Sitophilus zeamais
São pequenos besouros negros, medindo 3-4mm e com o
bico projetando-se da cabeça. A fêmea consegue viver de 4-5 meses, colocando
em média 180 ovos nesse período.
Os danos no milho são causados pelo adulto e pelas
larvas, que se desenvolvem no interior dos grãos. O orifício de emergência do
adulto apresenta as bordas irregulares ou quebradas, o que diferencia do adulto
de S. cerealella, que é arredondado.
8.2.3- Roedores
Os roedores que atacam o milho são as ratazanas, o
rato comum e o camundongo. essa praga pode destruir dez vezes mais alimento do
que necessita. Além desses prejuízos, esses roedores podem transmitir ao homem
cerca de 35 doenças. A leptospirose, doença que provoca o aborto, comumente diagnosticada
em suínos, encontra na urina dos ratos seu mais freqüente transmissor.
8.3- Controle de pragas dos grãos armazenados
As pragas dos grãos armazenados causam os seguintes
prejuízos:
Redução de peso e valor Comercial: Os insetos
ao se alimentarem do grão consomem e destroem grandes quantidades de material,
concorrendo grandemente para redução no peso. Os danos causados nos grãos
também influenciam o valor comercial do produto.
Redução da Qualidade: Além das perdas
anteriormente mencionadas, as pragas provocam perdas significativas na qualidade
dos grãos. A qualidade é depreciada devido à poluição da massa de grãos
pela presença de ovos, larvas, pupas, adultos e excrementos. Deve-se considerar
que esta poluição persiste nas farinhas.
Perdas no Poder Germinativo: O caruncho e a traça
começam a destruição da semente pela região do embrião. Uma semente
carunchada geralmente não germina, Se germinar, irá dar origem a uma planta
deficiente, incapaz de produzir satisfatoriamente.
No Brasil há duas espécies de carunchos que atacam o
milho, o Sitophilus zeamais e Sitophilus oryzae, sendo esta última
menos comum. Estes carunchos são pequenos besouros castanhos, medindo 3-5mm e
com um bico projetando-se da cabeça. os danos no milho são causados pelos
adultos e pelas formas jovens que se desenvolvem no interior dos grãos,
emergindo quando se transformam em adultos.
8.4- Controle de insetos
No Estado de São Paulo, 70% da produção é
armazenada em palha, na propriedade. Como esse milho é armazenado em péssimas
condições o prejuízo anual é da ordem de 20% em peso. Como a grande parte do
milho é armazenada em palha, a recomendação que segue é para o milho
armazenado nessa condição.
Para que se tenha um bom controle dos insetos é
necessário que se faça:
a) Limpeza e desinfecção dos locais de armazenamento
com os seguintes produtos:
- Quantidade de inseticida e água a serem aplicados,
para a desinfestação dos locais de armazenamento
________________________________________
Aplicação Dosagem Área
Produtos químicos em ___________________ a
Inseticida Água cobrir
________________________________________
deltrametrina-CE 5g/l alvenaria 15ml 1 litro
10m²
(pulverização madeira 5ml 1 litro 5m²
Pirimifos metil-CE alvenaria 10ml 1 litro 10m²
500g/l (pulverização) tábuas 5ml 1 litro 5m²
________________________________________
b) Aplicar 500g do produto deltametrina pó (K'Obiol
2p) por tonelada de milho, o que corresponde a 40 a 50g do produto comercial por
m² em camadas de 25cm de milho em palha. Após 7 dias da aplicação o milho
pode ser consumido por homens ou animais.
8.5- O controle dos roedores
Os melhores métodos de controle desses pequenos
animais nas propriedades é evitar a entrada com a construção ou reforma dos
armazéns com proteção anti-ratos. Outras medidas de controle, tais como a
utilização de gatos, armadilhas, eliminação de lixos e refúgios, ajudam a
diminuir o problema. Porém, é bom saber que a simples presença dos gatos não
significa que já se tem o controle dos ratos.
Aos agricultores que já possuem armazéns em suas
propriedades, a melhor solução é o uso de raticidas. Os raticidas mais
eficientes são os anticoagulantes, de ação lenta, e entre eles o que dão
melhores resultados são aqueles de dose única.
O raticida deve ser aplicado à base de 10 a 25g por
ponto de iscagem, em numerosos pontos, permitindo, assim, que todos os roedores
da colônia tenham acesso a pelo menos 3g da isca. Não há necessidade de
reposição das iscas, e o rato morre no quarto ou quinto dia após ter ingerido
o produto.
Recomendamos colocar as iscas diretamente nas tocas,
nas trilhas ou no local onde os ratos procuram os alimentos.
Deve-se repetir a operação após sete dias para
apanhar os ratos que, por algum motivo, não comeram o raticida.
9 - NEMATÓIDES
Já foram detectados diversos gêneros de nematóides
em milho, que em regiões infestadas e principalmente em plantios tardios tem
causado grandes prejuízos.
A recomendação para o controle dos nematóides seria
a rotação de cultura e o uso de cultivares tolerantes.
10 - DOENÇAS NA CULTURA DO MILHO
Com o advento do milho safrinha aumentou bastante a
importância das doenças na cultura do milho, principalmente das ferrugens que
só sobrevivem em material vivo.
o controle das doenças se faz através da escolha de
cultivares resistentes. Atualmente existem, no mercado, cultivares com resistência
a todas as principais doenças.
10.1- Principais doenças do milho
10.1.1- Ferrugem causada por polysora - Puccinia
polysora.
As pústulas são menores, de cor mais clara e mais
arredondadas do que as produzidas por P. sorghi. Encontram-se, também,
em ambas as faces das folhas, mas a epiderme fica intacta por mais tempo do que
nas folhas atacadas por P. sorghi. As pústulas adquirem uma coloração
marrom-escura á medida que as plantas se aproximam da maturação. Não se
conhece hospedeiro intermediário desse fungo. Essa ferrugem é muito comum em
regiões quentes e úmidas.
10.1.2- Ferrugem comum - Puccinia sorghi
Esta moléstia acha-se amplamente distribuída por
todo o mundo.
A ferrugem comum do milho torna-se mais visível
quando as plantas se aproximam da fase do florescimento. Pode ser reconhecida
pelas pequenas pústulas que aparecem na bainha e na lâmina foliar. As pústulas
têm cor marrom-escuro nos primeiros estágios de infecção; mais tarde,
rompe-se a epiderme e, à medida que a planta amadurece, as lesões adquirem uma
coloração preta. As plantas do hospedeiro intermediário (Oxalis spp)
com frequência são infectadas e apresentam pústulas de cor laranja-clara.
Este é outro estágio do ciclo do fungo (sexual).
10.1.3- Ferrugem tropical - Physopella zeae
Os prejuízos causados por esta ferrugem são esporádicos
e limitados às regiões tropicais quentes e úmidas do continente americano.
As pústulas variam quanto a sua forma, de circulares
a ovais. São pequenas e se encontram debaixo da epiderme. No centro da pústula
lesão é branca a amarela-pálida e logo fica perfurada.
Algumas vezes aparece uma coloração preta ao redor
da pústula, mas seu centro fica com a cor clara característica. Não se
conhece hospedeiro intermediário do fungo.
10.1.4- Mancha da folha causada por Phaeosphaeria - Phaeosphaeria
maydis
Esta moléstia, de reduzida importância, encontra-se
restrita a algumas regiões do Brasil e do Norte da Índia, onde também existe Exerohilium
turcicum. Seu desenvolvimento é favorecido por condições de alta
precipitação pluvial e temperaturas noturnas relativamente baixas.
As lesões aparecem como pequenas áreas de cor
verde-clara, que, mais tarde, ficam cloróticas e morrem, circundadas por
margens de cor marrom-escuro. As manchas nas folhas são circulares ou um pouco
ovais.
10.1.5- Enfezamento do milho - Corn Stunt Disease, CSD
Essa enfermidade foi observada inicialmente na Califórnia, EUA, em
1942. Desde esta época tem sido observada em terras baixas, quentes e úmidas
no México, sul dos EUA e em países da América Central e América do Sul.
Embora originariamente tenha-se informado que essa moléstia era causada pela
"raça Rio Grande" do vírus que causa o enfezamento do milho, hoje o
patógeno foi reidentificação como um micoplasma helicoidal ou Espiroplasma.
As plantas infestadas mostram bandas amplas de cor amarela na base das
folhas mais jovens que pode tornar-se de coloração púrpura-avermelhada na
direção à ponta. Normalmente as plantas sofrem de ananismo ou enfezamento,
devido a redução dos entrenós. As gemas axilares desenvolvem espigas estéreis
e também apresentam uma ramificação excessiva das raízes. em casos severos,
as plantas não produzem espigas ou produzem poucas sementes, e também morrem
prematuramente. A moléstia é transmitida por várias espécies de cigarrinhas
que variam em sua eficiência de transmissão; o vetor mais comum é Dalbulus
maidis (De L. & Wolc.). O patógeno não se transmite mecanicamente.
10.1.6- Mancha da folha causada por Turcicum - Excerohilium
turcicum
Os primeiros sintomas podem ser facilmente identificados, como
pequenas lesões de forma quase oval e aquosas que aparecem nas folhas do milho.
Elas desenvolvem-se em extensas lesões necróticas, fusiformes. Aparecem, de início,
nas folhas inferiores e continuam aumentando de tamanho e de número à medida
que a planta se desenvolve, até que ela se apresenta completamente queimada,
numa forma muito característica.
A moléstia aparece em todo o mundo, mas observa-se principalmente,
nas zonas onde ocorrem alta umidade e temperaturas relativamente baixas, durante
o desenvolvimento da planta. Quando a infecção aparece por ocasião do
florescimento da flor feminina e as condições são favoráveis, ela pode
causar vultosos prejuízos econômicos.
11 - COLHEITA
O atraso na colheita provoca prejuízos, quais sejam: tombamento, o
apodrecimento da espiga e o ataque de pragas.
Para minimizar esses prejuízos é importante que o milho seja colhido
em seu ponto ideal, que é o ponto quando ele está com 18 a 22% de umidade para
colheita mecânica e de 15 a 18% para a colheita manual. o milho colhido
manualmente entre 15 a 18% pode ser armazenado, em espigas, em paióis, sem
problemas desde que estes sejam bem arejados.
MANUAL DE CULTURAS CATI