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Agrobyte - Pastagens

 

 

 

Como obter ganho de peso, mesmo com os pastos secos

 

Na época da seca, a principal limitação para a alimentação dos animais é o baixo valor alimentar das pastagens. O valor alimentar pode ser definido como o potencial de determinado alimento ou ração, para a produção animal e tem dois componentes:

1- Valor nutritivo

2- Ingestão de matéria seca

 

Podemos considerar o valor nutritivo da pastagem como o fator qualidade e a ingestão de matéria seca como o fator quantidade. Ambos contribuem para o valor alimentar das pastagens na entressafra . De fato, a baixa ingestão de matéria seca é, em grande parte, determinada pela diminuição do teor de proteína da forrageira com a chegada do inverno.

Outro fatores seriam: o aumento da porção fibrosa (carboidratos estruturais), em detrimento do altamente digestível conteúdo celular, e a maior proporção de lignina como componente dos carboidratos estruturais. A lignina é o componente determinante pela propriedade que parte da fibra da forragem apresenta, de não se degradar no processo digestivo. Essa diminuição de qualidade de pastagem é decorrência natural das alterações de crescimento da pastagem determinada pelo clima.

Com o rareamento das chuvas, a diminuição da temperatura e encurtamento dos dias (menor fotoperíodo, ou seja, período de insolação) a taxa de crescimento das forrageiras é diminuída. Isso faz com que a renovação das seja diminuída, tornando-se a população de plantas mais "velha".

 

Temperatura

 

Apesar de todos esses fatores atuarem em conjunto, o principal limitante parece ser a temperatura, sendo pequenas as vantagens de se irrigar pastagens tropicais em locais em que o abaixamento da temperatura no inverno é significativo. Existe também uma grande diminuição de disponibilidade da pastagem, o que requer o ajuste da lotação (número de cabeças por área).

Considerando que, ajustada a lotação, teríamos disponibilidade adequada de forragem para os animais, voltaríamos à questão do valor alimentar. Assim, a menor digestibilidade (qualidade) da forragem determinaria sua menor ingestão. Por sua vez, a menor digestibilidade teria como um dos maiores fatores causadores o menor aporte de proteínas por meio da forragem. Esse menor aporte de proteínas faz com que a população microbiana do rúmem tenha um crescimento deficiente.

Como a degradação da porção fibrosa, preponderante nas pastagens, é feita pelos microorganismos do rúmem, fica fácil entender o porque da diminuição da ingestão da forragem. É uma reação em cadeia: menos proteína, menor crescimento e atividade microbiana, menor digestão de fibra e, por fim, menor consumo. A menor degradação da fibra determina um escape do rúmem mais lento da infesta e impede que o animal ingira nova quantidade de alimento.

A inclusão de uréia visa, exatamente, corrigir essa primeira limitação. A uréia do rúmem é prontamente hidrolisada e libera amônia. A amônia é incorporada aos microorganismos que a utilizam como fonte de nitrogênio (N) para seu crescimento, transformando, assim, o que era uréia em proteína microbiana. Esses microorganismos ou são utilizados como alimentos por outros microorganismos, que o engolfam, ou escapam do rúmem.

Escapando do rúmem eles passam a fazer parte da dieta dos animais, sendo digeridos normalmente. No intestino delgado são amplamente aproveitados, sendo responsáveis pela maior parte da nutrição protéica do ruminante a pasto.

 

Microorganismos

 

O animal que ingere pastagem, esta ingerindo carboidratos estruturais (fibra) e carboidratos não estruturais (conteúdo celular). Os microorganismos que degradam os carboidratos estruturais são comumente referidos como bactérias celulolíticas, porque as bactérias representam a esmagadora maioria da população microbiana e a celulose é o principal componente da porção fibrosa do volumoso.

Bem, esses microorganismos responsáveis pela degradação dos carboidratos estruturais tem como principal fonte de N para seu crescimento a amônia. É exatamente por causa disso que, com a inclusão de uréia na dieta, conseguimos aumentar o aproveitamento da fibra. Entretanto, elas não necessitam só de amônia, mas também de vários elementos para maximizar seu crescimento e atividade. Dentre eles, podemos destacar: a energia, que provem de carboidratos não estruturais, minerais (principalmente o enxofre e o fósforo) e ácidos graxos de cadeia ramificada (AGCR).

Esses elementos tem que estar perfeitamente balanceados para que se atinja a máxima atividade macrobiana. A uréia pode ser adicionada ao sal mineral e ao volumoso, conseguindo assim com que os animais mantenham o peso durante a seca.

 

Sal Proteinado

 

Outra alternativa alimentar bastante interessante para ser utilizada nessa época do ano (seca), é o sal mineral proteinado, ou seja, trata-se de um sal mineral contendo uréia, farelos (algodão, soja, milho, trigo) e ionóforos. Em ambos os casos, o sucesso só será alcançado se os pastos estiverem "sobrando" (facho). Com o uso de sal proteinado é possível obter até ganho de peso, mesmo nessas condições adversas. O consumo de sal proteinado por cabeça/dia obedece uma relação de 1 kg peso vivo/1 g de sal, ou seja, um animal de 250 kg de peso vivo consumirá em média 250 g de sal proteinado.

O sal proteinado pode ser fornecido puro, conforme citado acima, ou misturado a alimentos como farelos de milho ou trigo, porém, nesse caso, o consumo aumenta para 700 a 1000 g/cabeça/dia.

O dimensionamento do cocho saleiro também é alterado. No caso de sal proteinado puro devemos calcular 15 cm/linear/cabeça, misturados à farelos considerar 30 cm/linear/cabeça.

Enfim, existem várias alternativas para que o pecuarista evite o efeito "sanfona" que observamos anualmente quando não são adotadas técnicas como as citadas acima.

 

Fonte: André Maldonado Barcelos - médico veterinário.

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