
SOJA
(Glycine max)
Sérgio Rocha Lima Diehl *
Maria Tereza de Godoy Junquetti *
1. INTRODUÇÃO
A soja é uma cultura de origem asiática que veio
para a Europa e depois para o continente americano.
As primeiras referências sobre a cultura em São
Paulo datam de 1892 e foram realizadas pelo Dr. Franz Wilhelm Daffert, no
Instituto Agronômico de Campinas. Em 1900, a Secretaria da Agricultura distribuía
alguns quilos de sementes de soja.
Imigrantes japoneses introduziram novas variedades, em
1908, e em 1921 o Dr. H. Löbbe, na Estação Experimental de São Paulo,
ampliou seus estudos sobre essa oleaginosa.
A expansão dessa cultura verificou-se a partir de
1951, com a primeira "Campanha da Soja", em trabalho conjunto da
Secretaria de Agricultura e do Sindicato da Indústria de Óleos Paulista. Em
1967 a procura de matéria-prima para a indústria de óleos aliada a nova
campanha de fomento, consolidou a cultura da soja no Estado de São Paulo.
No início da década de 70, com uma política favorável
aos produtos de exportação e com o fracasso da cultura do café em algumas
regiões, houve em São Paulo, a exemplo do que ocorria no Brasil, a grande
expansão da cultura da soja no cenário da agricultura paulista e brasileira.
2.CLIMA E SOLO
2.1. Clima
Embora seja planta originária de clima temperado, a
soja se adapta bem em uma ampla faixa de clima. A utilização de cultivares
adaptados permite o cultivo dessa oleaginosa nos climas subtropical e tropical.
As temperaturas médias, ótimas para o melhor
desenvolvimento da soja são entre 20 e 35° C. Precipitações pluviométricas
anuais de 700 a 1.200 mm bem distribuídas, preenchem perfeitamente suas
necessidades hídricas.
Essas condições são encontradas em todo o planalto
paulista, que se mostra apto para o desenvolvimento da cultura. São inaptas as
regiões do Vale do Ribeira e Litoral, devido ao excesso de umidade.
2.2. Solos
Limitações por fertilidade não são de muita importância
para a soja, pois essa reage otimamente à adubação e constitui fator de
melhoria do solo. Produz mais em solos férteis e argilosos, desde que bem
drenados.
Solos arenosos pobres podem também ser cultivados,
porém, podem haver problemas de germinação em condições desfavoráveis de
umidade durante a semeadura.
A maior limitação parea a cultura no aspecto solo é
a sua declividade, que se maior de 12% torna difícil a mecanização.
A grande maioria das áreas onde se instalam a cultura
de soja no Estado de São Paulo pertencem aos tipos de solo:
- Latossol Roxo (LR)
- Terra Roxa Estruturada (TE)
- Latossol vermelho-escuro, Fase arenosa (LEa)
- Latossol vermelho-amarelo, Fase arenova (Lva)
Nos últimos anos, a cultura tem se expandido para
regiões onde predominam solos podzolidados de Lins e Marília.
3. CULTIVARES RECOMENDADOS
3.1. Ciclo Superprecoce: FT Cometa (1)
3.2. Ciclo Precoce: IAC Foscarin-31(1), IAS
5, Paraná, Davis, BR4, FT2, FT 20-Jaú, Icepar 3-Primavera(1), FT
Guaíra, FT Manacá, IAC 16(1), Invicta, Ocepar 4-Iguaçu; SPS 1-Copersucar
1(3), SBR 41-Copersucar 2(3), IAC 17, KI-S 601, BR 16(4).
3.3. Ciclo Semiprecoce: IAC 12, BR 5, Bossier, São
Carlos, Stwart(2), FT 10-Princesa, FT 17-Bandeirantesm IAC 100, IAC
15, IAC 18, FT Abyara(4), KI-S 801, KI-S 702, KI-S 602 RCH.
3.4. Ciclo Médio: IAC 4, IAC 8, IAC 11, IAC 14, Santa
Rosa, UFV 1, FT 5-Formosa, FT 11-Alvorada, FT 16, Ocepar 9-SS 1, IAC PL 1(4),
CAC 1(4), Dourados(4), IAC 19(3).
3.5. Ciclo Semitardio: FT Cristalina, FT 21-Siriema,
FT Bahia.
OBSERVAÇÕES:
(1)
Recomendado também em áreas
de reforma de canaviais (rotação soja/cana);
(2)
Recomendado apenas para a
região da Holambra II;
(3)
Lançamento recente em fase
de multiplicação de sementes;
(4)
Cultivares recomendados,
excepcionalmente resistentes ao cancro da haste, alguns desses cultivares
permanecem nos ensaios oficiais de avaliação.
4. PREPARO DO SOLO
A cultura da soja somente é viável economicamente em
áreas que possibilitem a mecanização, com infra-estrutura, recursos humanos e
financeiros disponíveis.
A soja requer preparo do solo e semeadura esmerados,
tanto pela mecanização necessária, como pela natureza da própria sementes
que perde seu poder germinativo com relativa facilidade.
4.1. Preparo convencional
Este preparo constitui de:
a) uma aração profunda, 20 a 25 cm;
b) duas gradagens leves, a última antes do plantio,
para facilitar o controle de invasores.
4.2. Plantio direto
Não exige o preparo prévio do solo, porém são
utilizados equipamentos especiais para plantio. É feito em duas etapas
distintas:
a) manejo do mato - utilizando herbicidas e manejo
sobre as ervas que cobrem o terreno, para limpá-lo;
b) plantio - utilização de semeadeiras ou
plantadeiras especiais e aplicação de herbicidas seletivos.
O plantio direto deve ser encarado como a última
etapa no processo de preparo e conservação do solo, sendo adotado após alguns
anos de preparo convencional.
Egixe como premissas básicas a correção da acidez,
a não existência de compactação do solo, a adoção de práticas
tradicionais de conservação do solo, a diminuição da infestação de ervas
daninhas e a cobertura do solo com alguma cultura de inverno.
É fundamental o conhecimento das ervas daninhas que
infestam o solo e o domínio do uso de herbicidas, sem o que o plantio direto
poderá ser inviabilizado.
4.3. Cultivo mínimo
Neste tipo de preparo do solo, a operação de aração
é substituída por uma gradagem pesada, feita com grade aradora, seguida de
gradagem niveladora.
Este sistema de preparo do solo, apesar de bastante
uitlizado, não é recomendado devido aos sérios problemas de compactação do
solo que causa.
5. CALAGEM
Hoje, o conceito de correção de acidez do solo pela
calagem evoluiu no sentido de racionalizar essa prática, visando obter melhores
rendimentos agrícolas.
Para uma produtividade esperada de soja, ao redor de
2.500 a 3.000 kg/ha, devemos aplicar calcário para elevar a saturação de
bases a 70%, nos casos em que ela for inferior a 60%.
O cálculo da necessidade de calcário, em t/ha, é
feito utilizando-se a seguinte fórmula:
T (V2 - V1)
NC= -------------.f
100
onde:
T = capacidade de troca de cátions ou S + (H + Al) em
meq/100cm3
S = soma de bases trocáveis (Ca + Mg + K) em meq/100cm3
V2 = % de saturação de bases desejada
V1 = % de saturação de bases fornecida pela análise
= 100 x S/T
f = 100/PRNT; para rochas calcárias móidas em São
Paulo pode-se usar um valor de f = 1,5 quando PRNT não for conhecido.
6. ADUBAÇÃO
A maioria dos solos onde a soja é plantada
localiza-se na Alta e Média Mogiana e na Média Sorocabana, sendo identificados
como solos ácidos, deficientes em alguns nutrientes. Com práticas adequadas de
exploração, manejo e conservação do solo, mesmo nos solos de cerrado
consegue-se altas produtividades.
Adubação mineral de semeadura:
As quantidades a serem aplicadas variam com a análise
de solo e a produtividade esperada.
Aplicar 15 kg/ha de S para cada tonelada de produção
esperada.
Em solos deficientes em manganês, aplicar 5 Kg/ha de
Mn.
Nas dosagens de K2O acima de 50 Kg/ha,
aplicar metade da dose em cobertura, principalmente em solos arenosos, 30 a 40
dias após a germinação.
Observações:
a) A má distribuição e a incorporação muito rasa
do calcário podem causar ou agravar a deficiência de manganês em alguns
solos, causando queda de produtividade.
b) No cultivo de primavera-verão, a inoculação das
sementes dispensa a adubação nitrogenada. Entretanto, no cultivo de
outono-inverno, devido à baixa atividade simbiótica, recomenda-se além da
inoculação a aplicação de 50 Kg/ha, sendo ¼ dessa dose com adubação no
sulco de plantio e o restante em cobertura antes do florescimento.
c) Em solos arenosos ácidos pode ocorrer deficiência
de Mo, o que acarreta má fixação de nitrogênio. A deficiência pode ser
resolvida pela calagem, qie aumenta a disponibilidade do nutriente, podendo também
ser aplicado 50 g/ha de molibdato de sódio em mistura com 50kg de sementes.
d) Deficiências de micronutrientes na soja são raras
em São Paulo. Na suspeita de sua ocorrência, realizar análises de solo e
foliar e, uma vez constatada a deficiência, podem-se aplicar, com a adubação
do plantio seguinte, 5 kg/ha de Zn, e/ou 2 kg/ha de Cu, e ou 1 kg/ha de B.
7. INOCULAÇÃO DE SEMENTES
A inoculação de sementes de soja com bactéria específica
para a soja, denominada Bradyrizobium japonicum, substituiu a adubação
nitrogenada. As bactérias associam-se com as raízes das plantas de soja e
ambas conseguem aproveitar o nitrogênio do ar, o que nem as plantas e nem as
bactérias poderiam fazer isoladamente. Esse processo é conhecido por fixação
simbiótica de nitrogênio atmosférico.
A adubação nitrogenada, além de desnecessária, em
muitas vezes é prejudicial à fixação do nitrogênio. Mesmo em solos com
grandes quantidades de restos vegetais, não há efeito benéfico da aplicação
de nitrogênio no sulco de semeadura sobre a produção de grãos.
A inoculação das sementes deve ser feita todos os
anos, para que a nodulação ocorra com as estirpes presentes no inoculante e não
com aquelas presentes no solo que podem ser de baixa eficiência.
As estirpes atualmente recomendadas são: SEMIA 5019
(29W)+SEMIA 587 (CPAC 15)+ SEMIA 580 (CPAC 7), que devem ser utilizadas sempre
duas a duas. Além da estirpe escolhida, é importante o inoculante tenha
concentração mínima de bactérias viáveis. Essa concentração é obtida com
a aquisição do inoculante de fabricantes idôneos. Os inoculantes devem ser
mantidos em geladeira.
A operação de inoculação das sementes é bastante
simples e deve ser feita sempre à sombra, procedendo-se da seguinte maneira:
1°) dissolver 250 g de açúcar cristal (treze
colheres de sopa) em um litro de água. Em lugar do açúcar pode-se utilizar
goma arábica a 20% ou uma celulose substituída a 5%, de qualquer marca
comercial;
2°) misturar de 500 a 1.000 ml dessa solução
adesiva para 250 a 500 g de inoculante turfoso respectivamente (população de
1:1, dependendo da qualidade). Considera-se inoculante de boa qualidade aquele
que apresenta concentração igual ou superior a 108 células/g no momento da
utilização:
3°) misturar com 50 kg de sementes, utilizando-se o
tambor rotativo e, após, espalhá-los em camadas de 10 a 30 cm sobre uma superfície
seca, à sombra. Um procedimento alternativo é misturar a solução açucarada
(250 a 500 ml para 250 a 500 g de inoculante, respectivamente) à semente e logo
em seguida, para que a semente não absorva a água, adicionar o inoculante;
4°) deixar secar à sombra por algumas horas;
5°) semear no mesmo dia ou no máximo, até quatro
dias após, desde que as sementes fiquem em ambiente fresco e protegidas do sol.
7.1. Procedimento para Inoculação com Tratamento Químico
de Sementes.
1°) misturar as sementes com a solução açucarada,
utilizando 250 a 500 kg de semente, usando o tambor rotativo;
2°) aplicar o fungicida logo em seguida e misturar
bem na quantidade recomendada no item tratamento de sementes (página)-;
3°) aplicar o inoculante turfoso nas doses
recomendadas acima;
4°) deixar à sombra por algumas horas;
5°) semear no mesmo dia. Caso isso não seja possível,
repetir a inoculação no dia do plantio.
7.2. Cuidados com o Inoculante e a Inoculação.
Não usar inoculante com prazo de validade vencido. Na
embalagem consta a data de vencimento.
Ao adquirir o inoculante, certificar-se de que o
produto estava conservado em condições satisfatórias e, após a aquisição,
conservá-lo em lugar fresco e arejado até o momento da utilização.
Os melhores inoculantes disponíveis, até o momento,
são aqueles à base de turfa.
A inoculação deve ser feita à sombra e , de preferência,
pela manhã.
A semeadura deve ser interrompida quando o depósito
de sementes se aquecer em demasia, pois altas temperaturas inviabilizam as bactérias
inoculadas.
Os ganhos com a inoculação em áreas com o cultivo
anterior de soja são menos expressivos do que os obtidos em solos de(???).
8. PLANTIO
A semeadura é um dos trabalhos que mais pesam no êxito
da lavoura, especialmente no caso da soja, que perde seu poder germinativo com
relativa facilidade, quando plantada em condições adversas. Ainda, a semeadura
irregular conduz a menor produtividade e eventuais dificuldades nos tratos
culturais e na operação de colheita.
As sementes para o plantio devem apresentar, no geral,
germinação mínima de 80%. Isso evita falhas na lavoura, devido à baixa
germinação, comuns mesmo quando se faz a correção de quantidade a semear, no
caso de usas semente de baixo poder germinativo.
Para a germinação e emergência regular das plantas,
é essencial um teor de umidade suficiente no solo. A soja absorve grande
quantidade de água para germinar; por isso a semeadura só deve ser feita com o
solo úmido, após boa chuva. Dependendo da área da lavoura, uma semeadeira a
mais poderá ser muito útil, para o aproveitamento da umidade do solo e para o
plantio a tempo.
Antes de iniciar o plantio é necessário fazer o
teste da semeadeira, para assegurar a quantidade de sementes recomendada para
distribuir no sulco.
8.1. ÉPOCAS DE PLANTIO
8.2. Produção de Sementes
A Comissão Técnica de Soja da Secretaria da
Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo recomenda como ideal para a
produção de sementes de soja nas regiões Sul do Estado e Vale do
Paranapanema, as épocas de semeadura para os cultivares já testados,
constantes no Quadro 1.
Com regra geral, para os cultivares ainda não
testados, recomenda-se para os de ciclo precoce e semiprecoce, semeadura de 10 a
30 de dezembro e para os de ciclo médio e semitardio, de 15 de dezembro a 30 de
janeiro.
Também podem ser feitas semeaduras na época
recomendada para a produção de grãos nessas duas regiões, mas provavelmente
as sementes obtidas apresentarão menor vigor.
A época recomendada para a semeadura de soja, visando
a produção de sementes nas demais regiões do Estado, deve seguir a existente
para a produção de grãos (Quadro 2).
QUADRO 1 - Época de plantio de soja para a produção de
sementes-Ano Agrícola 1995/96*.
8.4. Profundidade da Semeadura
A soja deve ser semeada a uma profundidade de 3 cm em
solos argilosos ou bem úmidos e 5 cm em solos arenosos ou com menor umidade.
Semeaduras profundas dificultam a emergência da soja
principalmente se houver compactação superficial do solo.
8.5. Espaçamento recomendado.
A soja deve ser semeada em linhas ou fileiras espaçadas
de 40 a 60 cm, de acordo com o cultivar a ser utilizado e/ou o tipo de solo.
Espaçamentos mais estreitos que 40 cm resultam num fechamento mais rápido da
cultura, contribuindo para o controle das plantas daninhas, mas não permite o
cultivo mecânico entre as linhas, se necessário.
8.6. Densidade de semeadura.
A população de plantas ideal para que se obtenham os
maiores rendimentos e a que mais se ajusta à colheita mecânica é de 350 mil
plantas por hectare. Variações de até 15%, nesse número, não alteram
significativamente o redimento de grãos, desde que as plantas sejam distribuídas
com uniformidade, sem falhas.
Para se obter a população de 350 mil plantas por
hectare, semeia-se uma certa quantidade de sementes que permita 14 plantas por
metro linear no espaçamento de 40 cm, 18 em 50 cm e 21 em 60 cm.
População de plantas muito acima da recomendada, além
de não proporcionarem acréscimo na produtividade, podem acarretar riscos de
perdas por acamamento e aumento no custo de produção.
Densidades muito baixa resultam em plantas de porte
baixo, em maior incidência de ervas daninhas e maiores perdas na colheita.
Em condições favoráveis a o acamamento das plantas,
pode-se corrigir o problema sem afetar o rendimento, reduzindo-se a população
em 20 a 25%. Em semeaduras após a época recomendada, deve-se aumentar a população
em 20 a 25%.
8.7. Gasto de sementes.
Na população indicada, de 350 mil plantas/ha, o
gasto de sementes será de 70 a 80 kg/ha. As variações podem ocorrer
principalmente por causa do tamanho da semente e/ou pelo seu poder germinativo.
8.8. Localização do adubo
O adubo nunca deve ficar em contato direto com a
semente, pois prejudica a absorção de água, matando a plântula em
desenvolvimento ou, no mínimo, afeta o desenvolvimento inicial.
O adubo deve ser colocado ao lado e abaixo da semente.
8.9. Regulagem da semeadeira
Antes de iniciar a semeadura, é necessário conhecer
o poder germinativo do lote de sementes. Essa informação é fornecida pela
empresa vendedora das sementes, porém este valor (%germinação) superestima o
valor da emergência das sementes no campo. Por isso, recomenda-se que seja
feito um teste de emergência no campo, alguns dias antes da semeadura.
Conhecido o poder germinativo nessas condições, deve-se regular a
semeadeira-adubadeira para assegurar as quantidades de adubo e de sementes
recomendadas para distribuição no sulco.
9.TRATOS CULTURAIS.
É fundamental que a cultura permaneça no limpo
durante todo o ciclo.
A competição entre o mato e a cultura se processa até
50 dias, dependendo do grau de infestação e do número de espécies presentes
na área. Além do decréscimo na produtividade, os efeitos podem se manifestar
por dificuldade na operação de colheita, devido ao entupimento das máquinas e
ao tempo adicional gasto pelo operador da colhedeira para colocar a máquina em
condições de operar novamente.
O controle das ervas pode ser mecânico e químico.
9.1. Cultivo mecânico
O controle mecânico de ervas é realizado através de
cultivadores mecânicos ou com enxada.
Os cultivos de tração mecânica são realizados com
cultivadores de três ou cinco linhas, ou com enxadas rotativas. Os cultivadores
devem sempre trabalhar à pequena profundidade, para não prejudicar o sistema
radicular da soja, que é abundante nos primeiros 20 cm de solo.
O número de cultivos necessários à cultura da soja
varia de acordo com a infestação de ervas na área. Em geral, são necessários
um a três cultivos, quando não se usam herbicidas. As infestações mais
intensas requerem o uso de enxada.
9.2. Cultivo químico
O cultivo químico é feito através do uso de
herbicidas.
Existem várias épocas de aplicação dos herbicidas
para a soja:
- pré-plantio incorporado (PPI) - é quando a
pulverização com o herbicida é feito antes do plantio e são incorporados ao
solo;
- pré-emergência (PRÉ) - quando a aplicação do
produto é realizada logo após o plantio, antes da emergência de culturas e/ou
das ervas invasoras;
- pós-emergência (PÓS) - quando a aplicação é
efetuada após a emergência da cultura e do mato.
Os produtos usado para o controle das ervas daninhas
de folha estreita e de folha larga acham-se relacionados no Anexo 1.
10. PRAGAS
Durante todo o seu ciclo a soja é atacada por várias
pragas. A seguir serão descritas as principais pragas que ocorrem nesta
cultura, em nossas condições.
Em um levantamento parcial de literatura, Ramiro
(1982) relacionou 328 espécies que se alimentam nas lavouras ou nos grãos
armazenados. As principais pragas da soja são em número de seis, as demais
foram consideradas pragas secundárias.
A predominância de uma espécie sobre a outra é função
das condições ecológicas de cada região e da presença de seus inimigos
naturais, que as mantém com populações abaixo do nível de dano econômico.
10.1 Pragas principais
10.1.1. Lagarta-da-soja: Anticarsia gemmattalis
(Hubner, 1818) - É o mais comum dos insetos desfolhadores que atacam a cultura
da soja. A lagarta apresenta, geralmente, a cor verde com três listras claras
dispostas longitudinalmente no dorso. Em condições de altas infestações,
torna-se escura.
Ocorrem na cultura de novembro a março e seu pico de
população ocorre de janeiro a março, conforme a região.
O seu ciclo biológico total é de 33 a 34 dias e
podem ocorrer quatro a seis gerações anuais.
O adulto faz sua postura à tardinha e à noite, na
parte inferior das folhas.
10.1.2. Lagarta-mede-palmo - Pseudoplusia includens
(Walker, 1857) - A lagarta apresenta coloração verde, com listras brancas no
dorso e pode apresentar pontos escuros no corpo. Ao se deslocar tem um movimento
característico de medir palmo, daí a sua denominação.
Se alimenta de folhas, mas não das nervuras,
conferindo um aspecto rendilhado à lavoura.
Atualmente os danos da largarta-mede-palmo são bem
inferiores aos da lagarta-da-soja, mas como as duas ocorrem na mesma época,
essa praga é considerada praga principal.
Sua ocorrência predomina no Paraná e em São Paulo,
com pico populacionais maiores de dezembro a fevereiro.
10.1.3. Broca-das-axilas - Epinotia aporema (Walsinghan,
1914) - Até pouco tempo atrás não era considerada praga principal. Com o
aumento da área de plantio e, provavelmente, com a diversificação de
cultivares utilizados, sua incidência tem aumentado consideravelmente.
As lagartas são pequenas, de coloração
verde-esbranquiçada, e conforme vão crescendo se tornam amareladas, com o
corpo transparente.
O ataque inicia-se pelos brotos das plantas, antes que
os mesmos se desenvolvam totalmente. As lagartas alimentam-se de parte dos folíolos,
e mais tarde tecem uma teia, unindo-os e impedindo a sua abertura. O broto
atacado pode morrer ou crescer deformado. Outras partes da planta, com caule,
ramos e folhas podem ser atacadas também.
10.1.4. Percevejo-verde - Nezara viridula (Linneus,
1758) - Este percevejo é conhecido vulgarmente também como maria-fedida e
fede-fede, e é considerado praga em outras culturas, além da soja.
O adulto é verde e põe ovos na face interior das
folhas, dispostos na forma de hexágonos. As ninfas no início são de coloração
escura com pontuações brancas e mais tarde se tornam verdes com pontuações
amarelas e vermelhas.
O percevejo suga a seiva das plantas, danificando os
grãos e podendo causar distúrbios fisiológicos chamados retenção foliar ou
soja louca.
O seu dano já inicia quando as ninfas estão no
terceiro estádio até se tornarem adultas.
10.1.5. Percevejo-pequeno - Piezodorus guildinii
(Westwood, 1837) - É conhecido como percevejo-pequeno, e provoca danos
semelhantes aos do percevejo-verde.
O adulto coloca ovos de coloração preta em filas
duplas, de preferência nas vagens. As ninfas no início apresentam coloração
verde com manchas vermelhas e pretas no dorso.
O adulto possui geralmente coloração verde-clara,
com uma mancha estreita na base do pronoto.
10.1.6. Percevejo-marrom - Euschistus heros (Fabricius,
1798) - Seus danos à cultura são semelhantes aos dos outros percevejos já
descritos. O adulto tem coloração marrom, formato quase triangular, com duas
expansões alterais na parte superior do corpo, semelhantes a espinhos.
Sua postura é feita sobre as folhas e vagens, com
disposição em duas linhas paralelas. As ninfas apresentam-se de coloração
clara logo após a eclosão, e mais tarde bem maiores, com o abdômen de coloração
verde-clara, e tem ainda duas manchas escuras no dorso.
Ainda podemos dizer que esse percevejo tem importância
maior em regiões de temperaturas elevadas e nos estados de latitudes mais
baixas.
11. INIMIGOS NATURAIS
Os inimigos naturais das pragas da soja podem ser
agrupados em doenças, parasitas e predadores. Geralmente
são específicos e sua
ocorrência na cultura pode depender da região, da época, do ano e das condições
climáticas vigentes.
11.1. Doenças
11.1.1. Nomurea rileyii - É um fungo que
infesta várias espécies de lagartas, as quais tornam-se pouco ativas, param de
comer e morrem. O cadáver mumificado inicialmente é branco, tornando-se depois
verde, devido ao desenvolvimento dos conídeos. A disseminação do fungo é
feita por esporos levados pelo vento. Condições de umidade são fundamentais
para o seu desenvolvimento.
11.1.2.Entomophtora sp - Ataca as lagartas A.
gemmatalis e Pseudoplusia includens, transformando-as em cadáveres
enrugados de coloração marrom. Sua disseminação se faz por meio de conídeos
e de ar úmido, principalmente à noite.
11.1.3.Beauveria sp - Esta doença ataca o
percevejo N. viridula; esse fungo apresenta coloração branca,
semelhante a N. rileyii, e os esporos disseminam-se pelo vento.
11.1.4. Baculovirus anticarsia - É um vírus
que ataca especificamente a largarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)
causando uma doença conhecida como "doença-preta". No início, as
lagartas mortas apresentam coloração amarelada, corpo mole e com o passar do
tempo tornam-se escuras ou pretas.
Para funcionar, o vírus tem de ser ingerido pelas
lagartas, e dentro de seu corpo multiplica-se, aumentando a quantidade, acabando
por matá-las. Depois de uma semana, mais ou menos, as lagartas mortas apodrecem
e soltam mais vírus sobre a soja, matando outras lagartas sadias que vão
nascendo.
11.2. Parasitóides
Os parasitóides são entomófagos que vivem dentro ou
sobre o corpo de outros insetos, com os quais mantém uma íntima relação de
dependência. O hospedeiro geralmente morre e o parasita, no estádio adulto,
procura novo indivíduo. Dentre os parasitas das pragas da soja destacam-se os
seguintes:
11.2.1. Litomastix truncatellus - Pequena vespa
que parasita lagartas de P. includens, parece ser seu mais importante
inimigo natural. A fêmea deposita os ovos sobre as lagartas e, por
poliembrionia, originam-se muito indivíduos. Com a eclosão do parasita, a
lagarta atacada morre e fica totalmente deformada, com grande número de casulos
no interior do corpo.
11.2.2. Euplectrus chapadae - Esse microhimenóptero
ataca as larvas de A. gemmatalis. As fêmeas ovipositam sobre o corpo das
lagartas e as larvas, ao eclodirem, penetram no corpo do hospedeiro, onde se
desenvolvem. Quando completam o ciclo, transformam-se em pupas ao redor do corpo
da lagarta morta.
11.2.3. Telenomus mornidaea - É um microhimenóptero
que parasita ovos de P. guildinii, que constitui um dos mais importantes
parasitas desse percevejo no Brasil. O macho emerge antes da fêmea e permanece
em constante movimento sobre a postura, batendo as asas sobre os ovos, à espera
da eclosão da fêmea. Ao nascer, essa é copulada, indo mais tarde depositar
seus ovos sobre novas posturas do percevejo.
11.2.4. Eutrichopodopsis nitens - Esse dípetero
parasita percevejos, especialmente N. viridula, mas já foi encontrado
parasitando P. guildinii. As fêmeas ovipositam sobre as ninfas ou
adultos do percevejo, e as larvas, ao eclodirem, penetram no corpo do
hospedeiro, onde se desenvolvem. O percevejo parasitado só morre quando a larva
do parasita sai de seu corpo para empupar no solo.
11.3. Predadores
Os predadores são entomófagos, mas não mantém relação
de dependência íntima com suas vítimas. Atacam um ou mais indivíduos de uma
ou mais espécies, deles se alimentando por prazo muito curto, e podem retornar
várias vezes ao mesmo hospedeiro. Os principais predadores
das pragas da soja são:
- Nabis sp e Geocoris sp - trata-se de
percevejos que se alimentam de ovos e de lagartas pequenas;
- Calosoma granulatum - é uma espécie
de besouro predador de pupas e lagartas;
- aranhas e formigas - atacam indiscriminadamente
todos os insetos.
12. CONTROLE DAS PRAGAS
Para controlar as pragas da cultura, normalmente
utiliza-se o sistema de controle integrado ou manejo de pragas, que associa o
controle biológico ao controle químico.
12.1. Manejo de pragas
Devem ser efetuadas amostragens semanais na lavoura. A
quantidade de amostragens varia de acordo com a extensão da área, ou seja:
- 1 a 9 hectares - 6 pontos de amostragem
- 10 a 20 hectares - 8 pontos de amostragem
- 30 a 99 hectares - 10 pontos de amostragem.
Para isso, emprega-se o método do pano, que consiste
na utilização de um pano branco de 1 metro de comprimento, adaptável ao espaçamento
da lavoura. Coloca-se esse pano nas entrelinhas da soja, as plantas são balançadas
vigorosamente e os insetos caídos no pano são contados e anotados em ficha própria
para esse fim. Também os níveis de desfolha são anotados nessa ficha.
12.1.2. Quando tratar a lavoura:
- do plantio até o início do florescimento faz-se o
tratamento quando o desfolhamento for de aproximadamente 30% e forem encontradas
em cada amostragem 40 lagartas com 1,5 cm ou mais de comprimento;
- do início do florescimento em diante trata-se a
lavoura quando o nível de desfolhamento atingir 15% e o número de lagartas com
1,5 cm ou mais de comprimento for igual a 40;
- do início do desenvolvimento das vagens em diante
deve-se efetuar o controle de percevejos quando houve quatro exemplares com 0,5
cm ou mais de comprimento por amostragem;
- a Broca-das-axilas é controlada quando em cada 100
plantas examinadas, 20 a 25 apresentarem danos.
12.2. Controle químico
O controle químico só deverá ser efetuado quando as
pragas atingirem o nível de dano econômico.
12.2.1. Recomendação de inseticidas para utilização
no programa de manejo de pragas de soja - Os inseticidas recomendados são
selecionados de acordo com o resultado de testes realizados pelas instituições
de pesquisa. A recomendação é feita para cada espécie de inseto considerado
como praga de importância econômica.
Quando há ocorrência simultânea de duas ou mais espécies,
deve-se optar pelo controle da espécie predominante, se essa representar mais
de 75% do total. Em caso contrário, recomenda-se utilizar inseticidas e doses
que sejam eficientes para ambas as espécies.
Os produtos recomendados, para o controle das pragas
da soja constam no Anexo 2.
12.2.2. Aplicação de inseticidas - Para o controle
das pragas da soja, os defensivos devem ser aplicados por via líquida,
facilitando a aplicação e o manuseio do produto.
Para que possamos obter o máximo da eficiência do
produto usado sobre qualquer inseto, durante o manejo de pragas se torna necessário
seguir as seguintes normas:
- proceder ao levantamento correto das pragas da
cultura e só aplicar o inseticida quando a mesma atingir níveis de dano econômico;
- em dias nublados, com possibilidade de chuvas, adiar
a aplicação;
- para que a calda a ser aplicada tenha a concentração
certa, deve-se calcular previamente o volume líquido a ser gasto;
- os bicos deve ser testados antes do início da
pulverização e estar devidamente ajustado à barra do pulverizador;
- deve-se ter sempre uma pressão de pulverização
constante para que a distribuição seja uniforme.
13. COLHEITA
A operação de colheita dos grãos de soja é uma das
mais importantes dentro da condução da cultura.
No início da implantação e expansão dessa
leguminosa, a área de plantio era restrita, essa operação era feita
manualmente e a debulha através de trilhadeiras. Atualmente, as áreas de
plantio de soja são maiores e a colheita passou a ser totalmente mecanizada.
O plantador de soja, além de necessitar conhecer bem
o funcionamento e manejo das colhedeiras, deve estar capacitado para:
- prever o número de colhedeiras necessárias para
colher os grãos na época adequada sem o risco de perdas;
- planejar o plantio de cultivares de ciclo
diferentes, de tal forma que o período de colheita seja ampliado, e que se
possa escalonar a operação de colheita de acordo com a menor ou maior
precocidade dos cultivares plantados.
13.1. Tipos de perdas na colheita
As perdas na colheita de soja ocorrem:
- antes da colheita;
- na plataforma de colhedeira;
- nos mecanismos internos da colhedeira.
13.1.1. Perdas que ocorrem antes da colheita - São as
que acontecem antes de se iniciar qualquer operação relacionada com a colheita
propriamente dita. Elas pode acontecer mesmo que a lavoura tenha sido bem
conduzida.
São causadas:
- pela debulha natural;
- pelo retardamento do início da colheita;
- pela má condução da lavoura;
- por hastes soltas;
- pelas chuvas, granizos e ventos fortes.
A debulha natural é característica de alguns
cultivares e adquire maior importância quando o ciclo das operações de
colheita é retardado.
As chuvas e granizos também podem causar perdas,
principalmente se acontecerem quando a soja estiver no ponto de colheita.
Se a lavoura não for bem conduzida podem ocorrer
perdas por acamamento das plantas, causado pelo excesso de adubação ou grande
número de sementes por área. A má escolha dos cultivares empregados pode
determinar o aparecimento de plantas de pequeno porte, com baixa inserção das
primeiras vagens e, dessa forma, dificultar a colheita.
Para reduzir esse tipo de perdas basta que você:
- conduza bem a sua lavoura de soja; e
- faça a colheita no momento certo.
13.1.2. Perdas que ocorrem na plataforma da colhedeira
- É o principal tipo de perda que ocorre na colheita de soja. Pode chegar até
a 80% do total das perdas e ocorre, principalmente, devido às falhas na ação
do molinete e da barra de corte, à baixa adaptação da lavoura à colheita mecânica
e à velocidade da maquina.
Molinete - A posição errada do molinete na hora da
colheita bem como altas e baixas velocidades, causa debulha e deita as plantas
que não são recolhidas.
Barra de corte - A barra de corte muito alta em relação
ao solo e folga muito grande nas suas peças de sustentação, navalhas
trincadas, gastas e quebradas e dedos tortos, causam perdas dos grãos na hora
da colheita.
Velocidade da máquina - A colhedeira trabalhando em
velocidade excessiva dificulta o trabalho da barra de corte, que não consegue
pegar todas as plantas, causando também o aumento das perdas.
Lavouras não adaptadas à colheita mecânica - A
altura das plantas, a altura de inserção, ou seja, a localização das
primeiras vagens, o número de ramificações, o acamamento das plantas e a
grossura do caule são os fatores que influirão na adaptação da lavoura à
colheita mecânica. Esses fatores estão relacionados com o número de plantas,
escolha de cultivares para uma determinada região e época de plantio que, se não
estiverem dentro das recomendações técnicas, pode determinar maiores perdas
na colheita.
Umidade dos grãos - Se os grãos estiverem muito úmidos,
se quebrarão mais facilmente, havendo, assim, mais perdas. Por outro lado, se
muito secos, a debulha será maior.
Ervas daninhas - Se a lavoura estiver infestada por
ervas daninhas, a colhedeira terá de trabalhar com a plataforma mais alta,
perdendo, assim, as vagens que ficam abaixo da haste. Se trabalhar baixa, haverá
problemas de embuchamento e a velocidade será reduzida. Além disso, altas
infestações de ervas daninhas podem causar um aumento no teor de umidade do grão.
13.1.3. Perdas que ocorrem nos mecanismos internos da
colhedeira - Esse tipo de perdas ocorre raramente e são mínimas, comparadas
com as que geralmente acontecem na plataforma de corte.
Elas ocorrem quando o operador se descuida da
regulagem do côncavo, do cilindro, das peneiras e dos ventiladores ou quando a
cultura não se encontra ainda no ponto ideal de colheita.
Se a abertura do côncavo e a velocidade do cilindro não
estiveram bem reguladas, podem passar vagens sem serem debulhadas ou ocorrer
quebra de sementes. A regulagem inadequada das peneiras e dos ventiladores
provoca perda de grãos, que são eliminados juntamente com a palha ou a ida de
muita palha para o depósito.
Para reduzir as perdas que ocorrem nos mecanismos
internos a máquina deve estar sempre bem regulada e a lavoura no ponto certo de
colheita.
13.2. Como reduzir as perdas na colheita
Para se reduzir as perdas na colheita, duas providências
são necessárias: o bom manejo da lavoura e a regulagem correta da colhedeira.
De nada vale uma colhedeira bem regulada se não existir uma boa lavoura para
ser colhida.
13.2.1. Manejo da lavoura - Compreende um conjunto de
práticas que inclui:
- bom preparo do solo;
- adubação;
- época certa de semeadura;
- plantio do cultivar adequado para a região;
- quantidade de plantas por metro;
- combate às ervas daninhas.
Preparo do solo - É prática indispensável e necessária
a qualquer cultivo. Quando se trata da soja, mais importante ainda, porque solo
mal preparado influirá até na colheita do grão.
Adubação - As terras pobres de baixa fertilidade,
produzirão plantas de baixa formação e as primeiras vagens se situarão na
parte baixa da planta, dificultando a colheita e ocasionando perdas. A adubação
nesse caso é necessária e se feita corretamente corrige essas falhas e
contribui para aumentar a produção.
Época de semeadura e plantio de cultivar adequado -
Deve-se utilizar, sempre que possível, cultivares recomendados para a região e
que sejam de ciclos diferentes. Essa providência diminuirá os riscos devido às
condições adversas de clima e permitirá a racionalização da colheita, com
melhor utilização das colhedeiras. O plantio fora de época pode causar
plantas de baixa estatura, tornando a colheita mais difícil.
Quantidade de plantas por metro - Para que a colheita
mecânica seja bem feita é necessário que as plantas tenham as seguintes
características:
- altura superior a 50 centímetros;
- altura das primeiras vagens, em relação ao solo,
superior a 13 centímetros;
- poucos ramos, sem acamamento.
A combinação entre o espaçamento e a densidade, ou
seja, o número de plantas por metro de terreno, dá o número total de plantas.
Segundo resultados da pesquisas, 400 mil plantas por hectare proporcionam maior
rendimento e melhor adaptação à colheita mecânica.
Combate às ervas daninhas - A existência de ervas
daninhas em grande quantidade na época da colheita pode causar embuchamentos
freqüentes à máquina, fazendo com que o operador perca muito tempo para pôr
a colhedeira novamente em condições de trabalho. Além desse fato, obriga à
redução da velocidade da máquina e proporciona um aumento no teor de umidade
do grão, podendo causar seu apodrecimento.
13.2.2. Regulagem da colhedeira - Uma colhedeira é
formada da união de cinco partes distintas que se interligam. Por isso, antes
do início da colheita, cada uma dessas partes deve ser regulada, a fim de
aumentar a durabilidade da colhedeira adaptando-a às características da
lavoura a ser colhida. Essa regulagem diminuirá, também a perda de grãos na
colheita.
As principais partes da colhedeira que o operador deve
regular são as seguintes:
- plataforma de corte;
- elevador dianteiro;
- cilindro;
- côncavo;
- cilindro batedor traseiro;
- saca-palhas;
- bandejas;
- peneiras;
- ventiladores;
- mecanismo transportador.
QUADRO 1. Funcionamento irregular do mecanismo de
recolhimento.