Walter Holtz Merege

1 - INTRODUÇÃO

Na safra de 94/95, foram plantadas no Estado de São Paulo 1.274.100 ha de milho, com produção de 4.542.600 ton, o que equivale a uma produtividade média de 2.875kg/ha.

Essa produtividade em relação à de outros países e ao potencial dos híbridos existentes hoje no mercado é muito baixa. Essa produtividade poderia ser duplicada ou triplicada em pouco tempo, bastando para isso que o agricultor fizesse uso da tecnologia disponível. É preciso que se ressalte que, nem sempre, o uso da tecnologia representa uma medida que implica em aumento substancial do capital aplicado; ao contrário, as vezes representa economia de custo ao agricultor.

Com o custo de produção, não só do milho, mas de todas as culturas hoje em dia é muito alto, é preciso que o agricultor seja orientado tecnicamente, para investir bem o seu capital.

O milho é uma cultura que tem mais de cem utilidades no mercado interno e externo e na propriedade pode ser considerado como um fator de equilíbrio da mesma; já que pode ser usado tanto para a alimentação do homem e dos animais, como massa verde, ensilagem, milho verde, fubá, farinha, farelos, grão puro ou como componente de rações. Portanto, desde que o agricultor consiga uma boa produtividade, o milho será sempre um bom negócio.

2 - CULTIVARES

Quanto aos ciclos, os cultivares existentes no mercado são chamados de ciclo normal, precoce e superprecoces.

De acordo com a espécie são classificados em milho híbrido, milho variedade, milho doce e milho de pipoca.

3 - ESCOLHA DO LOCAL E PREPARO DO TERRENO

3.1- Escolha da área

Para a instalação da cultura do milho, deve-se fazer uma seleção da área, tendo em vista a fertilidade do solo, sua boa permeabilidade, solos profundos e rotação com leguminosas. Os solos mal drenados não se prestam à cultura do milho.

3.2- Controle da erosão

O milho, pelo seu processo de cultivo, é uma cultura que favorece o fenômeno da erosão é um processo de desagregação, transporte e depósito de materiais do solo, a partir de sua superfície. O principal agente causador é a água da chuva.

Na cultura do milho, temos duas principais práticas de controle da erosão: plantio em nível e terraço.

3.2.1- Plantio em nível

É uma das práticas mais simples de controle da erosão. Dados experimentais têm demonstrado que a simples disposição das ruas das plantas, seguindo as curvas em nível do terreno, contribui com bastante eficiência, facilitando a infiltração das águas, diminuindo a enxurrada e controlando a erosão.

Segundo os dados experimentais, o plantio de milho em contorno aumentou a produção em 21,2% em relação ao plantio morro abaixo; as perdas por erosão no primeiro caso foram 29,3 toneladas de terra por hectare, contra 76,7 toneladas por hectare no plantio morro abaixo.

3.2.2- Terraço

É uma prática eficiente de controle da erosão nas terras ocupadas com o milho. Mas para a instalação de um sistema de terraços é preciso observar as condições do terreno e da terra.

Determinadas condições não permitem a recomendação do terraço, como:

- solos rasos (onde logo abaixo da camada superficial está a rocha);

- declives superiores a 12%;

- solos de difícil drenagem;

- solos em que a erosão tenha destruído mais de 75% do horizonte A;

- terrenos que recebem água de estradas ou de áreas vizinhas não protegidas.

Se as condições favoráveis ao terraceamento, procede-se a marcação e construção dos terraço. O agricultor precisa ser alertado de que não basta construir os terraços, eles precisam devidamente limpos e, nessa manutenção, muito influem os trabalhos de preparo do solo, que no caso precisam ser feitos entre as faixas dos terraços.

3.3- Preparo do Solo

O preparo do solo varia de acordo com a cobertura vegetal remanescente e o tipo de solo, O que se tem notado nos últimos anos é que o uso da grade aradora tem causado compactação do solo, porque essa aração é feita na mesma profundidade, causando o que chamamos de "pé de grade", que nada mais é do que uma camada compactada que impede a penetração da água no solo, provocando erosão.

O que se tem recomendado é o uso do arado escarificador que vai quebrar essa camada compactada, permitindo a infiltração da água no solo.

Caso o agricultor não disponha de arado escarificador, para evitar esse problema, deve fazer as arações a diferentes profundidades a cada ano.

A aração deverá ser feita em profundidade entre 20 e 30cm.

3.4. Época de Plantio:

3.4.1- Para a safra normal:

A época recomendada, conforme experiências realizadas pelo IAC, é outubro/novembro, como se observa nos dados abaixo:

Mês

Média (%)

setembro

93

outubro

100

novembro

81

dezembro

60

Os plantios mais tardios estão sujeitos aos veranicos (períodos de mais de 10 dias sem chuva), que ocorrem com mais freqüência em janeiro e fevereiro e quando ocorre na fase do florescimento é fatal para a cultura.

Os cultivares precoces e superprecoces devem ser plantados na época normal.

Na região sul do estado onde o inverno é chuvoso o plantio pode ser antecipado para agosto-setembro.

3.4.2- Para o milho safrinha:

As principais limitações para o desenvolvimento do milho "safrinha" são a deficiência hídrica particularmente nas regiões norte e nordeste, e as baixas temperaturas, no sul e sudoeste do Estado.

O risco de perda na "safrinha" é relativamente elevado, mesmo nas épocas recomendadas, pois podem ocorrer estiagens e/ou geadas em fases fenológicas críticas da cultura.

Para a semeadura do milho "safrinha", foram considerados quatro períodos básicos:

- semeadura em janeiro e fevereiro, com tolerância até 15 de março para as seguintes DIRAs: São José do Rio Preto, Barretos, Araçatuba, Bauru, Presidente Prudente, Ribeirão Preto e Franca, além da Delegacia Agrícola de Mococa (DIRA de Campinas);

- semeadura desde janeiro até 15 de março, com tolerância até 30 de março para as seguintes DIRAs: Vale do Paranapanema, Maríia, Campinas (com exceção da Delegacia Agrícola de Mococa), São José dos Campos e São Carlos;

- semeadura desde janeiro até 28 de fevereiro para a DIRA de Sorocaba, com exceção das DAs de Capão Bonito e Itararé, que é até 31 de janeiro;

- em qualquer período para a DIRA de Registro.

3.5- Semente

A utilização de semente de boa qualidade é fundamental para o obtenção de alta produtividade. Um dos aspectos que costuma gerar controvérsia é o efeito do tamanho da semente influindo no vigor, germinação e produtividade. Trabalhos realizados permitiram concluir que o tamanho da semente não influenciou no vigor, na germinação e na produtividade, em igualdade de condições com os diversos tamanhos de peneira.

Gasto de semente por alqueire de acordo com a peneira:

Peneira 24 - 73kg por alqueire

Peneira 22 - 60kg por alqueire

Peneira 20 - 40kg por alqueire

3.6- Semeadura

A primeira operação a ser executada para o plantio é o sulcamento, que deve ser de 15cm para solos argilosos e 10cm para solos arenosos, de profundidade; e de 30cm de largura.

A segunda operação é a semeadura propriamente dita, que envolva o espaçamento e a regulagem, da semeadeira (densidade de sementes por metro linear) no sentido de se obter uma população final ao redor de 50.000 plantas por hectare ou 120.000 plantas por alqueire na colheita.

Como a percentagem de germinação das sementes existentes no comércio é hoje em dia sempre superior a 90% recomenda-se uma densidade de semeadura de 7 a 8 sementes por metro linear.

Pode-se alterar o espaçamento mas nunca o número de plantas por metro linear poderá ser maior do que 5 plantas. Esta tabela pode orientá-los nesse caso:

Espaçamento entre linhas

Quantidade por metro

1,00m

7 a 8 sementes

0,90m

6 a 7 sementes

0,80m

5 a 6 sementes

3.7- Estande

O estande vem a ser o número de plantas existentes por metro quadrado.

Em São Paulo é uma das principais causas da baixa produtividade do milho, já que ao invés de 5 plantas por metro linear, temos em média apenas 3 plantas por metro linear. Isso que dizer que em uma lavoura de 20 alqueires temos 8 alqueires vazios.

Depois de emergência das plantas, caso o plantio não foi bem feito podem ocorrer duas situações:

1º) Excesso de plantas na linha: nesse caso o desbaste é economicamente inviável. Deve ser feita a gradagem e novo plantio.

2º) Falta de plantas na linha: nesse caso pode ser feito o replante com plantadeira manual até o 7º dia da emergência das plantas.

Alguns cultivares aceitam, hoje, populações de mais de 50.000 plantas por ha, para ter o número ideal de plantas na colheita é preciso considerar que as perdas normais de plantas variam de acordo com o número existente desde a emergência. Assim temos que considerar que haverá uma perda de 10% até 50.000 plantas, de 12% de 50 a 60.000 plantas e de 15% em população acima de 60.000 plantas por hectare.

É preciso considerar também que em populações acima de 50.000 plantas por hectare, haverá aumento da necessidade de água e de nutrientes, principalmente de N e P.

4 - CALAGEM E ADUBAÇÃO

O milho é uma das culturas que mais responde à calagem e adubação. essas duas práticas culturais são portanto importantes quando se deseja alcançar boa produtividade.

4.1- Calagem

Aplicar calcário para elevar a saturação por bases a 70% e o magnésio a um teor mínimo de 5mmolc/dm³. Em solos com teores de matéria orgânica acima de 100g/dm³, basta elevar a saturação por bases a 50%.

É muito importante a escolha de um bom corretivo e nessa escolha devem ser observados os seguintes aspectos:

- poder relativo de neutralização total (PRNT)

- preço da tonelada

- relação cálcio/magnésio.

É necessário que na compra do calcário se calcule o preço real do corretivo em função do PRNT.

Exemplo:

Calcário A: Preço na fazenda - R$ 80,00 a ton(PRNT=80%)

Calcário B: Preço na fazenda - R$ 70,00 a ton(PRNT=60%)

Preço efetivo por ton = Preço na fazenda x 100

PRNT %

Peço efetivo por ton = R$ 80,00 x 100 = R$100,00

do calcário A. 80

Preço efetivo por ton = R$ 70,00 x 100 = R$ 117,00

do calcário B. 60

Neste exemplo o calcário A é mais econômico que o calcário B.

Quanto mais fino for o calcário, mais rápida será sua reação no solo, pois a superfície de contato do solo com o calcário é bastante aumentada.

A calagem, de uma maneira geral, tem um efeito residual que varia de 3 a 5 anos.

4.2- Adubação mineral do milho - Os dados fornecidos pela Seção de Fertilidade do solo do IAC são as seguintes:

4.2.1- Adubação mineral para o plantio de milho grão:

Aplicar de acordo com a análise de solo e a meta de produtividade, conforme a seguinte tabela:

Produtividade

Esperada (t/ha)

Nitrogênio

N, kg/ha

P resina, mg/dm³

_______________

0-6  7-15  16-40  >40

K trocável, mmolc/dm³

_________________________

0-0,7  0,8-1,5  1,6-3,0  >30

P2O5, kg/ha

K2=kg/ha(2).............

2 - 4

10

60 40 30 20 50 40 30 0

4 - 6

20

80 60 40 30 50 50 40 20

6 - 8

20

90 70 50 30 50 50 50 30

8 - 10

30

(1) 90 60 40 50 50 50 40

10 - 12

30

(1) 100 70 50 50 50 50 50

 

(1) É improvável a obtenção de altas produtividades de milho em solos com teores muito baixos de P, independentemente da dose de adubo empregada.

(2) Para evitar excesso de sais no sulco de plantio, a adubação potássica para doses maiores que 50kg/ha de K2O está parcelada, prevendo-se a aplicação em cobertura.

Aplicar 20 kg/ha de S para metas de produtividade até 6t/ha de grãos e 40kg/ha de S para produtividade maiores.

Aplicar 4 kg/ha de Zn em solos com teores de Zn (DTPA) no solo inferiores a 0,7 mg/dm3 de Zn quando os teores estiverem de 0,7 a 1,5 mg/dm³.

Os adubos devem ser aplicados no sulco de plantio, 5cm ao lado e abaixo das sementes.

4.2.2- Adubação de cobertura para a produção de milho grão

A adubação de cobertura deve ser aplicada levando em conta a classe de resposta esperada a nitrogênio, o teor de potássio no solo e a meta de produtividade, de acordo com a seguinte tabela:

Meta de Produtividade (t/ha)

Classe de resposta a nitrogênio

-------------------------------------------

1-alta  2-média  3-baixa

K trocável, mmolc/dm³

---------------------------------

0-0,7  0,8-1,5  1,6-3,0

N, kg/ha

K2=,kg/ha(2)............

2 - 4 40  20  10 - - -
4 - 6 60  40 20 20 - -
6 - 8 100  70  40 60 - -
8 - 10 120  90  50 90 (1) 60 20
10 - 12 140  110  70 110 (1) 80 (1) 40

 

(1) Em solos argilosos, o K aplicado em cobertura pode não ser eficiente. Assim, principalmente nesses solos, quando os teores de K forem muito baixos ou baixos (<1,5 mmolc/dm³) e as doses recomendadas em cobertura, iguais ou superiores a 80kg/ha de K2O, é aconselhável transferir a adubação potássica de cobertura para a fase de pré-plantio, aplicando o fertilizante a lanço e incorporando-o ao solo. Nesse caso, acrescentar mais 20kg/ha de K2O à dose recomendada.

As classes de resposta esperada a nitrogênio têm o seguinte significado:

1. - Alta resposta esperada: solos corrigidos, com muitos anos de plantio contínuo de milho ou outras culturas não-leguminosas; primeiros anos de plantio direto; solos arenosos sujeitos a altas perdas por lixiviação.

2. -Média resposta esperada: solos muito ácidos, que serão corrigidos; ou com plantio anterior esporádico de leguminosas; solo em repouso por um ano; ou uso de quantidades moderadas de adubos orgânicos.

3. - Baixa resposta esperada: solo em repouso por dois ou mais anos, ou cultivo de milho após pastagem (exceto em solos arenosos); cultivo intenso de leguminosas ou plantio de adubos verdes antes do milho; uso constante de quantidades elevadas de adubos orgânicos.

Aplicar o nitrogênio ao lado das plantas, 30 dias após a germinação, em quantidades até 80kg/ha. Aplicar o restante 20 a 30 dias depois. Aplicar o potássio juntamente com a primeira cobertura de nitrogênio.

Em áreas irrigadas o N pode ser parcelado em 3 ou mais vezes, até o florescimento, e aplicado com a água de irrigação.

As doses de N podem ser reduzidas em condições climáticas desfavoráveis, baixo estand ou em lavouras com grande crescimento vegetativo.

Milho safrinha: cultivado sem irrigação e com produtividade esperada até 4t/ha, pode não responder à adubação em cobertura devido à insuficiência de chuva. Assim, recomenda-se aumentar a adubação nitrogenada de plantio para 30kg/ha de N, subtraindo-se o que foi colocado a mais no plantio, da adubação de cobertura.

4.2.3- Adubação mineral para a produção de milho silagem:

As recomendações para milho silagem são as mesmas adotadas para a produção de grãos.

As metas de produtividade correspondentes à produção de grãos são:

_______________________________
Grãos Matéria seca Matéria fresca
da parte aérea da parte aérea
_______________________________
(t/ha)

2-4 4-8 20-60
4-6 8-12 40-60
6-8 12-16 60-80
8-10 16-20 80-100
_______________________________

Devido à colheita de toda a parte aérea da planta, o milho para silagem remove grandes quantidades de nutrientes do terreno, principalmente de potássio. Assim, cuidados especiais devem ser tomados para garantir um adequado suprimento desse nutriente para a cultura que o seguir. Recomenda-se uma nova análise do solo após a colheita do milho, a fim de melhor dimensionar a adubação para a cultura subseqüente

4.2.4- Adubação mineral de plantio para a produção de milho verde e milho doce:

Aplicar de acordo com a análise de solo e a meta de produtividade, conforme a seguinte tabela:

Meta de Produtividade

(t/ha)

Nitrogênio

N, kg/ha

P resina, mg/dm³

---------------------------

0-6  7-15  16-20  >40

K trocável, mmol1c/dm³

P2=5, kg/ha

K2=, kg/ha(2).......

4 - 8 10 80 60 40 20 50 50 40 0
8 - 12 20 100 80 40 30 50 50 50 20
12 - 16 20 110 90 50 30 50 50 50 40
16 - 20 30 (1) 100 60 40 50 50 50 50
20 - 24 30 (1) 110 70 50 50 50 50 50

 

(1) É improvável a obtenção de altas produtividades de milho em solos com teores muito baixos de P, independentemente da dose de adubo empregada.

(2) Para evitar excesso de sais no sulco de plantio, a adubação potássica para doses maiores que 50kg/ha de K2O está parcelada, prevendo-se a aplicação em cobertura.

Aplicar 20kg/ha de S para metas de produtividade até 12t/ha de grãos e 40kg/ha de S para produtividade maiores.

Aplicar 4kg/ha de Zn em solos com teores de Zn (DPTA) no solo inferiores a 0,7mg/dm³ e 2kg/ha de Zn quando os teores estiverem de 0,7 a 1,5mg/dm³.

Os adubos devem ser aplicados no sulco de plantio, 5cm ao lado e abaixo das sementes.

4.2.5- Adubação mineral de cobertura para a produção de milho verde e milho doce

Adubação de cobertura deve ser aplicada levando em conta a classe de resposta esperada a nitrogênio, o teor de potássio no solo e a meta de produtividade, de acordo com a seguinte tabela:

Meta de Produtividade (t/ha)

Classe de resposta a nitrogênio

-----------------------------------------

1-alta  2-média  3-baixa

K trocável, mmol c/dm³

-------------------------------

0-0,7  0,8-1,5  1,6-3,0

N, kg/ha

K2= ,kg/ha (2)

4-8 50  30  20 20 - -
8-12 70  50  20 40 20 -
12-16 120  90  40 60 30 -
16-20 140  100 50 100 (1) 80 40
20-24 160  120  70 120 (1) 100 (1) 60

 

(1) Em solos argilosos, o K aplicado em cobertura pode não ser eficiente. Assim, principalmente nesses solos, quando os teores de K forem muito baixos ou baixos (<1,5mmolc/dm³) e as doses recomendadas em cobertura, iguais ou superiores a 80kg/ha de K2=, é aconselhável transferir a adubação potássica de cobertura para a fase de pré-plantio, aplicando o fertilizante a lanço e incorporando-o ao solo. Nesse caso, acrescentar mais 20kg/ha de K2O à dose recomendada.

As classes de resposta esperada a nitrogênio têm o seguinte significado:

1. - Alta resposta esperada: solos corrigidos, com muitos anos de plantio contínuo de milho ou outras culturas não-leguminosas; primeiros anos de plantio direto; solos arenosos sujeitos a altas perdas por lixiviação.

2. -Média resposta esperada: solos muito ácidos, que serão corrigidos; ou com plantio anterior esporádico de leguminosas; solo em pousio por um ano; ou uso de quantidades moderadas de adubos orgânicos.

3. - Baixa resposta esperada: solo em pousio por dois ou mais anos, ou cultivo de milho após pastagem (exceto em solos arenosos); cultivo intenso de leguminosas ou plantio de adubos verdes antes do milho; uso constante de quantidades elevadas de adubos orgânicos.

Aplicar o nitrogênio ao lado das plantas, 25 a 30 dias após a germinação, em quantidades até 80kg/ha. Aplicar o restante 20 a 30 dias depois. Aplicar o potássio juntamente com a primeira cobertura de nitrogênio.

Em áreas irrigadas o N pode ser parcelado em 3 ou mais vezes, até o florescimento, e aplicado com a água de irrigação.

As doses de N podem ser reduzidas em condições climáticas desfavoráveis, baixo estande ou em lavouras com grande crescimento vegetativo.

5 - ROTAÇÃO DE CULTURA E ADUBAÇÃO VERDE

A rotação de cultura com uma leguminosa (soja, amendoim) e uma gramínea (no caso, o milho) é uma das práticas mais efetivas para se obter altas produções, tanto de milho quanto de leguminosa.

A rotação reduz o nível de pragas e doenças e melhora as condições físicas do solo para a cultura seguinte. No caso do milho a rotação com soja permite economia de nitrogênio.

Outras culturas, que não leguminosas, apresentam também bons resultados de rotação, como o algodão, a mamona etc.

Recentemente, tem-se observado, em algumas regiões, o aparecimento de nematóides trazendo prejuízos consideráveis. Nesse caso a rotação de cultura é obrigatória para reduzir os níveis de infestação. Além disso, tem-se tornado comum nessas regiões, a utilização de adubação verde, como a mucuna preta, para se reduzir os níveis de infestação.

Esses adubos verdes são plantados logo após a colheita do milho (março) crescem durante o inverno, e são incorporados em Agosto/setembro, no momento do preparo do solo para plantio.

6 - ESCOLHA DO CULTIVAR

A escolha do cultivar a ser plantado é uma tarefa difícil para o agricultor já que existem cerca de 130 cultivares recomendados para o Estado de São Paulo.

Existem hoje no mercado cultivares recomendados para baixa, média e alta tecnologia, cultivares específicos para silagem, cultivares para milho verde e de ciclos diferentes.

A recomendação nesse caso é que os agricultores procurem as Casas da Agricultura, já que a CATI, com o IAC, com as firmas produtoras de sementes e com os próprios agricultores vem fazendo um trabalho, chamado teste regional, que nada mais é do que o estudo do comportamento dos principais cultivares nas diversas regiões do estado.

7 - TRATOS CULTURAIS

Havendo condições favoráveis de umidade e temperatura no solo, as sementes germinarão, em média, cinco dias após a semeadura. Depois da germinação, há necessidade de controlar o desenvolvimento de ervas daninhas que aparecem junto a cultura.

Ao contrário do que muita gente pensa, o mato prejudica muito o milho, isso porque o milho é uma planta adaptada e o mato está em seu habitat natural.

O quadro, a seguir, mostra o que aconteceu com a produção do milho, na mesma lavoura, quando atrasou-se, de propósito, a capina para mostrar as perdas ocasionadas pelo mato.

Demonstrativo das perdas ocasionadas pelo mato

__________________________________________
Produção Prejuízo
Tratamento realizado (sacos/alqueire)
__________________________________________

Milho com herbicida pré-emergente com poder
residual de 50 a 60 dias 260 zero
Fazendo o cultivo mecânico após 30 dias 182 30%
Fazendo o cultivo mecânico após 50 dias 73 72%
Sem fazer cultivo nenhum 39 85%
__________________________________________
FONTE: CNPMS-Embrapa - Sete Lagoas-MG

Caso o terreno tenha sido bem preparado e o sulco de semeadura feito de acordo com a recomendação já descrita, os cultivos, visando principalmente ao controle de ervas más, poderão ser executados, empregando-se o planet de cinco enxadinhas ou gradinha de dentes, que são equipamentos simples e baratos e altamente eficientes, quando corretamente usados.

Em culturas mais extensas e altamente tecnificadas, cultivadores de tração motora são usados com muito bom resultado, mas exigem operador muito prático e habilidoso.

Os cultivadores de tração motora devem ser muito bem regulados e exigem que a semeadura tenha sido executada com muita exatidão, visando ao emprego desse tipo de equipamento no controle de ervas daninhas.

Os cultivos devem ser iniciados logo que as ervas daninhas nasçam, tendo o cuidado de não deixá-las desenvolver. Elas concorrerão com as plantinhas de milho em água e nutrientes e se crescerem demais o seu controle torna-se difícil, sem causar danos à cultura de milho. Normalmente, depende da infestação de ervas daninhas no terreno, dois ou três cultivos são suficientes, para manter a cultura no limpo até os 35-40 dias (época da adubação nitrogenada aplicada em cobertura).

Nesse primeiro período de desenvolvimento das plantas, a cultura não pode sofrer concorrência do "mato", o que é muito prejudicial á produção. Passada essa fase, quase sempre, o mato não tem mais condições de concorrer com as plantas de milho, devido ao seu rápido desenvolvimento e conseqüente sombreamento do solo, criando condições desfavoráveis para as ervas daninhas.

A importância da semeadura feita em sulco largo e profundo ressalta agora, principalmente, no primeiro cultivo, pois os cultivares recomendados, além de destruírem as ervas daninhas nas entrelinhas, provocam o retorno de uma certa quantidade de terra ao sulco original, "abafando" a sementeira que vem desenvolvendo junto da planta de milho. Essa operação evita o uso da enxada para capinas junto às plantas, o que é altamente vantajoso.

Atualmente começa a se difundir a prática do cultivo químico. Vários produtos têm eficiência comprovada na eliminação dos tratos mecânicos, durante cerca de 40 a 50 dias após a emergência das plantas. Esse é justamente o período crítico de concorrência das ervas daninhas com o milho. Nos herbicidas pré-emergência é importante que o solo apresente boas condições de umidade.

O custo de aplicação de herbicidas representa aproximadamente 400kg de milho por hectare tratado. O controle químico das plantas daninhas na cultura do milho, só deve ser adotado se a produtividade for igual ou superior a 3.000kg/ha. Abaixo desse nível, a aplicação é anti-econômica, e só é justificada pelo tamanho da lavoura; 100ha ou mais.

8 - PRAGAS DO MILHO

8.1- Principais pragas do milho no campo e seu controle

8.1.1- Lagarta-elasmo - Elasmopalpus lignosellus ( Zeller, 1848) - Lepidoptera - Pyralidae

A lagarta-elasmo vem tornando-se, juntamente com a lagarta-do-cartucho, uma das principais pragas da cultura do milho em condições de campo. Tem sido observado que esta praga ocorre com maior freqüência em solos arenosos e em períodos secos após as primeiras chuvas. Também tem sido problemática para as culturas em solos sob vegetação de cerrado, sobretudo no primeiro ano de cultivo.

A forma adulta da lagarta-elasmo é uma pequena mariposa, medindo cerca de 20mm de envergadura, apresentando coloração cinza-amarelada. A postura é feita nas folhas, bainhas ou hastes das plantas hospedeiras, onde ocorre a eclosão das larvas, num período variável, de acordo com as condições climáticas. A larva, inicialmente, alimenta-se das folhas, descendo em seguida para o solo e penetrando na planta à altura do colo, no qual faz uma galeria ascendente que termina destruindo o ponto de crescimento da planta.

As lagartas completamente desenvolvidas medem cerca de 15mm de comprimento e têm coloração verde-azulada com estrias transversais marrons, purpúreas e pardo-escuras. Findo o período larval, em média de 21 dias, as larvas transformam-se em crisálidas, próximo à haste da planta ou nas proximidades desta no solo e, após 8 dias, aproximadamente, emergem os adultos.

a. Identificação no campo

Os maiores prejuízos para a cultura do milho são causados nos primeiros 30 dias após a germinação. Portanto, para as identificar a presença da lagarta-elasmo no campo, deve-se proceder um levantamento, considerando aquele período de tempo.

Devido ao ataque, ocorre primeiramente a morte das folhas centrais, cujo sintoma é denominado "coração morto". Sendo puxadas com a mão, as folhas secas do centro destacam-se com facilidade. Posteriormente ocorre o perfilhamento ou a morte da planta. uma folha enrolada, atacada por elasmo, quando chega a abrir-se apresenta, orifícios bem redondos dispostos em linha reta.

Junto ao orifício de entrada encontra-se um tubo construído pela lagarta, com teia, terra e detritos vegetais, dentro do qual ela se abriga. Uma característica marcante desta praga é que as larvas são bastante ativas e saltam quando tocadas.

b. Controle

Os melhores resultados para o controle da lagarta elasmo são obtidos com a utilização de inseticidas sistêmicos aplicados preventivamente no solo, por ocasião do plantio. este tipo de controle é recomendado porém, somente em regiões onde tradicionalmente ocorre praga. Em locais onde a ocorrência é esporádica, recomenda-se uma pulverização, dirigindo-se o jato da calda inseticida para a região do colo da planta. Para esta aplicação, podem-se utilizar produtos à base de Carbaryl (1,7kg p.a./ha, Malathion (0,75 litros p.a./ha) ou Trichlorphon (1kg p.a./ha ou Cloropirifos (0,3 litros p.a/ha).

8.1.2- Lagarta-rosca - Agrotis app. Lepidoptera-Noctuidae

Várias espécies de lagarta-rosca atacam a cultura de milho, porém a espécie A. ipsilon tem sido a mais comum. As plantas atacadas por lagarta-rosca são totalmente improdutivas. Tem sido observado que a cada ano agrícola aumenta a infestação de lagarta-rosca em áreas cultivadas com milho. Como são várias as espécies envolvidas, sendo o controle químico difícil, pode-se considerar este grupo de pragas como séria ameaça ao bom "estande" na cultura do milho.

O adulto é uma mariposa, geralmente de coloração marrom-escura, com áreas claras no primeiro par de asas e coloração clara com os bordos escuros, no segundo par. Mede cerca de 35mm de envergadura. As posturas são feitas na parte aérea da planta e cada fêmea tem um potencial para colocar, em média, 750 ovos, durante a sua vida. Após a eclosão, as lagartas dirigem-se para o solo, onde permanecem protegidas durante o dia, só saindo ao anoitecer para se alimentarem. A larva deste inseto alimenta-se da haste da planta, provocando o seccionamento da mesma - que pode ser total quando as plantas estão com uma altura de até 20cm, pois ainda são muito tenras e finas.

As larvas, quando completamente desenvolvidas, medem cerca de 40mm, são robustas, cilíndricas, lisas e apresentam coloração varíável, predominando a cor cinza-escura. A fase larval dura cerca de 25 a 30 dias, transformando-se na fase pupal no próprio solo, onde permanece pupa por cerca de 2 a 3 semanas, quando então emergem os adultos.

a. Identificação no campo

O milho, geralmente, só é atacado pela lagarta-rosca até 50cm de altura. Pode-se identificar o ataque em plantas que apresentam o colmo seccionado na região do coleto. O ataque de lagarta-rosca provoca três sintomas diferentes: inicialmente as lagartas provocam seccionamento parcial do colo e, quando a lesão é grande, surge o chamado "coração morto", com a conseqüente morte da planta; quando a lesão é pequena surgem manchas semelhantes às causadas por "deficiências minerais"; a lagarta-rosca pode também provocar um "perfilhamento", que é indesejável, pois surgirá uma touceira totalmente improdutiva. Uma larva é capaz de destruir de 4 a 6 plantas. As lagartas abrigam-se no solo em volta das plantas recém-atacadas, numa faixa lateral de 10cm e numa profundidade de 7cm. Quando tocadas, as lagartas enrolam-se tomando o aspecto de uma rosca.

Muitas vezes o ataque de A.ipsilon é confundido com o de E. lignosellus; porém pode ser facilmente distinguido uma vez que a lagarta-elasmo faz orifício e penetra no colmo, enquanto que a lagarta-rosca alimenta-se externamente sem penetrar na planta.

b. Controle

Os mesmos produtos recomendados para o controle da lagarta-elasmo são também eficientes no controle da lagarta-rosca.

8.1.3- Lagarta-do cartucho - Spodoptera frugiperda (Smith, 1797) - Lepidoptera - Noctuidae

A lagarta-do-cartucho é considerada uma das principais pragas do milho nas Américas. A larva desse inseto pode atacar em todos os estádios de crescimento da cultura, assumindo grande importância no México, América Central e América do Sul.

No México, foi verificada uma redução de 37,7% na produção de milho devido ao ataque de S. frugiperda.

No Brasil, esta redução variou de 15 a 34%, dependendo do estádio de crescimento da cultura.

O inseto adulto é uma mariposa medindo cerca de 35mm de envergadura, e apresentando uma coloração pardo-escura nas asas anteriores, e branco-acinzentada nas asas posteriores. As posturas são feitas em massa, com um número médio de 150 ovos. O período de incubação dos ovos é de aproximadamente 3 dias.

As larvas recém-eclodidas alimentam-se da própria casca do ovo. Após esta primeira alimentação, permanecem em repouso por um tempo variável de 2 a 10 horas. Quando encontram hospedeiro adequado, elas começam a alimentar-se dos tecidos verdes, geralmente começando pelas áreas mais suculentas, deixando apenas a epiderme membranosa, provocando o sintoma conhecido como "folhas raspadas". à medida que as larvas crescem, começam a fazer orifícios nas folhas, podendo destruir completamente as plantas mais novas; o ataque pode ocorrer desde o estádio de "seedling" até o da formação das espigas.

A lagarta, completamente desenvolvida, mede cerca de 40mm, e com coloração variável de pardo-escura, verde até quase preta e com um característico Y invertido na parte frontal da cabeça. O período larval depende das condições de temperatura, sendo que, nas nossas condições, dura em torno de 15 dias. Findo este período, a larva geralmente vai para o solo onde se torna pupa. O período pupal varia de 10 a 12 dias nas épocas mais quentes do ano.

a. Identificação no campo

Larvas de primeiro instar geralmente consomem o tecido verde de um lado da folha, deixando intacta a epiderme membranosa do outro lado. Isto é uma boa indicação da presença de larvas mais jovens na cultura do milho, uma vez que são poucos os insetos que apresentam hábitos semelhantes e na área atacada pela lagarta-do-cartucho. A presença da larva no interior do cartucho da planta pode ser indicada pela quantidade de excrementos ainda frescos existentes na planta, ou abrindo-se as folhas e observando lagartas com cabeça escura e um característico Y invertido na parte frontal da cabeça.

b. Controle

A CATI vem fazendo um trabalho de MIP Milho, cuja praga alvo é a lagarta do cartucho. O controle é feito através de monitoramento da cultura e a aplicação do produto é feita quando a cultura apresenta 20% de plantas com o sintoma de "folhas raspadas", que é o nível de dano econômico da praga. Nessa fase as lagartas estão com 7 a 8mm. As pulverizações são feitas com jato dirigido utilizando-se principalmente, os bicos leque 8004 ou 6504.

Foram utilizados os seguintes produtos e dosagens em excelente resultados:

- Alsystin - 100g/ha - i.a: triflumuron - produto fisiológico

- Dimilin - 100g/ha - i.a: diflubenzuron - produto fisiológico

- Fury - 180EW . 50ml/ha - i.a: zetacipermetrina-produto piretróide

- Karate 50CE-150ml/ha - i.a: Lambdacyhathrin - produto piretróide

- Decis 25CE-200ml/ha-i.a: deltametrina - produto piretróide

- Arrivo - 80ml/ha - i.a: cipermetrina - produto piretróide

8.1.4- Lagarta-da-espiga - Heliothis zea (Bodie, 1850) - Lepidoptera Noctuidae

A lagarta-da-espiga é considerada uma das mais importantes pragas de milho nos Estados Unidos, causando mais danos que qualquer outro inseto. Naquele país, os prejuízos causados por H. zea chegam até 14% em milho doce. No Brasil, já se verificou um redução de 8,38% na produção do milho IAC Hmd 7974, sendo que 2,09% foram devidos à alimentação nos grãos; 1,99% devidos ao apodrecimento dos grãos, e 4,3% devido à alimentação dos estilos-estigmas, impedindo a formação dos grãos.

Além do prejuízo direto causado pela lagarta-da-espiga, seu ataque favorece a infestação de outras pragas importantes, tais como, o caruncho, Sitophilus zeamais e a traça, Sitotroga cerealella.

O inseto adulto é uma mariposa com cerca de 40mm de envergadura; as asas anteriores são de coloração amarelo-pardo, com uma faixa transversal mais escura, apresentando também manchas escuras dispersas sobre as asas. As asas posteriores são mais claras, com uma faixa nas bordas externas.

A fêmea fecundada põe os ovos em qualquer parte da planta, mas de preferência nos "cabelos" (estigmas) da flor feminina, ou "boneca". Cada fêmea deposita em média 1.000 ovos durante sua vida. Os ovos são geralmente depositados individualmente, e somente um ou dois por planta. Após 3-4 dias dá-se a eclosão das larvas que começam a alimentar-se imediatamente. À medida que elas se desenvolvem, penetram no interior da espiga e iniciam a destruição dos grãos em formação. A larva completamente desenvolvida mede cerca de 3,5cm e com coloração variável de um verde-claro ou rosa para marrom ou quase preta, com partes mais claras. O período larval varia de 13 a 25 dias, findos os quais as larvas saem da espiga e vão para o solo para se tornarem pupa. O período pupal requer de 10 a 15 dias.

a. Identificação no campo

O ovo da lagarta-da-espiga mede cerca de 1,0mm de diâmetro, com a forma hemisférica, apresentando saliências laterais, e podendo ser visualizado através de um exame minuciosos de "tufo de cabelos", com uma lupa ou mesmo a olho nu. Após a eclosão, as lagartas penetram nas espigas deixando um orifício bem visível. Na fase de milho verde, pelo despalhamento, geralmente se encontra uma lagarta no interior da espiga infestada.

b. Controle

Os dados de pesquisa têm mostrado que a lagarta-da-espiga não é tão problemática para a cultura do milho, quando este se destina à produção de grãos. A importância desta praga seria maior no caso da exploração de milho verde. neste caso, a importância do inseto está mais relacionada ao aspecto visual da espiga do que propriamente ao aspecto direto da perda em peso. Esta perda, segundo dados da literatura, foi da ordem de 8,4% , em experimentos realizados em Jaboticabal - SP.

Além deste aspecto, deve-se considerar ainda a dificuldade de se fazer um tratamento químico em uma lavoura de milho já formada, e o problema da carência (período decorrido da aplicação do inseticida até o consumo do produto) que se deve respeitar. Portanto não se tem recomendado o controle desta praga com inseticidas. Entretanto, caso seja necessário o controle, pode-se usar inseticida à base de Carbaryl, Tricholorphon e Metoxicloro, todos à base de 1,0kg do princípio ativo por hectare.

8.1.5- Broca-da-cana - Diatraeae saccharalis

O adulto é uma mariposa com as asas anteriores de coloração amarelo-palha e as posteriores esbranquiçadas, com 25mm de envergadura.

A fêmea coloca os ovos, que têm forma de escamas de peixe, nas folhas do milho. Os ovos eclodem em poucos dias após a postura.

As lagartinhas alimenta-se das folhas do milho e depois penetram no colmo onde se alimentam, formando galerias.Um dos prejuízos causados pela broca é que através das galerias que fazem no interior do colmo enfraquecem a planta e a torna bastante suscetível ao tombamento pelo vento.

8.1.6- Curuquerê-dos-capinzais - Mocis latipes

O adulto tem asas de coloração pardo-acinzentado e mede 40mm de envergadura. os ovos são colocados nas folhas e, ao eclodirem, as lagartinhas começam a se alimentar da epiderme da folha, geralmente na página inferior. Quando adultas medem 40mm e são do tipo mede-palmo. Essa lagarta, ao contrário da Spodoptera, não se localiza no cartucho, mas comem as folhas da periferia para o centro.

8.1.7- Pulgão - Ropalosiphum maidis

O ,pulgão apresenta coloração verde-azulada e apresenta-se tanto sob a forma alada quanto áptera e sua reprodução se processa por partenogênese. Sobre suas dejeções forma-se um fundo negro (fumagina) que prejudica a fotossíntese. Também são vetores de virose, principalmente o mosaico. Tanto as formas aladas como as ápteras são constituídas de fêmeas, sendo que a forma alada dissemina a espécie.

8.1.8- Cigarrinha-das-pastagens - Deois flavopicta (Stal, 1854) homoptera - Cercopidae

A cigarrinha-das-pastagens, D.flavopicta, se constitui, hoje, num dos mais importantes problemas fitossanitários para a agropecuária brasileira. Isto porque, este inseto é uma importante praga das pastagens, principalmente da braquiária, e, a partir de 1979, esta praga começou a atacar também lavouras de milho e arroz em Goiás (GO), Mato Grosso do Sul (MS) e Minas Gerais (MG).

Normalmente ocorrem três picos populacionais de cigarrinhas, que se sobrepõem de outubro a abril. O primeiro e maior pico ocorre, geralmente, em novembro; o segundo, em fins de janeiro e início de fevereiro e o terceiro, em março/abril. São os ovos ovipositados em março/abril que atravessam o inverno e dão origem ao pico de novembro, que é o mais severo. O dano nas pastagens é causado pela forma jovem (ninfa) e pelo adulto; porém, no milho, somente os adultos atacam. Tanto nas pastagens quanto no milho, a cigarrinha prejudica por sugá-las e injetar uma toxina que bloqueia e impede a circulação da seiva.

Em novembro de 1981, o problema causado pela cigarrinha-das-pastagens agravou-se nos Estados de GO, MS e no Triângulo Mineiro. Isto porque as condições climáticas, umidade e temperatura, favorecem a antecipação da eclosão das ninfas. O primeiro pico populacional foi um verdadeiro surto e ocorreu em fins de outubro e se estendeu até novembro. O ataque foi tão intenso que, após destruir milhares de hectares de pastagens, elas migraram para culturas de milho e arroz, localizadas próximo às pastagens e que se encontravam ainda nas primeiras semanas após o plantio.

Segundo levantamentos feitos em novembro/dezembro de 1981, por extensionistas da EMATER-GO, as cigarrinhas atacaram 57% da área plantada com arroz no Estado de Goiás, o que corresponde a aproximadamente 200 mil ha. Este ataque foi severo suficiente para destruir cerca de 52 mil ha de lavoura de arroz e reduzir drasticamente a produção do restante atacado.

Em lavouras de milho a situação foi também alarmante. Calculou-se que 521 mil ha de milho foram atacados pela cigarrinha, e destes, aproximadamente 70 mil ha foram intensamente atacados e possivelmente destruídos. O restante atacado teve sua produção reduzida.

Constatou-se que em algumas regiões do Estado do Mato grosso do Sul o ataque foi intenso, embora não se tenha obtidos dados sobe o número de hectares atacados. No Triângulo Mineiro e Norte de Minas o ataque foi menos intenso, porém, grandes lavouras de arroz foram prejudicadas.

As pesquisas com este inseto na cultura do milho estão agora iniciando-se. Com os dados já disponíveis, embora não se possa determinar exatamente o nível de controle da praga, deve-se considerar o fato de que plantas jovens, ou seja, com idades de cerca de 10 dias, são muito sensíveis ao ataque da cigarrinha, sendo que 2 insetos por planta ocasionam severos danos. Infestações com 3 cigarrinhas por planta provocam sintomas de ataque dois dias após a ocorrência. A morte da planta pode ocorrer dois dias após a manifestação dos sintomas. Plantas mais desenvolvidas (acima de 17 dias) já toleram bem até níveis altos de infestação.

8.2- Pragas que atacam os grãos armazenados

8.2.1- Traça

É uma mariposa de 5-7mm de comprimento e coloração amarelo-palha. A fêmea pode pôr cerca de 400 ovos durante a vida, que varia de 5-10 dias. Dos ovos emergem pequenas larvas que penetram nos grãos destruindo o embrião e o endospoerma. Seu ciclo dura cerca de 30-35 dias.

É uma praga que ataca os grãos da superfície dos depósitos a granel, mas em paióis ela pode aprofundar-se. Devido à maior quantidade de espaços vazios existentes na massa armazenada, o milho em espigas é mais danificado que o milho a granel.

8.2.2- Caruncho - Sitophilus zeamais

São pequenos besouros negros, medindo 3-4mm e com o bico projetando-se da cabeça. A fêmea consegue viver de 4-5 meses, colocando em média 180 ovos nesse período.

Os danos no milho são causados pelo adulto e pelas larvas, que se desenvolvem no interior dos grãos. O orifício de emergência do adulto apresenta as bordas irregulares ou quebradas, o que diferencia do adulto de S. cerealella, que é arredondado.

8.2.3- Roedores

Os roedores que atacam o milho são as ratazanas, o rato comum e o camundongo. essa praga pode destruir dez vezes mais alimento do que necessita. Além desses prejuízos, esses roedores podem transmitir ao homem cerca de 35 doenças. A leptospirose, doença que provoca o aborto, comumente diagnosticada em suínos, encontra na urina dos ratos seu mais freqüente transmissor.

8.3- Controle de pragas dos grãos armazenados

As pragas dos grãos armazenados causam os seguintes prejuízos:

Redução de peso e valor Comercial: Os insetos ao se alimentarem do grão consomem e destroem grandes quantidades de material, concorrendo grandemente para redução no peso. Os danos causados nos grãos também influenciam o valor comercial do produto.

Redução da Qualidade: Além das perdas anteriormente mencionadas, as pragas provocam perdas significativas na qualidade dos grãos. A qualidade é depreciada devido à poluição da massa de grãos pela presença de ovos, larvas, pupas, adultos e excrementos. Deve-se considerar que esta poluição persiste nas farinhas.

Perdas no Poder Germinativo: O caruncho e a traça começam a destruição da semente pela região do embrião. Uma semente carunchada geralmente não germina, Se germinar, irá dar origem a uma planta deficiente, incapaz de produzir satisfatoriamente.

No Brasil há duas espécies de carunchos que atacam o milho, o Sitophilus zeamais e Sitophilus oryzae, sendo esta última menos comum. Estes carunchos são pequenos besouros castanhos, medindo 3-5mm e com um bico projetando-se da cabeça. os danos no milho são causados pelos adultos e pelas formas jovens que se desenvolvem no interior dos grãos, emergindo quando se transformam em adultos.

8.4- Controle de insetos

No Estado de São Paulo, 70% da produção é armazenada em palha, na propriedade. Como esse milho é armazenado em péssimas condições o prejuízo anual é da ordem de 20% em peso. Como a grande parte do milho é armazenada em palha, a recomendação que segue é para o milho armazenado nessa condição.

Para que se tenha um bom controle dos insetos é necessário que se faça:

a) Limpeza e desinfecção dos locais de armazenamento com os seguintes produtos:

- Quantidade de inseticida e água a serem aplicados, para a desinfestação dos locais de armazenamento

________________________________________
Aplicação Dosagem Área
Produtos químicos em ___________________ a
Inseticida Água cobrir
________________________________________

deltrametrina-CE 5g/l alvenaria 15ml 1 litro 10m²
(pulverização madeira 5ml 1 litro 5m²
Pirimifos metil-CE alvenaria 10ml 1 litro 10m²
500g/l (pulverização) tábuas 5ml 1 litro 5m²
________________________________________

b) Aplicar 500g do produto deltametrina pó (K'Obiol 2p) por tonelada de milho, o que corresponde a 40 a 50g do produto comercial por m² em camadas de 25cm de milho em palha. Após 7 dias da aplicação o milho pode ser consumido por homens ou animais.

8.5- O controle dos roedores

Os melhores métodos de controle desses pequenos animais nas propriedades é evitar a entrada com a construção ou reforma dos armazéns com proteção anti-ratos. Outras medidas de controle, tais como a utilização de gatos, armadilhas, eliminação de lixos e refúgios, ajudam a diminuir o problema. Porém, é bom saber que a simples presença dos gatos não significa que já se tem o controle dos ratos.

Aos agricultores que já possuem armazéns em suas propriedades, a melhor solução é o uso de raticidas. Os raticidas mais eficientes são os anticoagulantes, de ação lenta, e entre eles o que dão melhores resultados são aqueles de dose única.

O raticida deve ser aplicado à base de 10 a 25g por ponto de iscagem, em numerosos pontos, permitindo, assim, que todos os roedores da colônia tenham acesso a pelo menos 3g da isca. Não há necessidade de reposição das iscas, e o rato morre no quarto ou quinto dia após ter ingerido o produto.

Recomendamos colocar as iscas diretamente nas tocas, nas trilhas ou no local onde os ratos procuram os alimentos.

Deve-se repetir a operação após sete dias para apanhar os ratos que, por algum motivo, não comeram o raticida.

9 - NEMATÓIDES

Já foram detectados diversos gêneros de nematóides em milho, que em regiões infestadas e principalmente em plantios tardios tem causado grandes prejuízos.

A recomendação para o controle dos nematóides seria a rotação de cultura e o uso de cultivares tolerantes.

10 - DOENÇAS NA CULTURA DO MILHO

Com o advento do milho safrinha aumentou bastante a importância das doenças na cultura do milho, principalmente das ferrugens que só sobrevivem em material vivo.

o controle das doenças se faz através da escolha de cultivares resistentes. Atualmente existem, no mercado, cultivares com resistência a todas as principais doenças.

10.1- Principais doenças do milho

10.1.1- Ferrugem causada por polysora - Puccinia polysora.

As pústulas são menores, de cor mais clara e mais arredondadas do que as produzidas por P. sorghi. Encontram-se, também, em ambas as faces das folhas, mas a epiderme fica intacta por mais tempo do que nas folhas atacadas por P. sorghi. As pústulas adquirem uma coloração marrom-escura á medida que as plantas se aproximam da maturação. Não se conhece hospedeiro intermediário desse fungo. Essa ferrugem é muito comum em regiões quentes e úmidas.

10.1.2- Ferrugem comum - Puccinia sorghi

Esta moléstia acha-se amplamente distribuída por todo o mundo.

A ferrugem comum do milho torna-se mais visível quando as plantas se aproximam da fase do florescimento. Pode ser reconhecida pelas pequenas pústulas que aparecem na bainha e na lâmina foliar. As pústulas têm cor marrom-escuro nos primeiros estágios de infecção; mais tarde, rompe-se a epiderme e, à medida que a planta amadurece, as lesões adquirem uma coloração preta. As plantas do hospedeiro intermediário (Oxalis spp) com frequência são infectadas e apresentam pústulas de cor laranja-clara. Este é outro estágio do ciclo do fungo (sexual).

10.1.3- Ferrugem tropical - Physopella zeae

Os prejuízos causados por esta ferrugem são esporádicos e limitados às regiões tropicais quentes e úmidas do continente americano.

As pústulas variam quanto a sua forma, de circulares a ovais. São pequenas e se encontram debaixo da epiderme. No centro da pústula lesão é branca a amarela-pálida e logo fica perfurada.

Algumas vezes aparece uma coloração preta ao redor da pústula, mas seu centro fica com a cor clara característica. Não se conhece hospedeiro intermediário do fungo.

10.1.4- Mancha da folha causada por Phaeosphaeria - Phaeosphaeria maydis

Esta moléstia, de reduzida importância, encontra-se restrita a algumas regiões do Brasil e do Norte da Índia, onde também existe Exerohilium turcicum. Seu desenvolvimento é favorecido por condições de alta precipitação pluvial e temperaturas noturnas relativamente baixas.

As lesões aparecem como pequenas áreas de cor verde-clara, que, mais tarde, ficam cloróticas e morrem, circundadas por margens de cor marrom-escuro. As manchas nas folhas são circulares ou um pouco ovais.

10.1.5- Enfezamento do milho - Corn Stunt Disease, CSD

Essa enfermidade foi observada inicialmente na Califórnia, EUA, em 1942. Desde esta época tem sido observada em terras baixas, quentes e úmidas no México, sul dos EUA e em países da América Central e América do Sul. Embora originariamente tenha-se informado que essa moléstia era causada pela "raça Rio Grande" do vírus que causa o enfezamento do milho, hoje o patógeno foi reidentificação como um micoplasma helicoidal ou Espiroplasma. As plantas infestadas mostram bandas amplas de cor amarela na base das folhas mais jovens que pode tornar-se de coloração púrpura-avermelhada na direção à ponta. Normalmente as plantas sofrem de ananismo ou enfezamento, devido a redução dos entrenós. As gemas axilares desenvolvem espigas estéreis e também apresentam uma ramificação excessiva das raízes. em casos severos, as plantas não produzem espigas ou produzem poucas sementes, e também morrem prematuramente. A moléstia é transmitida por várias espécies de cigarrinhas que variam em sua eficiência de transmissão; o vetor mais comum é Dalbulus maidis (De L. & Wolc.). O patógeno não se transmite mecanicamente.

10.1.6- Mancha da folha causada por Turcicum - Excerohilium turcicum

Os primeiros sintomas podem ser facilmente identificados, como pequenas lesões de forma quase oval e aquosas que aparecem nas folhas do milho. Elas desenvolvem-se em extensas lesões necróticas, fusiformes. Aparecem, de início, nas folhas inferiores e continuam aumentando de tamanho e de número à medida que a planta se desenvolve, até que ela se apresenta completamente queimada, numa forma muito característica.

A moléstia aparece em todo o mundo, mas observa-se principalmente, nas zonas onde ocorrem alta umidade e temperaturas relativamente baixas, durante o desenvolvimento da planta. Quando a infecção aparece por ocasião do florescimento da flor feminina e as condições são favoráveis, ela pode causar vultosos prejuízos econômicos.

11 - COLHEITA

O atraso na colheita provoca prejuízos, quais sejam: tombamento, o apodrecimento da espiga e o ataque de pragas.

Para minimizar esses prejuízos é importante que o milho seja colhido em seu ponto ideal, que é o ponto quando ele está com 18 a 22% de umidade para colheita mecânica e de 15 a 18% para a colheita manual. o milho colhido manualmente entre 15 a 18% pode ser armazenado, em espigas, em paióis, sem problemas desde que estes sejam bem arejados.

 MANUAL DE CULTURAS  CATI